<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462</id><updated>2012-02-16T21:55:38.852-02:00</updated><title type='text'>Mnemosina</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>55</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116732039569291978</id><published>2006-12-28T13:38:00.000-02:00</published><updated>2006-12-28T13:39:55.733-02:00</updated><title type='text'>Entrevista: Bernardo Scarambone (berber)</title><content type='html'>Conheci Bernardo Scarambone freqüentando fóruns de música clássica pela internet. Não o conheço pessoalmente, mas somos velhos companheiros de debates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utiliza o pseudônimo de "berber", que nada mais é do que a repetição das primeiras letras do seu primeiro nome. Quem observa suas participações em fórum não imagina que por trás desse apelido singelo e do seu jeito simples, sempre descontraído e bem-humorado, se esconde um dos grandes talentos da nova geração de pianistas do país. Recém doutorado em Houston, Estados Unidos, com tese sobre a obra para piano do compositor brasileiro contemporâneo Marlos Nobre de Almeida, também é responsável pela estréia mundial de uma das composições do referido compositor. Sua tese e suas interpretações prometem trazer muita luz sobre a música de Marlos Nobre. Bernardo Scarambone prestigia, acima de tudo, a música atual e brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa entrevista tem como objetivo divulgar o seu trabalho. Segue, também, um breve resumo da biografia do músico brasileiro.&lt;br /&gt;__________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo Scarambone nascido no Rio de Janeiro, Brasil, onde começou seus estudos de piano aos 11 anos de idade. Desde então, Dr. Scarambone tem sido considerado um dos mais talentosos e bem-sucedidos pianistas de sua geracão, com um total de 13 prêmios em concursos nacionais e internacionais. Bernardo Scarambone se apresentou em diversas salas de concertos e em master classes e festivais de musica em Brasil, Portugal, Espanha, Franca e EUA. &lt;br /&gt;Ele tocou com varias orquestras importantes: Sinfônica Nacional, OSESP, OSPA, Indiana University Philharmonic Orchestra, Baytown Symphony entre outras. Dr. Scarambone recebeu seu bacharelado da universidade federal do Rio de Janeiro em 1987 e uma bolsa de estudos para o Mestrado em Indiana, onde estudou sobre a supervisão do pianista Alexander Toradze, vencedor do Van Cliburn. Bernardo Scarambone completou seu mestrado em 1999 e no ano seguinte recebeu outra bolsa para fazer o doutorado em Houston (University of Houston). Bernardo Scarambone sempre desenvolveu atividades relacionadas com a musica brasileira e musica latinoamericana, como o Alabama International Festival – BRAZIL”, em Georgia, ou “International Piano Festival” em South Bend, Indiana. Suas apresentações de musica brasileira são sempre aclamadas pelo publico e critica. Bernardo Scarambone completando seu doutorado na University of Houston, em abril desse ano (2006).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://wwwappstc.nhmccd.edu/ehm/music/website/People.html (traduzido da home page de uma universidade onde Bernardo lecionou, em Houston).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Com intermédio de quem você iniciou os seus estudos musicais (houve algum incentivo)? E desde quando descobriu (e começou a apreciar), realmente, a música clássica?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu comecei a estudar piano com a dona Judith, professora do colégio. Tínhamos aulas eu e meu irmão, Bruno, na casa dela. Tinha uns oito ou nove anos, mas não considero esse meu inicio com o piano. Ela ensinava que o polegar só poderia tocar o do central, mais nenhuma nota! O dedo indicador era o dedo do ré, e etc. Eu aceitava aquilo, mas nunca entendi o porquê do piano ter mais de dez notas, afinal temos somente dez dedos, e se cada dedo é reservado para uma única nota...&lt;br /&gt;Dali em diante foram umas aulas típicas de piano. Acho que fiquei um ano ou menos tendo aulas e desistimos. Depois de um tempo – eu tinha treze anos – minha mãe me apresentou um “professor de piano” conhecido de minha tia da igreja que ela freqüentava. Aí sim tive um inicio “sério”. &lt;br /&gt;Esse sério em termos, pois eu só estudava mesmo meia hora antes das aulas. Só passei a ver musica como coisa séria depois, mas isso já é outra historia... A primeira vez que eu notei que aquilo que eu tocava era “digno” foi quando eu ouvi um pianista na televisão tocando a sonata fácil de Mozart – a em dó maior, que todo mundo toca. Pensei:  “Uau! Eu estou tocando essa música que esse pianista toca! Legal!”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você possui músicos na família? Quais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, minha família sempre teve algum tipo de relacionamento com musica. &lt;br /&gt;Meu pai sempre gostou de improvisar ao piano. Ele chegou a fazer parte de uma turma de amigos e conhecidos do Tom Jobim. Minha tia namorava um musico – não sei o nome –, mas o pessoal começou a entrar em drogas e coisas do gênero e meu pai pulou fora. Minha mãe sempre gostou de musica, mas até hoje só sabe “ler a mão direita no piano”. Ela faz parte da associação da orquestra da Pró-Música – Oppm, mas acho que mudou de nome para orquestra Petrobras, ou coisa assim. Meu irmão toca piano e é professor de musica na Alemanha, em Baden-Baden, ensinando crianças. Meu tio-avô (Francisco Scarambone) era o músico famoso da família. “Maestro Scarambone”. Ele acompanhava cantores e tocava piano na Rádio Nacional. Meus avôs tinham uma “banda de música”, onde cada irmão (e eram treze) tocava um instrumento. Saxofone, piano, bateria, violao, etc. Uma zorra! (risos).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quais eram/são as profissões dos seus pais? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai engenheiro civil, mãe fonoaudióloga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quando você percebeu que tinha, realmente, talento para a música?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por ocasião do meu terceiro concurso. No ano em que eu entrei para a Escola de Música, eu fiz três concursos de piano: Juiz de Fora, Rio de Janeiro e Araçatuba. Tirei terceiro lugar nos três. Aí pensei: “Gostei! Conheci um monte de gente, viajei e ainda tirei prêmio. Vou continuar!”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quais foram as suas principais realizações e/ou aprendizados antes do bacharelado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estudar é muito importante. No palco, você está tocando para você mesmo, não para o público. Uma vez minha mãe me perguntou: “Bernardo, vale a pena estudar mais de um ano uma musica para receber no máximo três minutos de aplausos?” Eu disse que não estava tocando por aplausos, e sim por mim mesmo. Acho que isso é que é importante. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Enquanto você estudava piano, começou a fazer engenharia, mas parou o curso para se dedicar ao piano. Você iniciou antes a faculdade de piano ou a de engenharia? E quais eram os seus planos e perspectivas para a sua carreira profissional naquele tempo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o seguinte: na hora do vestibular, eu tinha que escolher entre música e outras coisas. Eu acabei fazendo vestibular de musica para a UFRJ, de engenharia para a PUC e de arquitetura para a Uni-Rio. Pensei: “na que eu passar, eu curso”. O problema é que eu passei nas três! Fiquei então entre música e engenharia. Matriculei-me nas duas, mas tranquei a PUC antes mesmo de ter uma aula. Deixei a vaga “guardada” por um ano. Decidi dar uma chance à música: se em um ano não gostasse, faria engenharia, como meu pai. No final daquele ano, já tinha me decidido pela musica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fale um pouco sobre o seu período de bacharelado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a melhor parte, tratando-se de amizades e festas. Muitos namoros escondidos nas salas de estudo e por trás dos palcos, muitas historias engraçadas. Você não tem nenhuma responsabilidade, né? Está lá para tocar piano, ir a festinhas, etc. Bons tempos que não voltam mais... &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Em que ano e com que idade você foi para Indiana com a bolsa de estudos para o mestrado? Você não sabia inglês e não conhecia ninguém nos EUA. Quais foram as suas maiores dificuldades nesse período? E como conseguiu superá-las?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em 1998, com 26 anos. Formei-me em 1994 na UFRJ e fiquei esses quatro anos só tocando piano em concursos, concertos e recitais. Aí me inscrevi na CAPES para a bolsa de estudos. Acabei ganhando a oportunidade – el pagariam tudo, inclusive a passagem de ida e volta. Eu só tinha que decidir para onde ia. Passei o verão na Europa fazendo um festival e música. Acabei aprovado para o Conservatório de Paris, a Escola de Musica da Rainha Sofia, em Madrid e em Indiana. Por alguma razão, o governo brasileiro não aceitou a escola de Madrid e eu tive que decidir entre Paris e Indiana. Pensei: “que decisao “difícil”. Paris, lógico!” Só que eles avisaram: “sem problema, só que você vai ter que provar que fala francês até o final do mês, senão pode desistir da bolsa. Tive que ir para Indiana – e hoje não me arrependo!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu só conhecia um amigo meu – Paulo – que estudava piano também em Indiana. Fui com a cara e a coragem –e a bolsa de estudos, é claro... Mas o inglês era primário mesmo, não sabia falar nada! A primeira “aula” de escrita básica – sim, tive essas aulas chatas também – foi um martírio! A professora deu a aula inteira em inglês! – óbvio – e no final, minha cabeça doía... Dali em diante, fiquei horas lendo o dicionário e ouvindo radio. Mas ainda assim levei mais ou menos um mês para conseguir entender realmente o que estava se passando. Nas aulas de piano a coisa era mais fácil, o vocabulário musical é mais ou menos internacional – piano, crescendo, etc. E o que eu não entendia, o professor mostrava no piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fale um pouco sobre sua tese de mestrado (período e conteúdo).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestrado foi muito bom porque fiquei em contato com pianistas de verdade. Aqueles que fazem turnês pelo mundo tocando com orquestras de verdade. As aulas eram incríveis. Logo na primeira o professor me disse: “você vai tocar o concerto de Brahms. Semana que vem me traga os dois primeiros movimentos...” E ai de você se não trouxesse... Foram dois anos aprendendo a arte de se apresentar em publico e aprender músicas muito rapidamente. Esse mestrado não teve tese – graças a Deus! – mas muitos concertos e recitais. As aulas teóricas foram menos puxadas, só me lembro mesmo das aulas de pedagogia, onde tive que aprender todas as regras de trinados e mordentes do barroco e rococó, e umas aulas de história da musica, no mais ficava mesmo nos “practice rooms”, estudando piano. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quais foram as suas principais atividades profissionais e acadêmicas nos Estados Unidos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toquei muito por aqui. Indiana, Chicago, Houston, Michigan e Alabama. Com algumas orquestras e muitos recitais. Dei umas aulas em um “master classes”, alunos particulares direto, aulas na Universidad de Houston e num colégio/universidade, onde eu era o professor de música, piano, teoria, etc. Eu diria que em Indiana eu toquei mais, e em Houston eu ensinei mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que mais você valoriza (ou prioriza) no seu repertório?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu adoro Beethoven e Bach. Mas priorizo mesmo música contemporânea (não só brasileira). Acho que tem tanta gente tocando Chopin, Liszt, Rach, etc. E que muito dificilmente alguém tocará melhor do que um Pollini, Arrau, ou Gileles. Esse repertório já tem e teve seus “intérpretes ideais”. O repertório contemporâneo ainda não. E esse é o caminho a ser seguido, se alguém quer se destacar de alguma maneira. Imagine que você vai a uma loja de CDs querendo uma Sonata de Beethoven. Existem mais de vinte opções. Mas uma música de Cowell, ou Ligeti, ou mesmo Marlos Nobre, você não encontra facilmente.   &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fale um pouco sobre a sua tese de doutorado (o período e conteúdo).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tese de doutorado foi sobre a música para piano de Marlos Nobre. Fiz um monte de entrevistas com ele através de emails, e descobri muitas informações erradas sobre a carreira dele. Muitos artigos falavam besteira – desde chamá-lo de “Marcos Nobre” até mesmo plágio. Analisei cinco obras para piano. Entre elas, uma que eu fiz a estréia mundial, a “Sonatina”. Acho um trabalho importante para valorizar o que é nosso e ao mesmo tempo o repertório contemporâneo, corrigindo muitos erros na biografia do Marlos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fale um pouco sobre as suas participações em concursos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro concurso de piano foi em Juiz de Fora – não tinha a mínima idéia do que iria acontecer, e sinceramente, nem me importava. Fui mais na festa, viajando, conhecendo pessoas, etc. Tirei o terceiro lugar. Nnem mesmo minha professora esperava nada assim. Depois fiz mais dois: um no Rio e outro em Araçatuba e tirei mais dois terceiros lugares. Conheci muita gente. No ano seguinte, fiz dois – acho que em São Paulo – e ganhei primeiro lugar. Depois disso, fiz mais um monte de concursos – ao todo treze ou quatorze –  e ganhei prêmios em todos. O mais engraçado foi uma torta de chocolate como primeiro lugar! O primeiro internacional foi em Seattle. Mas só fui até a semifinal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quando você começou a trabalhar na loja de pianos em que atua atualmente? Como é ser um representante da Steinway? (fale-nos um pouco sobre esse seu lado comercial).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi em 2001, eu estudando no doutorado. Eu acompanhava um coro de crianças, e ganhava um dinheirinho que ajudava. Aí o acompanhador “oficial” voltou de viagem e eu fiquei sem emprego. Uma professora da universidade me disse que uma loja de pianos estava procurando alguém para tocar e demonstrar os pianos. Eu pensei “Oba, um bico!” Fui lá e me contrataram. Depois de um ano, eu vendi tantos pianos que eles quiseram me bancar o visto de trabalho. Depois me ofereceram uma posição na Califórnia que eu aceitei. Trabalhar com Steinways é muito legal, você conhece os pianistas que tocam pelo mundo, além de ter os melhores pianos do mundo para estudar depois da loja fechar. Aliás, se não fosse esse emprego, não teria o “piano da velhinha” em casa, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como foi, mesmo a história do "piano da velhinha"?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do piano da velhinha foi assim: Eu trabalhava na loja de Houston, e um belo dia chegou um piano de cauda todo trabalhado à mão, bonito mesmo. Fui até onde os afinadores trabalham para ver o piano e vi que ele não tinha as cordas cruzadas, e tinha menos teclas do que os pianos atuais. Pelo estilo, dava para ver que o piano era antigo. Pesquisei um pouco o nome e vi que o piano tinha sido feito em 1840! Em Viena... Perguntei para o gerente o que eles fariam com o piano e ele disse que iriam devolver à dona, porque ninguém iria comprar um piano tão velho. “Tudo bem”, pensei. Mas acontece que quando eles tentaram contatar a dona, a velhinha tinha morrido! E o piano ficou lá na loja esperando algum familiar ir buscá-lo. Depois de seis meses, ou mais, o gerente mandou limpar toda aquela área e expandir o salão de vendas. Ele disse para jogarem o piano no lixo! Eu telefonei para museus, universidades e tentei argumentar que o piano era da época em que Brahms e Liszt estavam vivos! Um piano de cauda daqueles deve ter estado em uma casa de gente rica e famosa daquele tempo, em Viena... Ninguém me ouviu, e o gerente me disse: “Temos que limpar essa área, Você quer o piano? Leve-o daqui!” No mesmo dia eu aluguei um caminhão por vinte dólares e levei o piano para casa! Em casa, removi a ação do piano com as teclas. Atras das teclas achei varias pétalas de rosas ressecadas! Uma surpresa bem legal. O piano ainda está em Houston, num depósito, junto com as minhas coisas. Tive que deixá-lo por lá quando me mudei para a Califórnia, mas ainda vou colocar esse piano em forma e tocar um recital com obras de Liszt e Brahms nele. Um piano desses em perfeito estado de conservação vale uns quarenta mil dólares! Essa é a historia do piano da velhinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Com quais dos principais nomes da música nacional e internacional (músicos, maestros, etc.) você já teve contato, ou teve a oportunidade de trabalhar? Cite alguns nomes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vladimir Viardo, Alexander Toradze, Korsantyia, John Nakamatsu, Zimmerman, Kirov Orchestra, Gergiev (o maestro) – aliás, jogamos futebol juntos. É muito “fominha”. (risos)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você atua na área de concerto, comercial, acadêmica, e costuma participar ativamente de fóruns de música clássica, na internet. Como você consegue tempo para tudo isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao sei! (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você já tocou com a OSESP? Como foi (e com qual maestro)?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a OSESP foi em 1992. Toquei o concerto de Prokofieff, depois de ganhar o concurso da OSESP. Também ganhei o concurso da OSPA, que era da mesma época. O Eleazar de Carvalho era o maestro das duas orquestras e elas tinham os concursos para solistas ao mesmo tempo. Então fui a São Paulo e depois a Porto Alegre. Com a OSESP eu toquei com o Roberto Tibiriçá, e com a OSPA acabei tocando com um regente argentino, depois de um ensaio com o próprio Eleazar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você acaba de concluir sua tese de doutorado. Quais são agora os seus planos para o futuro? Pretende continuar trabalhando na área comercial e morando nos Estados Unidos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero publicar uns artigos em revistas especializadas de música, dar muitas aulas, e continuar tocando e fazendo pesquisas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E o jazz?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o Jazz... O jazz bem tocado é maravilhoso. Não consigo improvisar nada de valor. Adoraria poder sentar ao piano e tocar, improvisar... Mas nã consigo. Jazz para mim é infelizmente somente algo que gosto de escutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você sente saudades do Brasil? Pretende voltar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro! Aqui não tem futebol, nem guaraná. Sinto muitas saudades: catupiry, coxinha de galinha, praia, chopp... Não sei se volto tão cedo. Meu primeiro sonho era fundar uma escola de música no Brasil, onde não houvesse nenhuma politicagem – utópico, eu sei... – e para que os alunos de musica não precisassem sair do Brasil como eu saí para receberem uma formação boa. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que você tem a dizer sobre o cenário atual da área musical profissional brasileira? Como você vê as perspectivas nesse campo, em nosso país, morando nos Estados Unidos? É possível se formar e atuar como músico sem ir para o exterior? Afinal, dá para viver de música no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho difícil viver de música no Brasil. Possível sim, mas difícil. Se você toca um instrumento de orquestra, e conhece as pessoas certas, pode arrumar um emprego em uma ou duas orquestras. Com o piano é mais difícil, pois você só tem a opção de dar aulas ou tocar. Como para tocar você depende muito do QI (quem indica), e dar aulas não é sempre uma fonte de renda segura, já viu... A saída do Brasil é válida para alguém que quer sair da mentalidade brasileira. Digo isso sem nenhum preconceito, mas na verdade os professores atuais tiveram aulas há muito tempo atrás e não existe aquela reciclagem benéfica. Os métodos são de mil novecentos e antigamente, cheios de naftalina. Eu, por exemplo, tive aulas com uma professora que ao ouvir Ravel dizia que era muito moderno – só queria que eu tocasse Chopin. Se não houver uma reciclagem de professores, o ensino fica estagnado. Um dos problemas é que alguns professores mais novos estudaram com os mais velhos e o ciclo continua...&lt;br /&gt;Por outro lado, muita gente que estudou fora está voltando e isso é bem legal. Pois trazem a experiência da Europa, dos EUA para o Brasil. Mas isso ainda esbarra no tradicionalismo muito forte dos professores antigos, que são normalmente contra mudanças. Esse é um problema sério, mas um dia os professores morrem, e com eles as mentes fechadas. A questão é: quem vai substitui-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Que tipos de músicas você costuma ouvir, além da música de concerto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jazz, muito jazz. Bossa nova e música brasileira quando posso. No mais tento ouvir de tudo um pouco. Existem até mesmo uns raps interessantes ,se você parar, tirar o preconceito e prestar atenção. Mas escuto mais por curiosidade e aprendizado. Se você me perguntar qual tipo de musica eu sinto prazer em ouvir, te digo um jazz bem tocado. Um “Real Jazz”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você acaba de lançar o seu livro de doutorado, que vem sido aguardado com ansiedade aqui no Brasil. Quando haverá versão em português disponível? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pretendo traduzir o livro para português e arrumar alguém por aí para me ajudar na publicação. Falei com o Marlos e ele achou uma idéia boa (óbvio). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quais são os seus pianistas prediletos, e quais são os que você&lt;br /&gt;considera de maior destaque atualmente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os favoritos são os de sempre... Arrau, Zimmerman, Perahia, Horowitz, Gilels e Gould.&lt;br /&gt;Dos pianistas de agora, gosto do John Nakamatsu, Alexander Korsantyia... muito bons mesmo!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Para ser um bom pianista, é mesmo necessário começar cedo e estudar oito horas diárias? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, mas ajuda. Quanto mais tempo você passar estudando, melhor – se você souber como estudar. É melhor passar uma hora de estudo certo do que dois dias estudando sem saber o porquê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Regência e composição, pretende dedicar-se também, algum dia, a esses campos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Acho muito difícil compor algo sério. De brincadeira sim, sem problema, mas algo sério, não. Pelo menos por enquanto. Tive umas experiências boas no campo da regência, mas também nada sério.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quais são as suas atividades de lazer? O que você gosta de fazer no seu tempo livre?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho muito tempo livre, mas no que tenho gosto mesmo é de dormir até tarde e, sempre que possível, pescar, ir ao cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você possui também outros projetos literários. Fale sobre eles.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, isso é mais um hobbie. Quero escrever um livro sem maiores pretensões com contos sobre músicos e situações vividas por músicos. Gosto de escrever e de criar situações imaginárias com palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Além de engenharia, música e literatura, quais são outras de suas áreas de interesse, habilidade ou paixões?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro jogar xadrez e pescar. Pianos antigos também me fascinam. Gosto de futebol. Eu “fundei” o departamento de futebol da Universidade de Indiana. Muito legal. Eu organizei o “campeonato” e fui o juiz de todos os jogos. Um sucesso e muitas lembranças boas! Além disso tenho dois sonhos: ter um barco e um papagaio chamado Zico.&lt;br /&gt;__________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Muita gente não gosta do Horowitz como pianista, muitos nunca o ouviram, assim como muitos nunca viram Garrincha ou Zizinho jogar futebol. Tudo bem, os tempos mudaram, as interpretações mudaram, o mundo mudou... O que fica é a arte e a história em forma, nesse caso, de um instrumento musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse instrumento está aqui. Na mesma sala de onde escrevo essas linhas mal escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim sentei-me ao piano, mas não sabia o que tocar, nem se devia tocar alguma coisa. Não queria arruinar esse momento com nenhum acorde de dó maior ou escala. Imaginei Horowitz sentado ao piano, nessa mesma posição que me encontro. Os palcos, os concertos, os recitais, os sons que esse instrumento transportou dos dedos de Horowitz para nossas memórias. Os Cds, os vídeos, as gravacões. As horas de estudo, as sonatas, estudos, concertos, orquestras, regentes, histórias, segredos, emoções, e tudo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei sem tocar uma nota e ainda não sei se deveria voltar ao piano, mas essa emoção de estar 'no lugar' de Horowitz já foi uma experiência impressionante."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[texto escrito por Bernardo Scarambone, quando esteve à frente do piano do legendário pianista Vladimir Horowitz, na loja da Califórnia, Estados Unidos]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116732039569291978?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116732039569291978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116732039569291978' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116732039569291978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116732039569291978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/12/entrevista-bernardo-scarambone-berber.html' title='Entrevista: Bernardo Scarambone (berber)'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116449726993911596</id><published>2006-11-25T21:25:00.000-02:00</published><updated>2006-11-25T21:27:50.150-02:00</updated><title type='text'>O primeiro negro a.....</title><content type='html'>Hoje tivemos a confirmação de que o primeiro negro irá participar de um campeonato de Fórmula 1 no ano que vem.&lt;br /&gt;O britânico Lewis Hamilton apareceu em jornais de todo o mundo, que anunciaram o fato histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1983 foi a vez de Guion Guy Bluford, o primeiro negro norteamericano no espaço, ganhar espaço nos jornais.&lt;br /&gt;No Brasil, Luiz Jose’ da Cunha foi o primeiro preso político negro da nossa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fatos históricos” como esses povoam e povoarão as páginas de jornais do mundo inteiro. Existem organizações, associações e sociedades criadas com o intuito de preserver a memória do negro, assim como combater o racismo no Brasil e no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Troféu Raça Negra é um prêmio anual que “reconhece, premia e valoriza o talento do negro brasileiro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BET ou Blak Entertainment Television é um canal de TV a cabo destinado exclusivamente ao público negro americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Associação Internacional da Música Negra Americana (International Association of Afrian-American Music - IAAAM) foca suas atividades na música de compositors e intérpretes negros nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe até mesmo uma Associação Nacional dos Mergulhadores Negros (National Association of Black Scuba Divers - NABS).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a proposta dessas organizações e jornais é nobre, esse tipo de atitude só aumenta ainda mais discriminação racial. Esse tipo de atividade é fadado ao fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma, calma, antes de me chamarem de racista, vamos refletir um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto houverem divisões entre as pessoas, o problema do preconceito, do racismo irá existir. Sempre. Enquanto organizações de “apoio a memória negra” existirem ou notícias como “Lula nomeou o primeiro negro para o tribunal supremo Brasileiro” forem manchetes de jornal, as divisões serão mantidas. Cada vez que um negro fizer algo inédito, repórteres estarão à espreita, prestes a anunciar o “primeiro negro a…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia leremos nos jornais que pela primeira vez na história o Brasil elegeu um presidente negro – E isso será uma noticia ruim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não ouvimos notícias como “pela primeira vez na história o Brasil elegeu um mutilado para presidente?” Ou por que não criarmos uma Associação Nacional das Pessoas com Menos de um Metro e Meio? Engraçado, né? Pois não achamos graça nenhuma em declarar um feriado nacional do dia da Consciência Negra. Voces conseguem ver o absurdo dessas situações?  Somos ou não iguais? Alguem um dia disse: Somos iguais, mas alguns são mais iguais que outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam bem – Enquanto continuarmos a reforçar as divisões raciais (aliás, existem raças diferentes?) seja por meio de notícias, associações, ou canais de televisão, estaremos alimentando o preconceito. Se somos todos iguais, então para que aceitamos grupos que acentuam diferenças? Para que criamos feriados e organizações que priorizam a diferenciam umas pessoas das outras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto existirem grupos como Afrobras e “Dia da Consciência Negra” o racismo estará sendo alimentado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116449726993911596?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116449726993911596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116449726993911596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116449726993911596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116449726993911596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/11/o-primeiro-negro.html' title='O primeiro negro a.....'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116430566070692513</id><published>2006-11-23T16:13:00.001-02:00</published><updated>2009-03-23T13:36:46.188-03:00</updated><title type='text'>O fantástico mundo do saxofone: sopranino, soprillo, sax baixo, contrabaixo, subcontrabaixo/tubax</title><content type='html'>_____________________________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Conheça o magnífico sax baixo e toda a família do saxofone&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você conhece o saxofone? Tem certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um instrumento popular? Clássico? De jazz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, o saxofone é um instrumento bastante conhecido, mas, ao mesmo tempo, desconhecido. Embora muitas pessoas já ouviram o som do saxofone na música popular, e até mesmo no jazz, poucas pessoas ouviram um concerto para saxofone e orquestra, por exemplo. Muitos conhecem Kenny G e já ouviram falar de Charlie Parker e John Coltrane, mas as múltiplas das possibilidades desse versátil e magnífico instrumento permanecem para muitos um mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, como clarinetista amador evangélico, ouvinte principalmente de música clássica e principiante em relação ao jazz, posso dizer que o sax é adorado no mundo dos jazzistas, mas sofre um certo preconceito por parte dos ouvintes de música erudita. Na realidade o saxofone é considerado por muitos um instrumento popular, e sempre esteve à margem do repertório clássico e, pelo que consta, também por razões políticas. E esse instrumento, de timbre também extremamente clássico, além de ter sido aproveitado por Ravel (um dos mestres da orquestração) em seu Bolero, por exemplo (em que utiliza dois saxofones: o soprano e o tenor), foi também admirado por ninguém menos do que Hector Berlioz, outro mestre da orquestração da história da música clássica ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui os saxofones mais conhecidos, que grande parte dos ouvintes de música instrumental e clássica, músicos amadores, semi-profissionais e evangélicos conhecem, já viram e ouviram, dos quais sempre se ouve falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%201.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%201.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Da esquerda para a direita: sax contralto em mib, sax tenor em sib, sax barítono em mib e sax soprano em sib. O soprano é o menor e mais agudo dos quatro, que são os mais conhecidos da família. O quarteto de saxofones da foto acima foi construído na oficina de Adolph Sax em 1860. O sax alto é o mais conhecido. O barítono, menos conhecido, mas mesmo assim, não é nenhum anônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o sax reto em sib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/straight_soprano.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Para ouvir o sax alto em mib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/alto.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Para ouvir o sax tenor em sib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/Bb_tenor.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Para ouvir o sax barítono em mib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/baritone.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/saxofonistas.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/saxofonistas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;À esquerda, meu irmão Willian, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;sax alto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;À direita, eu e o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;sax barítono&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém... o que pouca gente sabe é que o primeiro dos saxofones construídos foi o... sax baixo! Sim, é ele, o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;sax baixo &lt;/span&gt;, o “pai dos saxofones”. Afinado em sib, é maior e mais grave do que o barítono, soando uma oitava abaixo do sax tenor (sua nota mais grave é o sib 0 grave (equivalente ao sol# uma OITAVA ABAIXO da corda sol do violoncelo!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerado por muitos um dos poucos instrumentos “inventados”, ou seja, que não teve antecessores, e sendo um instrumento “jovem”, o saxofone provavelmente foi criado a partir do clarinete baixo (clarone) – que vinha sendo aperfeiçoado por Adolf Sax – e do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;oficleide &lt;/span&gt;, predecessor da Tuba, família dos &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;saxhorn &lt;/span&gt;(também patentiados por Adolf Sax). A adição da boquilha da clarineta baixo ao oficleide teria gerado o sax-baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img15.imgspot.com/u/06/324/13/oficleide1164133441.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o oficleide, &lt;a href="http://www.serpentwebsite.com/ophi_maude.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img15.imgspot.com/u/06/324/13/bassclarinet1164134941.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o clarinete baixo (clarone), &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/bassclarinet.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que o vi (o sax-baixo) foi quando estive na Bahia, em um ensaio da igreja que eu freqüentava, a Congregação Cristã no Brasil (atualmente freqüento a Batista). Depois tive a oportunidade de ouvir esse instrumento mais de perto na orquestra da igreja em meu bairro, e fiquei encantado com a sua sonoridade, potência e profundeza dos timbre graves. Era um sax-baixo ampliado até o Fá# 0, que é, na prática, nota MAIS GRAVE da Tuba (afinada também em sib). De som muito mais grave e poderoso (e menos melodioso) do que o do sax barítono, o sax-baixo é de timbre mais grave que a tuba, e suas notas soam tão graves quanto aquelas emitidas por uma contrabaixo (da família dos violinos) ou um por um contrafagote. E é extremamente belo também no registro agudo. O seu tamanho impressiona. A sua campana é do tamanho da campana do bombardino – mas, em comprimento, o instrumento é maior do que a tuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, agora, o sax baixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%202.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%203.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%203.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o sax baixo, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/bass_sax.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compare, agora, o tamanho do sax baixo com o do sax barítono:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%204.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%204.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sax baixo é tão raro que é pouco conhecido até mesmo entre músicos profissionais. O saxofonista Flávio Corilow, por exemplo, dedica-se ao sax desde 1983 e começou a atuar profissionalmente como músico em 1989. Nesses 16 anos de estrada e até recentemente, entretanto, jamais havia visto um sax baixo ao vivo e em cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um instrumento esquecido. Praticamente não aparece na orquestra sinfônica. Tem sido utilizado no jazz. No Brasil, utilizado em algumas formações militares e do Exército e, principalmente em orquestras sacras, começa a aparecer nas orquestras da Congregação Cristã no Brasil. Edson Tavares Guarnieri, ex-metalúrgico, membro da CCB, vem construindo esses raros instrumentos desde 1999 e, desde então, esse instrumento está em ascensão no Brasil. Há sete anos havia apenas 46 desses instrumentos no país. Hoje, já existem outros 31 saxofones baixos espalhados por vários estados brasileiros, todos fabricados da empresa criada pelo ex-metalúrgico, a Lopes Instrumentos Musicais, localizada no Parque Santa Bárbara, em Campinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard Kennedy, construtor e músico amador, também é membro da Congregação Cristã do Brasil e, durante 18 anos, tocou sax alto. Há cerca de dois anos, comprou um sax baixo da Lopes Instrumentos Musicais e desde então, dedica-se ao novo instrumento. Ao tentar matricular-se no Conservatório de Tatuí, um dos mais respeitados do Brasil, Kennedy foi admitido sem ter que passar sequer pelo processo de avaliação exigido pelo Conservatório! “É que eles nunca tinham visto um sax baixo antes e estão muito interessados em desenvolver uma metodologia própria de ensino para este instrumento”, afirma o músico. “De acordo com eles, desde a inauguração do Conservatório, esta é a primeira vez que aparece um aluno de sax baixo por lá”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, acreditem, há um saxofone ainda maior e mais grave do que o sax baixo!: o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;sax contrabaixo.&lt;/span&gt; Em mib, soa uma oitava abaixo do sax barítono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saxofone foi patenteado por Adolph Sax em 1846 incluindo 14 variações: Sopranino em mib, Sopranino em fá, Soprano em sib, Soprano em dó, Alto em Mib, contralto em fá, tenor em Sib, tenor em dó, barítono em mib, barítono em fá, baixo em sib, baixo em dó, contra-baixo em mib e contrabaixo em fá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%205.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%205.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Soprano em Sib reto, soprano em dó e sopranino em mib reto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o sax soprano reto em sib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/straight_soprano.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Para ouvir o sax soprano reto em dó, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/c_soprano.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Para ouvir o sax sopranino reto em mib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/sopranino.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, Adolf Sax nunca ficou rico. Devido ao seu sucesso, os concorrentes, de olho nos lucros, lançaram uma tremenda campanha contra ele. Entre outros golpes, acusaram-no de ter roubado a idéia do saxofone, subornaram músicos para boicotar os seus instrumentos e fizeram com que os compositores deixassem o sax à margem das salas de concerto. Adolph sobreviveu aos ataques até que, em 1870, sua patente expirou e qualquer um pôde fazer saxofones. Sua fábrica então faliu. Duas vezes ele declarou bancarrota em 1856 e 1873. Muitos processos foram movidos contra ele e passou grande parte da sua vida em batalhas judiciais, gastando assim todo o seu dinheiro. Aos oitenta anos de idade e falido, três compositores se sensibilizaram (Emmanuel Chabrier, Jules Massenet e Camile São-Saens) e solicitaram ao Ministro francês de belas artes que lhe ajudasse. Uma pequena pensão foi dada, a qual lhe garantiu uma ajuda nos seus últimos anos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"É o som mais lindo que eu já ouvi!”&lt;/span&gt; (Gioacchino Rossini, ao ouvir o saxofone pela primeira vez em 1848)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Melhor que qualquer outro instrumento, o saxofone é capaz de modificar seu som a fim de lhe dar as qualidades convenientes, e de lhe conservar a igualdade perfeita em toda sua extensão. Eu o fiz em cobre, e em forma de cone parabólico. O saxofone tem boquilha com palheta simples como embocadura, uma digitação próxima à da flauta e à do clarinete, e podemos, se quisermos, colocar-lhe todas as digitações possíveis"&lt;/span&gt; (Adolf Sax)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%206.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%206.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De cima para baixo: sopranino curvo em mib, sopranino reto em mib, soprano reto em dó e soprano reto em sib.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o sax sopranino curvo em mib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/TelemannNino.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, agora, o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;sax contrabaixo&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%207.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%207.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assustou-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse gigante é o saxofone contrabaixo em sib, aquele que soa uma oitava abaixo do sax barítono. Esse instrumento é muito raro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o sax contrabaixo, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/contra_piece.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%208.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%208.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sax-baixo (à direita) e sax-contrabaixo (à esquerda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%209.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%209.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sax contrabaixo em Mib e sax soprano curvo em sib.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja agora um saxofone menor do que o sopranino em mib:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2010.3.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2010.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esse é o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Sax soprillo &lt;/span&gt;, o sax-picollo em sib, uma oitava abaixa do sax soprano em sib!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o sax soprillo (picollo) em sib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/SoprilloTelemann-JCE.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há, finalmente, o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Sax subcontrabaixo &lt;/span&gt;em sib, também também conhecido como &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Tubax &lt;/span&gt;!!! Soa uma oitava abaixo do sax baixo!!! Porém, menor. O tubo é maior, porém enrolado. Seu som é extremamente poderoso e profundo. Há também tubax’s que possuem a mesma tessitura do sax contrabaixo, também em mib, sendo, porém, menores em volume. Mas veja o poderoso sax subcontrabaixo em sib: o mais grave e profundo de todos os saxes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2011.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O temível Tubax, versão moderna do sax subcontrabaixo que tinha sido projetado por Adolf Sax.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir o sax subcontrabaixo (tubax) em sib, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/TubaxInBbDemo-JCE.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2012.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2012.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tubax em sib e tubax em mib.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2013.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2013.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Saxofone soprano em sib reto e sax soprillo picollo em sib, uma oitava acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2014.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2014.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Contraste: sax contrabaixo em mib e sax sopranino em mib&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2015.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2015.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sax subcontrabaixo (tubax) em sib e um radical modelo de Tubax de madeira com palheta-dupla e dedilhado de fagote (um novo, redesenhado e radical contrafagote improvisado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça mais alguns arquivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sax barítono (em mib) - &lt;a href="http://www.jayeaston.com/CD%20sales/Six_Studies_Sample.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Sax baixo (em sib) - &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/Romance.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Sax baixo (em sib) - &lt;a href="http://www.jayeaston.com/CD%20sales/Giacosa_Sample.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Sax contrabaixo (em mib) - &lt;a href="http://www.jayeaston.com/CD%20sales/AustroPolka_Sample.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir e ver mais demonstrações da família do sax, entre no site de &lt;a href="http://www.jayeaston.com/"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Jay C. Easton &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de onde aproveitei a maioria dessas imagens e sons. Há variados pequenos arquivos em mp3 gratuitos com demonstrações dos mais variados tipos de saxofones, com muitas imagens e informações. Pesquise bastante no site, e você encontrará uma série de arquivos. Jay C. Easton é multi-instrumentista, especialista na família do saxofone, e executa todos eles. O sax barítono, o “cello” dos saxofone, que aproxima-se também da voz humana, é o saxofone preferido de Easton. Ele possui diversas gravações com esse instrumento, e com os mais variados e inusitados tipos de saxes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2016.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2016.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma orquestra completa de saxofones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/sax%2017.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/sax%2017.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Do maior para o menor: Contrabaixo em mib, Baixo em sib, Barítono em mib, Tenor em sib, Tenor em dó, Alto em mib, Mezzo-soprano em fá, Soprano em sib, Soprano em dó e Sopranino em mib.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, abaixo, o link para um arquivo em áudio da página de Easton, que acrescenta ainda o piccolo em sib e o subcontraixo (tubax) em sib ao retrato acima, reproduzindo uma orquestra completa com todos os saxofones. É uma linda reprodução de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Wachet Auf Hartley &lt;/span&gt;, de J. S. Bach. A primeira seção é tocado pelo sax soprano em dó, sax soprano curvo em sib, mezzo-soprano em fá, alto em mib, tenor em dó, barítono em mib e baixo em sib. A segunda seção adiciona o sax piccolo (soprillo em sib), dois sopraninos em mib, e saxofones contrabaixo em mib e subcontrabaixo (tubax) em sib, produzindo uma orquestra com maravilhoso efeito de órgão de tubos, soando em conjunto com uma abrangência de quase sete oitavas. Todos os instrumentos foram tocados por Jay Easton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir a orquestra completa de saxofones, &lt;a href="http://www.jayeaston.com/sound%20files/WachetAufWebEdit-JCE.mp3"&gt;&lt;strong&gt;clique aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonie Joseph, conhecido como Adolphe Sax, morreu no dia 4 de Fevereiro de 1894 com 80 anos de idade.&lt;br /&gt;_________________&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Nenhum instrumento que conheço possui essa estranha sonoridade situada no limite do silêncio."&lt;/span&gt; ( Hector Berlioz)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências bibliográficas:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.musicaeadoracao.com.br/tecnicos/instrumentos/historia_saxofone.htm"&gt;http://www.musicaeadoracao.com.br/tecnicos/instrumentos/historia_saxofone.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cpopular.com.br/metropole/conteudo/mostra_noticia.asp?"&gt;http://www.cpopular.com.br/metropole/conteudo/mostra_noticia.asp?&lt;/a&gt;noticia=1396055&amp;amp;area=2230&amp;amp;authent=74298AF8AF6742751B8BCAAE554347&lt;br /&gt;&lt;a href="http://explicasax.com.br/forum/"&gt;http://explicasax.com.br/forum/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.jayeaston.com/"&gt;http://www.jayeaston.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116430566070692513?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116430566070692513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116430566070692513' title='60 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116430566070692513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116430566070692513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/11/o-fantstico-mundo-do-saxofone.html' title='O fantástico mundo do saxofone: sopranino, soprillo, sax baixo, contrabaixo, subcontrabaixo/tubax'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>60</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116223708717065662</id><published>2006-10-30T16:35:00.000-03:00</published><updated>2006-10-30T17:25:20.386-03:00</updated><title type='text'>O erro de FHC</title><content type='html'>Eis o maior erro de FHC: ter permitido, de alguma forma, que o que ele tenha deixado de fazer permanecesse uma lacuna passível de ser urdidamente aproveitada e preenchida pelo populismo oportunista. Foi a sua manutenção da imagem de “intelectual das elites” que ocasionou a posterior insurreição da antípoda figura do “defensor dos pobres”. Esse nicho possibilitou a criação do simulacro de &lt;em&gt;Robin Hood&lt;/em&gt; – “aquele que tira dos ricos, e dá aos pobres” –, e o PT, astutamente, se transformou de “Partido dos Trabalhadores” no “Partido dos Miseráveis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esse risco – e tática sempre eficaz – tenho apontado, sempre, em meus textos no &lt;strong&gt;Mnemosina&lt;/strong&gt;. “Não se fie na exclusividade da Benevolência. Ela não é privilégio dos retos. O corrompido também a possui.” Observem uma ironia do Partido dos Trabalhadores: foi justamente esse partido que transformou as medidas compensatórias do governo FHC em máquina assistencialista. Essa “cultura da miséria” não quer investir no trabalho, mas compactuar com o desempregado (ou sub-empregado) pela sinecura, tornando-o, assim, cúmplice-dependente e sem condições de crescer. É uma forma de permanecer no poder. Cumpre lembrar que uma das “propostas do programa de governo” do PT de Lula é justamente trazer a Copa do Mundo para o Brasil em 2014. “Dê pão e circo ao povo, e ele se esquecerá dos problemas”. É uma manobra engenhosa e, infelizmente, ilude até alguns dos mais informados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Henrique Cardoso e o PSDB possuem sua parcela de culpa pela situação lastimável em que nos encontramos. O atual governo foi reeleito com ampla maioria, mesmo após todos os crimes e escândalos que envolveram nomes como José Dirceu, José Genuino, Delúbio Soares, Jorge Lorenzetti, Ricardo Berzoini e muitos outros homens fortes e amigos íntimos de Lula, do terceiro andar do Planalto. Como pode, um governo que se une a Evo Morales em detrimento dos interesses do país, que faz apologia a Fidel Castro, que se envolve em denúncias graves como a do assassinato do prefeito de Santo André, que comprovadamente se une à própria organização do narcotráfico colombiana (as FARC) em prol de interesses nebulosos, que se impõe ao Legislativo por meio de compra de deputados, e que faz acordo com mafiosos incriminados do porte de Darci e Luiz Antônio Vedoin para acusar ilicitamente o candidato da oposição, como pode um governo como esse ser reeleito? Creio que só a História tornará mais clara essa questão, e só futuramente será possível compreendê-la. Mas o governo anterior de FHC também possui, inegavelmente, responsabilidade pela situação escabrosa que hoje se afigura. Perdeu muitas oportunidades, quando poderia ter investido mais nas causas sociais do nosso território. Manteve-se distante das classes baixas da sociedade, e se ateve às elites. Em oito anos, criou uma atmosfera de desencanto no país, levando-o à falsa esperança, à ilusão e ao engano. E se hoje a maior parcela do país dorme, apática e distante, iludida por imagens plácidas de um “sonho perfeito”, é porque a realidade não se mostrou mais eficaz. O PSDB, ao deixar de investir nas causas sociais mais urgentes do povo, e ao manter a imagem distante de “amigo dos ricos”, tornou-se cúmplice da cúpula que depois, baseada no assistencialismo barato, assaltaria o poder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que Fernando Henrique, como estadista, deveria assumir essa parte de responsabilidade pela atual conjuntura e danos ao país. Ele, que escreveu a carta ao(s eleitores do) PDSB, deveria também reconhecer publicamente esse lamentável engano, que tomou proporções gigantescas e levou à triste ilusão de todo um povo. Penso que Fernando Henrique deveria se retratar com a sociedade. Ele deve desculpas e explicações aos brasileiros. E isso não se faz com arrogância, mas com humildade. A carta agora deveria ser endereçada não só aos seus eleitores, ou ao seu partido, mas a todo Brasil, e aos próprios eleitores de Lula. Em forma de manifesto e pronunciamento, seria uma maneira de fazer as pazes com a sociedade, para o bem do país. Somos responsáveis não somente pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer. E a negligência social foi o maior erro de FHC: permitiu o logro de uma falsa esperança, de modo que o mito-Lula que hoje subsiste é, em parte, criação do próprio Fernando Henrique Cardoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116223708717065662?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116223708717065662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116223708717065662' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116223708717065662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116223708717065662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/o-erro-de-fhc.html' title='O erro de FHC'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116191067432714660</id><published>2006-10-26T21:53:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T21:57:54.340-03:00</updated><title type='text'>O Voto Nulo da Mamãe</title><content type='html'>Já que o assunto em pauta é política, vamos conversar um  pouco sobre ética. Pode parecer estranho, pois afinal ética e política não se misturam com muita frequência no Brasil, mas podemos tentar mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos falar sobre etica, mas não sobre a ética dos políticos que querem se eleger ou reeleger. Essa palavrinha já foi sumariamente retirada de cena anos atrás. Quero falar sobre a ética individual do cidadão na época de eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ética é quando sabemos o qual a atitude correta a ser tomada, mesmo que ela não nos beneficie. E mais ainda, ser “ético” é tomar essa atitude, doa a quem doer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ética é moral, é fazer o correto. Ser ético consigo mesmo é uma das atitudes mais importantes que uma pessoa pode tomar. É ouvir a voz interna da sua consciência, e segui-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de política, somos bombardeados por todos os lados com acusações, documentos, palavras, etc. Até eu, que vivo nos Estados Unidos recebo diariamente mensagens sobre os nossos políticos ai do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tática interessante nessa história toda de eleições é a famosa tática que ensina que o ataque é a melhor defesa. “Fulano roubou muito dinheiro, não vote nele.”  “Fulano não tem experiência na vida pública, não vote nele.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já repararam que cada candidato gasta mais tempo atacando o oponente do que exaltando suas próprias qualidades? Já repararam que 99.9% de todos os emails que recebemos falam mal de um ou de outro candidato? Já perceberam que sempre “votamos contra” e nunca “a favor”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão os emails de apoio? Onde estão os emails com propostas positivas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a politica do medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os candidatos (e seus seguidores) querem instigar o medo do eleitor, querem assustar o eleitor,e com isso ganhar votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes já ouvimos a frase: “Meu candidato ideal não vai ganhar mesmo, então eu vou votar no fulano para que cicrano não ganhe.” Ou ainda “Não gosto de nenhum deles, mas dos males o menor, então vou votar nesse candidato.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo de errar e votar na pessoa errada toma o lugar da ética nas cabecas dos eleitores na hora de apertar o botão e confirmar o voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe vota nulo há anos. Já foi muito criticada por amigos e familiares por essa opção. Dizem que assim ela não tem nenhuma voz no cenário político. Dizem que ela joga o voto fora, que ela deveria escolher alguem, mesmo que seja o “menos pior”.  Utilizam a politica do medo.&lt;br /&gt;O argumento dela é simples e inatacável: “Não gosto de nenhum deles, portanto não voto em nenhum deles.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia de votar, só peço a todos que não se deixem influenciar pelas propagandas do medo. Não votem contra o Lula, ou contra o Alkmin. Sejam éticos, votem a favor de alguem.Mesmo que isso signifique a derrota de seu candidato. Mesmo que isso signifique votar nulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos Éticos e não Políticos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116191067432714660?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116191067432714660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116191067432714660' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116191067432714660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116191067432714660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/o-voto-nulo-da-mame.html' title='O Voto Nulo da Mamãe'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116189121975167921</id><published>2006-10-26T16:15:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T21:09:29.796-03:00</updated><title type='text'>“São todos iguais”</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Ser bom é fácil. Difícil é ser justo.” (Victor Hugo)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fogo cruzado, sobram farpas de todos os lados. No caso da &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt;, por exemplo, vejam os articulistas Clóvis Rossi e Eliane Castanhêde. Posicionam-se em um lado, mais do que em outro. Marcos Nobre e Janio de Freitas opõem-se no lado contrário. E, é claro, sempre existem os “neutros”. Supostamente, pois acredito que também eles já têm a sua escolha. E entre A e B, dificilmente será C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou falando de política. Um assunto o qual estou longe de conhecer profundamente. Passei a acompanhá-lo recentemente. Mas pensar e escrever, faço-o há mais tempos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A neutralidade é necessária, mas também duvidosa. Pois em todo jornalista isento há um eleitor parcial. E quando, mais uma vez, algum proclama: "são todos iguais", já sabemos qual é a posição da &lt;em&gt;imparcialidade&lt;/em&gt;: a parcial escolha do "deixe tudo como está”. Mas sobre isso falarei mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo de parcialidade no jornalismo é citado no último post do meu amigo &lt;a href="http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/"&gt;Milton Ribeiro&lt;/a&gt;. Para ler o post, &lt;a href="http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/arquivos/2006/10/se_o_reinaldo_a.html"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton escarafuncha os arquivos da &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, mostrando a contradição entre o que ela apregoava, e o que apregoa. O que eu tenho a dizer é que desde que a revista se juntou a Badan Palhares na hipócrita versão de passionalidade no crime de PC Farias, perdeu o meu respeito. Mas o erro de um editorial não está em mudar de opinião. “Não tenho vergonha de mudar de idéia porque não tenho vergonha de pensar”. Lembram-se? Cabe também à imprensa a mudança de ponto de vista. Isso é evolução. E cabe também a denúncia, o que é compromisso com a verdade. O que não é aceitável é a parcialidade vulgar em nome de uma falsa ideologia. Encaixa-se aí também o papel da &lt;em&gt;IstoÉ&lt;/em&gt; no caso do dossiê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao post do Milton, creio que &lt;a href="http://www.reinaldoazevedo.com.br"&gt;Reinaldo Azevedo&lt;/a&gt; está careca (e está mesmo) de saber que a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; no passado já criticou o PSDB. Mas hoje ambos possuem inimigos em comum. Se Reinaldo Azevedo é cego em relação aos defeitos do PSDB, sei que não o é em relação às condutas graves do partido que hoje está no poder. Se uma certa emissora global tivesse se juntado hoje à revista na qual Reinaldo escreve, o atual presidente provavelmente teria tido &lt;em&gt;impeachmant&lt;/em&gt; já no caso do Mensalão, e por motivos muito mais sérios do que os que envolviam o anterior caçador de marajás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Política é um caso sério, que não é levado a sério no Brasil. Quando se fala em "político", já se pensa em piada. Pois é. É essa cultura da política brasileira que criou o &lt;em&gt;democrático&lt;/em&gt; bordão "são todos iguais". É a democratização da bandalheira. Não sei se George Orwell concordaria com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu gostaria de saber é se “são mesmo todos iguais”. Se for, isso talvez justifique o fato de que as penitenciárias hoje são a escola do crime, um lugar de horror (mais do que deveria). Embora os bandidos políticos sejam tratados com distinção (e que distinção!), os “bandidos comuns” são tratados (e enclausurados) como iguais. O traficante, o ladrão de banco, o estuprador, o ladrão de galinha, o batedor de carteira, o 171, são todos comumente classificados na mesma categoria subumana de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;“criminosos”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, sem distinção. Porém a constituição prevê penas diferentes de acordo com o crime. Isso significa que os crimes (e, por conseqüência, os criminosos), são, sim, diferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que as prisões do inconsciente coletivo também querem nivelar o tratamento dos &lt;em&gt;&lt;strong&gt;“políticos”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; brasileiros, essa classe tão pitoresca e estereótipa. Mas essa “caridade” é aparente, apenas. Por trás de tudo isso o que há realmente é a submissão a um carisma ou o apego a uma ideologia. Para o povo, o assistencialismo justifica o crime. E para os intelectuais, Marx justifica Stálin. Em ambos, os fins justificam os meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nivelamento. O que há é parcialidade. É interessante notar que quando o povo, ao saber dos crimes, diz: "são todos iguais, deixa como está", não percebe o equívoco de uma grave contradição (o período é um oxímoro). Quando iguala todos, supostamente demonstra neutralidade – &lt;em&gt;"são todos ladrões com direitos iguais"&lt;/em&gt;. Mas ao optar pela preservação, demonstra que, na realidade, &lt;em&gt;não quer trocar de ladrão&lt;/em&gt;. Ou, melhor, não quer substituir o &lt;em&gt;ladrão consumado&lt;/em&gt; pelo &lt;em&gt;ladrão em potencial&lt;/em&gt;. Isso não é neutralidade. Isso é mais do que parcialidade: é conivência e identificação com o criminoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está errado. O crime tem níveis. "Tudo igual" é um &lt;em&gt;caminhão de japonês&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imparcialidade, ou neutralidade, é estar do lado da justiça, não da omissão. Um juiz é neutro, imparcial, e justo. Isso é ter lado – o que se opõe à injustiça. A Justiça é cega, mas enxerga o erro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalismo deve ser imparcial, não omisso. Deve combater o erro, mas sem segundos interesses, como é o caso da &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;. A imprensa deve ser como uma tribuna. E a Tribuna, em sua isenção, enxerga falhas e as distingue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Votar é escolher. E escolher é discernir entre erros e erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conivência é filha da parcialidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116189121975167921?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116189121975167921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116189121975167921' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116189121975167921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116189121975167921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/so-todos-iguais.html' title='“São todos iguais”'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116174427732716211</id><published>2006-10-24T23:41:00.000-03:00</published><updated>2006-10-25T17:28:38.066-03:00</updated><title type='text'>O debate</title><content type='html'>Não sou jornalista nem cientista político. Tampouco professor de Filosofia de alguma grande universidade paulista. Mas exponho, sim, a minha opinião sobre o tema nesse blog, que possui membros independentes, cada qual com suas concepções particulares sobre os assuntos que escrevem – e são livres para postarem os seus pensamentos sobre quaisquer assuntos no &lt;strong&gt;Mnemosina&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um eleitor, e penso que há pelo menos dois tipos de eleitores: os que estão satisfeitos com a atual situação (política, econômica, social, ética, etc.) do nosso país, e os que não estão. Eu me vejo no segundo grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que há também os que não estão nem aí para uma coisa nem para outra. Mas vamos ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro debate (entre Lula e Alckmin), creio, foi um dos acontecimentos mais esperados de 2006 (entre os sintonizados com o tema). Sim, o encontro entre os dois presidenciáveis foi histórico, tal qual foram alguns outros debates da história eleitoral brasileira. Criou-se uma grande expectativa para ouvir "as explicações que o presidente devia à sociedade", conforme as palavras de Cristovam – o qual teve um papel importante ao instigar a sociedade a "levar a disputa para o segundo turno", mas depois pulou fora... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;debate da TV Bandeirantes&lt;/strong&gt; tornou-se uma arena na qual o candidato Geraldo Alckmin mostrou sua capacidade até então desconhecida de fazer duras críticas ao adversário. Lula, encurralado pelo Mike Tyson, foi para as cordas, mas manteve-se em pé. Houve praticamente nocaute técnico no primeiro &lt;em&gt;round&lt;/em&gt;, mas nem o juiz nem os seus assessores podiam socorrê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois esboçou algumas reações. Lula é Lula – mesmo em desvantagem, não se subestime. Foi irônico, teatral, e com algumas insinuações perigosas – de apelo popular. Mas a noite já estava perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrevista do Roda Viva, da TV Cultura, Lula era outra pessoa. Solto, sempre líder, carismático, ao meu ver chegou a dominar os seus entrevistadores. Defendeu a sua “honra” até o fim, e chegou até mesmo a colocar Ricardo Berzoini na fogueira – mas depois afirmou confiar na integridade do ex-líder do partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;debate do SBT&lt;/strong&gt; foi o mais maçante. De início, Lula estava muito nervoso. Não esboçou nem um sorriso. Não desgrudou dos papéis ("cola") por nem um minuto. Ele, que no debate anterior já tinha falado a palavra "&lt;em&gt;sanguessunga&lt;/em&gt;", nessa vez cometeu outra gafe ao articular a frase "rememorizar a cabeça". Mas Geraldo, que cumpre o papel tudo certinho, ao invés de se aproveitar e desequilibrar o adversário, seguiu à risca a tática ditada pelos seus assessores, anteriormente. Foi “educado”. O confronto tornou-se técnico e programático, monótono. Lula respirou aliviado e cresceu no debate, e chegou até mesmo a ser mais duro do que o seu oponente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Roda Viva, Alckmin pareceu-me pedante no início, sempre prolongando-se demasiadamente em suas respostas, evadindo-se do tema, e procurando ignorar os jornalistas, optando por falar ao telespectador. Em minha opinião, isso é um erro. Uma entrevista com jornalistas ou um debate é uma conversa com “terceiros”, e não um dialogo direto com o telespectador. Não é igual à propaganda eleitoral. Com essa postura artificial e evasiva, o tucano deixou de responder objetivamente algumas perguntas, como a questão do “corte de gastos”, um dos pilares de sua campanha, e mostrou – como tem demonstrado – que essa idéia, na realidade, possui apenas apelo eleitoral. E não é dos apelos mais "empolgantes", convenhamos. Mas ao conversar com os jornalistas sobre a crise da Bolívia e sobre as pesquisas eleitorais, curiosamente o candidato se soltou e mostrou uma face mais verdadeira, mais sólida, mais convincente. Em suma, menos “fria” e “robótica”, e mais “calorosa” e “humana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;strong&gt;debate da TV Record&lt;/strong&gt;, de ontem, a postura do tucano foi um misto da ousadia do primeiro debate com a submissão do segundo. Mostrou sua incrível habilidade de adaptar-se às circunstâncias, no sentido de “regular a dosagem” do tom, conforme o programado. Mas mostrou também a sua falta de habilidade para interagir com o adversário. Ao invés de falar “&lt;strong&gt;você&lt;/strong&gt; é omisso”, por exemplo, ele prefere dizer (com voz complacente): “é importante você, telespectador, que está nos assistindo em casa, notar a diferença entre eu e o meu adversário. &lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; é omisso.” – ou, ainda, “&lt;strong&gt;o seu governo&lt;/strong&gt; é omisso”. “Somos diferentes. &lt;em&gt;Aliás&lt;/em&gt;...” – e sempre que diz "aliás", abranda mais ainda o tom, e faz comparações numéricas ou repete algum bordão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebem? É artificial, inadequado, não convence. Alckmin é controlado, fala pausadamente, escandindo as sílabas, e faz comparações pertinentes, citando muitos números de memória. É didático, ótimo professor. Mas mal debatedor. Evita – e até constrange-se com – o confronto mais direto, e poupa o adversário. Não é um dialogo com o oponente, é um monólogo com o telespectador. Falta vida, falta autenticidade, e isso incomoda. É linear demais, e, ademais, muito repetitivo. Vejam que a “citação de Santo Agostinho” foi eficaz no primeiro debate. Depois, repetiu-a no Roda Viva. E, novamente, repetiu-a no debate de ontem à noite. Simplesmente desgastou – e banalizou – a frase, como faz com todos os seus outros bordões cuja repetição demasiada enfastia até mesmo os próprios tucanos. E ao questionar o seu rival sobre o Nordeste, simplesmente levantou a bola para o petista cortar, implacavelmente. Penso que Alckmin foi &lt;em&gt;mal programado&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula, por sua vez, estava muito à vontade no debate de ontem à noite. Muitos pontos à frente do seu adversário,  permitiu-se mais uma vez ser irônico, mas sem demonstrar nervosismo. Não se perdeu com a papelada, não embromou as palavras. E, como sempre, manteve o discurso mais próximo do povo – sua marca registrada. É isso. Debate é mais emoção do que razão. Razão também conta. Mas repetir “equações racionais” à exaustão enche a paciência, Sr. Alckmin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, acredito que alguns simpatizantes do tucano estão demasiadamente otimistas em relação ao debate de ontem. Na minha modesta opinião, o favorecido foi o petista. &lt;a href="http://www.reinaldoazevedo.com.br/"&gt;Reinaldo Azevedo&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://noblat1.estadao.com.br/noblat/visualizarConteudo.do"&gt;Ricardo Noblat&lt;/a&gt;, por exemplo, estão otimistas. Mas eu acredito que, dessa feita, &lt;a href="http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/"&gt;Josias de Souza&lt;/a&gt; foi mais realista: “Terceiro debate é marcado por repetições e mesmice”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expectativa inicial para acompanhar o confronto entre os dois presidenciáveis transformou-se em tédio. É pena, pois houve uma rica oportunidade para haver confronto com verdade e apresentação de soluções reais para o nosso país, além da abordagem firme, sincera e direta do gravíssimo – sim, gravíssimo – problema da corrupção. Fracassaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram três confrontos. E falta ainda o &lt;strong&gt;debate da Globo&lt;/strong&gt;. Será a derrocada final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alckmin, o frio, racional, calculista, apolínio. Lula, o ardoroso, emotivo, espontâneo, dionisíaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alckmin mostrou-se muito complacente, poupando – e subestimando – o adversário, ao extremo. Como se não precisasse lutar pela tão disputada posição, e como se as coisas fossem se resolver por si mesmas. Lula é mais político do que Alckmin. Lula é mais teatral, e por isso mesmo, mais verdadeiro. Ou, em outras palavras, uma mentira de Lula vale mais do que dez verdades de Alckmin. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a única chance do tucano estava em ser implacável, e, principalmente, em como sê-lo, como seria, por exemplo, um FHC, um Collor ou um Jefferson – e até mesmo José Serra ou Heloísa Helena – diante de tal oportunidade. Lula é imbatível em seu terreno – o “populismo” – e, nas atuais circunstâncias, a única maneira de vencê-lo é desestabilizá-lo emocionalmente, questionando-o e pressionando-o com rigor – sem deixar de lado a respectiva solução “programática”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No atual cenário o preço a pagar será alto. O falso Apolo se perde em sua própria racionalidade insossa, enquanto lega a Dionísio a chance de reinar nesse maravilhoso teatro olímpico por mais quatro anos, inabalável em seu poderio regado a fermento e uva, e embriagando deleitosamente a fertilidade de uma Grécia inculta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116174427732716211?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116174427732716211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116174427732716211' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116174427732716211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116174427732716211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/o-debate.html' title='O debate'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116163686379097230</id><published>2006-10-23T17:27:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T17:55:41.960-03:00</updated><title type='text'>Mozart foi assassinado porque sabia demais!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5436/3372/1600/mozarts_manuscript_of_the_last_page_of_requiem.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5436/3372/320/mozarts_manuscript_of_the_last_page_of_requiem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é a teoria do escritor italiano Tito Gilberto, que propõe uma história de mistério digna de Sherlock Holmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com sua teoria, Tito afirma que a morte do compositor austríaco foi queima de arquivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1790, o imperador austríaco José segundo foi envenenado por adversários políticos e “Mozart sabia algo sobre a morte misteriosa do soberano e por isto foi eliminado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado de anos de investigações podem ser conferidos em seu mais recente livro, um romance policial, onde Tito lança essa teoria baseado na descoberta de um pentagrama, que Mozart teria desenhado no manuscrito do seu Requiem K626. Teoria que pode mudar a história de um dos mais amados compositores de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito afirma que escreveu o livro enquanto ouvia atentamente o Requiem do compositor em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não sabemos o quão atento Tito estava ao ouvir o famoso Requiem, pois o título de seu livro é “Mozart: crimes em ré maior” e, como todos sabemos, a tonalidade da última composição de Mozart é ré menor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116163686379097230?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116163686379097230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116163686379097230' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116163686379097230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116163686379097230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/mozart-foi-assassinado-porque-sabia.html' title='Mozart foi assassinado porque sabia demais!'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116162725309422568</id><published>2006-10-23T15:13:00.000-03:00</published><updated>2006-10-25T17:33:34.096-03:00</updated><title type='text'>Porque mudei meu voto</title><content type='html'>PORQUE VOU VOTAR NO LULA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de comunicar a todos vocês que mudei de idéia. Creio que Lula, afinal de contas, realmente não sabe de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele realmente não sabe de nada. Mal sabe ler e escrever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não é o mais importante. O mais importante é a sua onestidade: ele ajuda os pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou provar, por A mais B, que Lula é onesto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele criou o Bolsa-Família. Ou seja, se preocupa com os pobres. Ele veio lá de baixo, e subiu até lá em cima. As elite não gosta de pobre. Mas Lula gosta. Ele é pobre, mais ajuda os mais pobre do que ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem jente que fala que seu filho (o Lulinha) é rico, e que o Lula tem mais dinheiro do que o Geraldo. É mentira. Mas, e daí? Ele lutou e se esforssou. Chegou lá porque merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca antes neste país um operário foi presidente do Brasil. Isso prova que ele é onesto, pois pobresa é cinônimo de onestidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos intelequituais já começam a reconhecer o bril e o caráter de Lula. Prova disso é que ele denunciou a corrupissão. Antigamente a sujeira ficava embaixo do tapete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pensando nisso que resolvi mudar o meu voto e votar no Lula. Afinal, em relação ao Alcmin e à Fernando Enrique Cardozo, todo mundo sabe que o grande pobrema é a privatisação. Tudo eles quer privatisar. Alcmin falou que em seu pograma de governo, ele vai privatisar tudo, inclusive a Petobras e todos os bancos do Brasil. Esse é que é o pobrema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o Aerolula ele quer privatisar. Essa jente não gosta de pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa jente implica com todos os amigos de Lula. Até com o churrasqueiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande verdade é que todos os amigos de Lula, no fundo, são onestos. Prova disso é que os mensaleiros foram absolvidos, e o Fróid também. E se algum deles errou, a culpa não é do Lula. Ele não é obrigado a saber de tudo. A culpa é dos aloprados. Prova disso é que quando Lula ficou sabendo da currupissão, ficou brabo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado do Lula!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Implicam com ele porque ele bebe. Ora, pobre também não pode beber? Só rico pode beber uísque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre também tem direito de beber uísque. Pobre também tem direito de comer o seu bifinho, o seu arrozinho e o seu feijãozinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parem de implicar com o Lula. E, se querem saber, se ele criar o Bolsa-Cachaça, eu aprovo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula é como nós. Bebe como nós. Fala palavrão como nós. Tem emoção, como nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é do povo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, creio que, com essa análize, ter provado por A mais B que Lula é onesto. Afinal, é pobre, sem estudo, e é jente como a jente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa o homem trabalhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Lula de novo, com a força do povo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116162725309422568?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116162725309422568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116162725309422568' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116162725309422568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116162725309422568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/porque-mudei-meu-voto.html' title='Porque mudei meu voto'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116131421301729742</id><published>2006-10-20T00:10:00.000-03:00</published><updated>2006-10-20T10:35:27.633-03:00</updated><title type='text'>A pergunta do dia</title><content type='html'>Se não existisse o homem, existiria a Matemática?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116131421301729742?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116131421301729742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116131421301729742' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116131421301729742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116131421301729742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/pergunta-do-dia.html' title='A pergunta do dia'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116111549947815836</id><published>2006-10-17T16:53:00.000-03:00</published><updated>2006-10-17T17:10:30.780-03:00</updated><title type='text'>Programe-se (música)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Quem Tem Medo da Música Clássica?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johannes BRAHMS - &lt;em&gt;Concerto para Violino e Orquestra em Ré Maior– Op. 77&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Solista: &lt;em&gt;Itzhak Perlman&lt;/em&gt; (violino) &lt;br /&gt;ORQUESTRA FILARMÔNICA DE BERLIM&lt;br /&gt;Regente: Daniel Barenboim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentação: Artur da Távola&lt;br /&gt;TV SENADO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sex 20 out 24h&lt;br /&gt;sab 21 out 10h e 18h&lt;br /&gt;dom 22 out 10h, 18h e 24h&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116111549947815836?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116111549947815836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116111549947815836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116111549947815836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116111549947815836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/programe-se-msica.html' title='Programe-se (música)'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116062904850043394</id><published>2006-10-12T01:56:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T21:58:51.993-03:00</updated><title type='text'>Programe-se (política)</title><content type='html'>Dia 16 seg Roda Viva (TV Cultura) – Lula (22h40) - JÁ REALIZADO&lt;br /&gt;Dia 17 ter Debate Lula e Alckmin -&gt; Entrevista Alckmin (Gazeta) - CANCELADO&lt;br /&gt;Dia 17 ter Entrevista de 15 minutos (Record) – Lula - JÁ REALIZADO&lt;br /&gt;Dia 19 qui Debate (SBT) – Lula e Alckmin (21h00) - com Ana Paula Padrão - JÁ REALIZADO&lt;br /&gt;Dia 22 dom Entrevista de 15 minutos (Record) – Alckmin - JÁ REALIZADO&lt;br /&gt;Dia 22 dom Roda Viva (TV Cultura) – Alckmin (22h30) - ao vivo&lt;br /&gt;Dia 23 seg Debate (Record) – Lula e Alckmin (22h30)&lt;br /&gt;Dia 27 sex Debate (Globo) – Lula e Alckmin (22h30)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PS: sujeito a alterações. Última atualização 22/10/2006&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116062904850043394?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116062904850043394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116062904850043394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116062904850043394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116062904850043394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/programe-se-poltica.html' title='Programe-se (política)'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116058985063619397</id><published>2006-10-11T14:56:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T13:28:10.770-03:00</updated><title type='text'>Os temíveis vendedores</title><content type='html'>No sábado eu e minha noiva fomos comprar móveis. Acompanharam-nos as respectivas sogras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo mais temível do que as sogras. São os vendedores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acautelai-vos, compradores! São hábeis magos, na arte de &lt;em&gt;manipular&lt;/em&gt;, esses persuasores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem vários tipos de vendedores. Existem os honestos, os preocupados com o cliente, os inocentes, os desambiciosos. E existem os bons vendedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom vendedor é, na realidade, um hipnotizador. Ele é capaz de persuadi-lo a comprar o que você não quer, mesmo que você seja esperto e conheça as suas artimanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sei disso, antes de olharmos os produtos, falei: “Vamos pesquisar, e não vamos comprar na primeira loja, de jeito nenhum”. Todo cuidado é pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma frase que diz: “Nada é mais contagiante do que o entusiasmo”. O bom vendedor possui entusiasmo e simpatia contagiantes. Há várias táticas. Vou citar duas delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponha que um produto custe R$ 600,00. Eles o anunciam por R$ 1.200,00. Quanto mais você resiste ao palavreado do vendedor, mais ele “abaixa” o preço. R$ 1.000,00... R$ 800,00... Sempre com uma “proposta sensacional”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comprador ainda resiste: “Ok, mas vou pesquisar o preço também em outras lojas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor não vacila: “Faço por 750,00! Em nenhuma loja você encontra por esse preço. E o produto é de qualidade...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cliente titubeia. Quando está quase decidido a sair da loja, o vendedor “se desespera”, e arremata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou fazer o seguinte: eu vi que você gostou do produto, e a nossa intenção é ajudar. [reforça o tom] &lt;strong&gt;Faço por 600 reais&lt;/strong&gt;. É metade do preço, e com entrada somente a partir do mês que vem, para você levar agora. Não sei se o gerente irá liberar, pois baixou muito o preço... mas vou chamá-lo. Mas tem que ser para &lt;strong&gt;agora&lt;/strong&gt;, pois se um cliente chegar depois, leva no seu lugar o bônus, a promoção”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que essas baboseiras são tão convincentes? hehe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comprador é capaz de levar o produto “rebaixado para R$ 600,00”, e depois trombar com o mesmo produto, em outra loja, por R$ 490,00...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história de “promoção limite, mas tem que ser agora” é besteira. Conversa para enganar comprador, impedindo-o de pesquisar o produto em outra loja concorrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra tática é a da bajulação. O vendedor, em poucos minutos, ganha a sua confiança. Simpático, trata-o como se o conhecesse há muitos anos. Interessa-se por sua situação. Exibe seu lado “humano”, citando circunstâncias de sua vida, semelhante às suas. Finge que gostou de você, e que você é um cliente especial. Faz perguntas e observações agradáveis em relação à sua vida pessoal e à sua família. Muitos caem direitinho. Porém você é esperto, e percebe a manobra... Mas qual! Nada é mais contagiante do que o sorriso e o carisma de alguém que sabe agradar... Parecem autênticos. Um elogio aqui, um gracejo ali... E quando você percebe, já está enfeitiçado pelos encantos do vendedor, mesmo que saiba que o intuito por trás de toda a cordialidade é &lt;em&gt;profissional&lt;/em&gt;, pois não se recusa a retribuição da afabilidade alheia. Cria-se uma rápida afinidade, e logo parecem amigos de muitos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que isso acontece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, ocorre que o bom vendedor é um conquistador nato. Ele possui muita experiência e atua sobre o &lt;em&gt;teu&lt;/em&gt; inconsciente de modo que você caia na &lt;em&gt;tua&lt;/em&gt; própria armadilha, traindo a &lt;em&gt;ti&lt;/em&gt; mesmo. É o &lt;em&gt;teu&lt;/em&gt; próprio inconsciente quem o engana. É isso que o vendedor faz: induzir &lt;strong&gt;você&lt;/strong&gt; a ludibriar a si próprio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que você não compre o produto, ficará em sua memória a imagem da simpatia do vendedor. É uma sedução. Se você for a outra loja, e o vendedor for &lt;em&gt;frio&lt;/em&gt;, sua vontade imediata será de voltar e comprar o produto do vendedor anterior. Note-se: conscientemente você é racional e segue a lógica do seu próprio interesse, mas o inconsciente luta contra esse raciocínio, e tende a enfraquecer a percepção objetiva das coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E outra: por mais que o vendedor utilize mentiras, sempre falará alguma verdade. Como discerni-las?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São verdadeiros psicólogos, mais hábeis do que muitos teóricos psicanalistas com diplomas pendurados em parede, esses comerciantes. E também, ao lado dos ciganos, dos videntes e de outros manipuladores, como autênticos vampiros, coletam, em segundos, dados essenciais de sua personalidade. E utilizam &lt;em&gt;contra você&lt;/em&gt; esses dados que você mesmo lhes fornece. Eles lidam com &lt;em&gt;pessoas&lt;/em&gt; a todo instante, e aprendem e aperfeiçoam essa arte a cada dia. Vender é uma arte. Mesmo o indivíduo mais frio e calculista corre o risco de cair nessa ciranda psicológica, pois, antes que vender, o intuito do vendedor é conquistar. E as amabilidades constantes acabam ultrapassando as barreiras de defesa do sistema racional e psíquico; como um vírus de um computador, elas aproveitam as &lt;em&gt;brechas e falhas do sistema&lt;/em&gt;. Aos poucos &lt;em&gt;penetram&lt;/em&gt; o cliente mais rígido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato de simpatizar-se com uma pessoa passa ao largo da razão e da consciência. É por isso que o amor não é racional, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gastar pode ser um &lt;em&gt;hobby&lt;/em&gt; compulsivo. O ato de comprar é estimulante. Quando um comprador está interessado em um produto, seu coração se acelera, sua pupila se dilata, e os movimentos de suas pálpebras diminuem. Ele entra em uma espécie de “transe inconsciente”, e por um breve momento não consegue ter controle sobre suas próprias decisões, e é nesse curto instante que o implacável vendedor intervém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tempo: na compra de sábado, resisti bravamente ao primeiro vendedor (era desses...), mas depois retornei à primeira loja, pois os produtos eram realmente mais baratos. Voltamos em menos que meia hora, mas aí as facilidades que haviam sido prometidas ao sairmos da loja foram retiradas, com a (convincente) desculpa de que um cliente já tinha “levado o bônus do dia”... Tivemos que brigar. Para interagir com vendedores, temos que fazer o jogo deles: ser frios, calculistas e implacáveis. Dane-se a cortesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas da próxima vez que você “enfrentar” um vendedor de alto nível, desses bajuladores ou carismáticos, lembre-se de que, mesmo que ele não conquiste a sua compra, conquistará a sua simpatia. Graças ao logro da &lt;em&gt;tua&lt;/em&gt; própria inconsciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116058985063619397?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116058985063619397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116058985063619397' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116058985063619397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116058985063619397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/os-temveis-vendedores.html' title='Os temíveis vendedores'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116017102495837447</id><published>2006-10-06T18:42:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T18:43:44.973-03:00</updated><title type='text'>Meu conceito de luxo e elegância</title><content type='html'>O maior luxo do mundo não está em coisas como costume Ermenegildo Zegna, relógio Ômega, um SUV top de linha ou mesmo lojas private em algum canto de alguma alameda ou ruazinha estreita da Cerqueira César. Luxo é absorver o que tem de melhor e humano em raras pessoas espiritual e intelectualmente dotadas, como os amigos do Mnemosina. Essa riqueza ninguém te tira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço especial em todos :)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116017102495837447?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116017102495837447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116017102495837447' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116017102495837447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116017102495837447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/meu-conceito-de-luxo-e-elegncia.html' title='Meu conceito de luxo e elegância'/><author><name>thiagobsn</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116016784769456953</id><published>2006-10-06T17:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T18:05:10.716-03:00</updated><title type='text'>O homem e o mendigo</title><content type='html'>Nesse último domingo, não me lembro bem como nem por que, minha mãe e eu, ao conversarmos, paramos em um assunto: esmola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ter dito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Na realidade, a esmola é uma ajuda apenas temporária. Quando você dá esmola a um mendigo, não está resolvendo o seu problema. Se lhe der pão hoje, amanhã ele terá fome novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Sim, mas se todos pensarem assim, o mendigo não se sustenta, nem hoje, nem amanhã – minha mãe replicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É verdade! Cada um deve fazer a sua parte. Mas consciente de que não estará remediando a situação em longo prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, empolgado com uma reflexão ligeira e pitoresca, eu continuei, com hilaridade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Não é irônico que, quando damos uma pequena ajuda a um mendigo, parece que "tiramos um peso" da nossa consciência? Temos, no íntimo, a impressão de que todos os seus problemas acabaram! É como se um bocado de pão que você lhe dá, num momento de condolência, o sustentasse para o resto de sua vida! &lt;em&gt;Inconscientemente&lt;/em&gt;, quando lhe damos uma esmola, temos a impressão de ter eliminado todas as suas privações, e ficamos satisfeitos com isso. Você lhe dá um real! E é como se ninguém nunca mais precisasse ajudá-lo. Você lhe dá um cobertor, e é como se o acalentasse para sempre. Nos dias seguintes, o mendigo sentirá frio e fome novamente, mas não nos lembraremos disso. Porque o nosso "mendigo interior" já estará saciado, e continuará agasalhado pelo nosso gesto de caridade anterior, e, para a nossa &lt;em&gt;(in)consciência&lt;/em&gt; é como se esse gesto se estendesse  a todos órfãos e mendigos da terra, e abarcasse toda a miséria universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Você lhe dá um prato de comida, e sente-se [&lt;em&gt;inconscientemente&lt;/em&gt;] como se tivesse eliminado para sempre a sua fome – minha mãe acrescentou. E, no mesmo clima de hilaridade, imaginou uma cena: “No dia seguinte o mendigo vem lhe pedir um prato de comida novamente, e você pergunta: ‘Ué, você já não comeu ontem?’ ”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emendei a piada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Aí já está querendo demais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Que desaforo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E minha mãe concluiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Na realidade, você tinha resolvido o &lt;em&gt;seu&lt;/em&gt; problema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, amigos. A anedota se repete todos os dias. Aliás, já repararam o título? Alguém o estranhou? E quem o achou normal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O homem e o mendigo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Há uma distinção aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distinguimo-nos dos nossos semelhantes. O alargamento da sociedade e a rotina das grandes metrópoles impõem diferença. E indiferença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esmola não é ajuda. É o que se faz com o sentimento de uma obrigação. Existem os que praticam caridade, realmente. Mas essa está longe de ser a obrigação, a &lt;em&gt;esmola&lt;/em&gt; do cotidiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajudar é fazer algo duradouro e que permaneça como abrigo sólido para o futuro. A miséria, se combate com prevenção, e não só com benefícios ligeiros que apenas acalentam o nosso "mendigo interior". Deve-se remediar a curto-prazo e investir em longo prazo, e para isso deve-se cobrar as autoridades para que essas invistam com responsabilidade e sem espalhafato, e que o investimento não venha a ser propaganda política, nem a compra de um voto ou de uma consciência, mas que a mão direita isente-se de ser &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; de ações estratégicas da mão esquerda; as boas ações verdadeiras fazem-se com ajuda progressiva e sólida no dia-a-dia, e não com rumor. Quando um político cultua a miséria de um povo, cultua a sua própria imagem, e deixa de integrar esse povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma frase, de cujo autor eu não me lembro. Depois irei procurar, e inseri-lo aqui. Ela diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O teste máximo à consciência pode ser a determinação de sacrificar algo para gerações futuras, cujas palavras de agradecimento jamais se ouvirão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que puderem, dêem esmola. Não como obrigação, mas como a mão que se estende a um semelhante. Se puder, dê comida, dê agasalho, dê trabalho, e não o dinheiro que poderá ser o sustento de um vício. E tenha a consciência de que a miséria não pára aí. Mais importante do que isso é mobilizar a sociedade para que as crianças do futuro jamais precisem experimentar a humilhação de depender de uma esmola, e que possam trabalhar e ganhar dignamente o seu sustento, também alimentando algo talvez tão importante quanto o alimento do dia-a-dia: a auto-estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando passamos ao largo da miséria, e, diante da imploração do pedinte, retrucamos: "não, não tenho”, mentimos e nos sentimos bem com a mentira, por estarmos, &lt;em&gt;supostamente&lt;/em&gt;, nos igualando a ele. Estamos dizendo: “também sou igual a você, também me faz falta, a vida é assim mesmo...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande engano. Nós sabemos que não nos sentimos semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no dia em que o homem e o mendigo forem considerados iguais, se dissolverá o abismo entre homens e homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116016784769456953?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116016784769456953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116016784769456953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116016784769456953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116016784769456953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/o-homem-e-o-mendigo.html' title='O homem e o mendigo'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-116002207818952830</id><published>2006-10-05T01:18:00.000-03:00</published><updated>2006-10-05T15:22:17.726-03:00</updated><title type='text'>As armas e as palavras</title><content type='html'>É possível lutar contra os delitos da natureza humana? Em que a simples opinião de um único cidadão poderá influenciar contra as grandes tragédias sociais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim inicia-se o texto &lt;a href="http://www.autoreseleitores.com/leitores/mostra_trab.php?trab=060929215846&amp;&amp;m=R&amp;&amp;p=0610&amp;&amp;i=16"&gt;&lt;em&gt;Crimes Contra a Humanidade&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, do meu amigo &lt;strong&gt;Marcelo Torca&lt;/strong&gt;, em &lt;a href="http://www.autoreseleitores.com/"&gt;Autores &amp; Leitores&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.autoreseleitores.com/"&gt;http://www.autoreseleitores.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citando a escravidão, a guerra e a corrupção como exemplos de tais transgressões universais, o autor lamenta: “infelizmente armas ainda falam mais alto que as palavras”. E propõe uma reflexão sobre as duas perguntas iniciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentarei responder conforme o meu ponto de vista, e inicio questionando: será mesmo que as armas falam mais alto do que as palavras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, melhor ainda: são também armas, as palavras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito que sim, também são armas as palavras. E acredito que não, as armas não necessariamente falam mais alto do que as idéias vocalizadas ou escritas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando – conforme o exemplo citado pelo autor – os americanos invadiram o Iraque, os protestos que ocorreram não foram suficientes para impedir o fato. Mas será que na ocasião as palavras de protesto foram gritadas alto o suficiente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que não. Aliás, creio que esse episódio – como o da guerra entre Líbano e Israel, posteriormente – foi suficiente para desmoralizar a ONU por completo. Que poder, afinal, a ONU possui? Que sanções pode ter o direito de aplicar nos países frágeis, se não consegue agir de modo equivalente com a superpotência EUA? Afinal, quem prevalece, a ONU ou os EUA? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que a pergunta correta seria: havia real interesse de os países europeus enfrentarem os EUA?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, os gritos de protestos não foram altos o suficiente. Porque não convinha. Mas depois, na guerra entre Israel e Líbano, os EUA ainda tinham “força moral” para intervir, junto à ONU, no acordo de paz entre os dois países. A mesma moral que os permitem ditar regras nucleares ao Irã, como se não fossem, os próprios americanos, os maiores produtores de armas atômicas do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses casos, as palavras que poderiam se opor saem frágeis ou se calam, num silêncio cúmplice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há muitos outros crimes contra a humanidade, contra os quais todo o cidadão se sente frágil e sem forças de intervir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha resposta é a seguinte: a opinião de um único cidadão pode, sim, influenciar todo o sistema. É o efeito dominó, bola de neve, ou teoria do caos. De partes é feito o todo. O todo é o reflexo das partes. Para que se inicie uma reação em cadeia, é preciso haver um começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toda a grande jornada inicia-se com um único passo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mas também há uma outra máxima: “Não tenha medo de dar um grande passo, quando necessário. É impossível atravessar um abismo com dois passos pequenos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim nascem as grandes revoluções. Com um único passo, com um grande passo. O “povo”, essa coisa tão indefinida e abrangente, e que nos inclui e nos exclui, ao mesmo tempo, é uma massa inercial que não age por si própria. Tende a permanecer no seu estado natural de repouso ou movimento. E para mover essa massa poderosa e avassaladora é preciso haver um &lt;em&gt;líder&lt;/em&gt;. Assim nascem as grandes revoluções! É dever de todo homem bem informado e bem-intencionado fazer a sua parte. É dever dos artistas, dos intelectuais, e dos idealistas da justiça e da fraternidade darem um grande passo, e gritarem, com as palavras, um NÃO! BASTA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra que você disser terá algum efeito? O texto que você escrever fará a diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Se todos fizerem sua parte, a opinião individual inicial se refletirá no todo de maneira avassaladora. Porém, se todos se acomodarem, pensando: “não fará diferença”, a inércia prevalecerá. E os crimes contra a humanidade prosseguirão, debaixo dos nossos olhos. Observa-se que nessas épocas de grandes transgressões sociais, não vemos os intelectuais se manifestarem. Os intelectuais do nosso tempo se calaram. E o silêncio é cúmplice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos as eleições. O voto individual de cada cidadão reflete no todo, de modo que cada parte é igualmente importante para o resultado final coletivo. O que são as pesquisas de opiniões? Amostras retiradas da parte, que refletem o todo. Sim, somos vasos comunicantes! Os arquétipos são padrões comuns do inconsciente coletivo humano, que se manifestam em qualquer espaço e tempo. Somos a parte, somos o todo. E a nossa arma mais poderosa, que nos distingue como seres genuinamente racionais ainda é a palavra. São as palavras que sempre, sempre moverão, e mudarão algo. Sim, se forem ditas (e escritas) alto, suficientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Onde houver um som original, despertará centenas de ecos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-116002207818952830?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/116002207818952830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=116002207818952830' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116002207818952830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/116002207818952830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/10/as-armas-e-as-palavras.html' title='As armas e as palavras'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115919340745786343</id><published>2006-09-25T11:09:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T11:10:07.456-03:00</updated><title type='text'>Feliz Aniversário, Shostakovich!</title><content type='html'>Feliz Aniversário, Shostakovich!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Aniversário, Thiago! :)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115919340745786343?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115919340745786343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115919340745786343' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115919340745786343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115919340745786343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/feliz-aniversrio-shostakovich.html' title='Feliz Aniversário, Shostakovich!'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115919162581536004</id><published>2006-09-25T10:40:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T15:24:53.873-03:00</updated><title type='text'>Sobre os textos</title><content type='html'>Amigos leitores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente há algumas falhas, de links, formatação ou alinhamento no texto abaixo. Nesse mês trabalhei arduamente para conseguir postá-lo hoje, dia 25 de setembro, de madrugada, de última hora, e depois desabei, morrendo de sono (hehe). Depois irei revisar e polir as falhas, aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115919162581536004?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115919162581536004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115919162581536004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115919162581536004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115919162581536004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/sobre-os-textos.html' title='Sobre os textos'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115919158830495993</id><published>2006-09-25T10:37:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T12:30:22.216-03:00</updated><title type='text'>Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87</title><content type='html'>Em 1950, comemorava-se o bicentenário da morte de Johann Sebastian Bach, em Leipzig. O festival foi o palco da Competição Internacional Bach de Piano, que requeria a execução de qualquer um dos &lt;em&gt;48 Prelúdios e Fugas do Cravo Bem-Temperado&lt;/em&gt;. Uma das pianistas a competir era Tatiana Nikolayeva. Entre os jurados, estava Dmitri Shostakovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vencedora do concurso foi Tatiana Nikolayeva, que tocou não apenas um dos prelúdios e fugas do &lt;em&gt;Cravo Bem-Temperado&lt;/em&gt;, conforme requeria a competição, mas executou todos os &lt;em&gt;48 Prelúdios e Fugas&lt;/em&gt;. Ela ganhou a medalha de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dmitri Shostakovich, que entregou o prêmio à vencedora de 26 anos (na condição de presidente do júri), ficou impressionado com a interpretação da jovem pianista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última atração do evento foi o Concerto em Ré Menor para Três (cravos) Pianos, de J. S. Bach, tendo Maria Youdina, Pavel Serebriakov e Tatiana Nikolayeva como solistas. Incrivelmente, após Youdina machucar o dedo, Shostakovich, sem nenhuma preparação, e de última hora, tomou o seu lugar ao piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre russo havia sido convidado para participar do festival de Leipzig em uma época que sua música silenciara na União Soviética, após o Decreto de Zhdanov (1948). Mas em meio ao silêncio, ele prosseguia compondo. E após retornar de Leipzig, contagiado pelo espírito de Bach – num primeiro momento, pretendia escrever apenas exercícios de técnica polifônica –, resolveu compor os seus próprios Prelúdios e Fugas. A partir daí, nasceria uma das maiores obras para piano do século XX: os &lt;strong&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho é um verdadeiro monumento à arte de J. S. Bach. Shostakovich admirava-o grandemente, e a música do mestre de Leipzig é um dos pilares de sua obra. Aos 44 anos, e a exemplo de compositores como Mozart, Beethoven e Brahms, que em sua fase outonal voltaram-se para o passado em uma justa reverência ao mestre barroco, aqui Shostakovich aprofunda-se no estudo do contraponto e faz música polifônica da mais alta qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que vinte e quatro? São 24 os Prelúdios e Fugas do CBT I, e são 24 os Prelúdios e Fugas do CBT II, de J. S. Bach – que integram os 48 prelúdios e fugas do &lt;em&gt;Cravo Bem-Temperado&lt;/em&gt;. Vinte e quatro são os Prelúdios de Chopin, e são vinte e quatro os Caprichos de Paganini. O número 24 não é por acaso – ele corresponde aos vinte e quatro tons da música ocidental: doze maiores e doze menores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Idade Medieval, e em todo o Renascentismo, não havia música &lt;em&gt;tonal&lt;/em&gt;. A música era &lt;em&gt;modal&lt;/em&gt;. Predominavam os &lt;strong&gt;modos antigos&lt;/strong&gt; (modos gregos), que eram sete. A partir do &lt;strong&gt;sistema tonal&lt;/strong&gt;, que se consolidou no barroco, passaram a existir somente dois modos: o modo &lt;em&gt;maior&lt;/em&gt; e o modo &lt;em&gt;menor&lt;/em&gt;. Antes, haviam os complicados sistemas de afinação (temperamento), a fim de fazer os “ajustes das &lt;em&gt;comas&lt;/em&gt;”. A &lt;em&gt;coma&lt;/em&gt; é a nona parte de um tom inteiro, e é considerado o menor intervalo perceptível ao ouvido humano. Os físicos e músicos divergiam sobre o &lt;strong&gt;semitom diatônico&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;semitom cromático&lt;/strong&gt;. Para os músicos, o semitom cromático (de dó para dó sustenido) possuía 5 comas, e o diatônico (de dó sustenido para ré) possuía 4. Os físicos afirmavam o contrário. Durante muito tempo persistiu esse dilema, e os diferentes sistemas de afinação. O cravo precisava ser afinado (temperado) constantemente, de acordo com o &lt;em&gt;modo&lt;/em&gt; da música que se estava a tocar. Até que surgiu a idéia de afinar o cravo em &lt;strong&gt;doze semitons iguais&lt;/strong&gt;, com um sistema de afinação fixa, de modo que o intervalo entre cada semitom ficasse ajustado em 4 comas e meia (diferença imperceptível ao ouvido humano), quando o teórico Andreas Werckmeister publicou um documento com essa teoria, em 1691. Desse modo, qualquer peça poderia ser transposta para qualquer tonalidade sem precisar fazer constantes “reajustes” de afinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa idéia foi recebida com polêmica, mas Johann Sebastian Bach foi um dos primeiros a reconhecer a importância da inovação. Em 1722, publicou sua coleção de &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas&lt;/em&gt;, para cada uma das doze tonalidades maiores e menores, e a chamou &lt;em&gt;“Cravo Bem-Temperado, ou Prelúdios e Fugas em todos os Tons e Semitons”&lt;/em&gt;, provando que era possível tocar e transpor uma música para qualquer tonalidade, com o sistema temperado, sem precisar alterar a afinação. Em 1744, vinte e dois anos depois, publicaria o segundo volume (agora chamado &lt;em&gt;Cravo Bem-Temperado, Livro II&lt;/em&gt;). Portanto, cada um dos volumes do CBT foram escritos em épocas distintas de sua vida, e é notável o fato de que a primeira parte foi escrita no mesmo ano em que Jean-Philippe Rameau publicou o seu &lt;em&gt;Tratado de Harmonia&lt;/em&gt; (1722), com o mesmo objetivo. Ambos trabalhos foram decisivos para a consolidação do sistema tonal, que revolucionou a Harmonia e as técnicas de composição. O &lt;em&gt;Cravo Bem-Temperado&lt;/em&gt; é considerado a “bíblia do pianista”, e permaneceu reconhecido mesmo após a morte de Bach, quando todas as suas outras obras foram esquecidas, de modo que o sistema tonal que prevaleceu até a época de Schöenberg, e que ainda é uma vital referência em nossos dias, é o legado de Johann Sebastian Bach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/bach.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/320/bach.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A combinação entre o &lt;em&gt;Prelúdio&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Fuga&lt;/em&gt; (considerada, mais do que uma &lt;em&gt;forma&lt;/em&gt; musical, uma técnica de composição) é um casamento perfeito entre duas &lt;em&gt;“formas”&lt;/em&gt; distintas, duas forças, dois opostos. A &lt;em&gt;fuga&lt;/em&gt; é provavelmente a técnica de composição mais complexa da música ocidental. Ápice da música &lt;strong&gt;polifônica&lt;/strong&gt;, e com regras que submetem o tratamento dos elementos musicais a padrões extremamente rígidos, reúne arte e ciência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Prelúdio é uma “forma” musical de caráter extremamente livre, como a &lt;em&gt;Fantasia&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Noturno&lt;/em&gt;, e também de caráter improvisatório, como a &lt;em&gt;Toccata&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Impromptu&lt;/em&gt;. Remonta à era da Renascença, desde as composições para alaúde, passando a ser utilizado como introdução das suítes francesas no século XVII. O “prato de entrada”, com a função de Abertura, como as antigas Sinfonias barrocas, e de curta duração, com passagens de difícil execução, sempre fazendo improvisar o virtuose (como a Toccata), com o objetivo de chamar a atenção da platéia, antes da execução da “peça principal”. Johann Pachelbel foi um dos primeiros a combinar Prelúdios e Fugas, e a partir de J. S. Bach, o Prelúdio adquiriu grande importância, sendo utilizado depois mesmo individualmente, por compositores como Beethoven, Chopin, Debussy, Rachmaninoff, Hindemith, Ginastera, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fuga é utilizada desde o período medieval, e é uma técnica de composição polifônica que segue o princípio de &lt;em&gt;imitação&lt;/em&gt;, como o &lt;em&gt;Canon&lt;/em&gt;, porém muito mais complexa do que esse. Toda fuga começa com uma voz sem acompanhamento expondo o tema, que é o &lt;em&gt;sujeito&lt;/em&gt;. A seguir, entra a segunda voz repetindo o sujeito na dominante (uma quinta acima ou uma quarta abaixo da tônica), enquanto a primeira voz prossegue, agora dando início a um segundo tema contrastante, que é o &lt;em&gt;contra-sujeito&lt;/em&gt;. Os temas devem ser independentes, (como melodias distintas que se combinam), e a distinção entre as vozes, clara. Mas devem “afinar” entre si – e esse é o ponto de desafio que alia a estética da arte à engenharia da ciência. Os temas se contrapõem na direção da música polifônica, que é considerada “horizontal”, ao contrário da música homofônica, em que as partes são dependentes e simultâneas, considerada “vertical”. O contraponto é muito complexo, restrito a muitas regras de consonância e direcionamento de vozes, e, da sua complexidade, a fuga é a expressão máxima. Após todas as vozes exporem o sujeito (a fuga pode ser a duas, três, quatro ou a cinco vozes, etc.) e o contra-sujeito, segue-se um complexo desenvolvimento de &lt;em&gt;temas&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;motivos&lt;/em&gt; que culminam no ponto alto e de tensão da fuga: o &lt;em&gt;stretto&lt;/em&gt;. É onde as vozes se aproximam, cada vez mais – e as vezes ocorrem &lt;em&gt;entradas paralelas&lt;/em&gt; –, produzindo a impressão de que uma voz está perseguindo a outra, daí o nome fuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palestrina e outros compositores utilizaram a fuga no Renascentismo. Teve o seu ápice no Barroco, sendo usada por compositores como Sweelinck, Froberger, Corelli, Pachelbel, Buxtehude e Händel. Mas foi através de Bach, com o &lt;em&gt;Cravo Bem-Temperado&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A Arte da Fuga&lt;/em&gt;, que essa magistral arte e ciência do contraponto atingiu o seu ponto culminante. Depois ela cairia em parcial esquecimento, mas sendo aproveitada por compositores como Haydn, Mozart e Beethoven, no Classicismo; Mendelssohn, Brahms, Schumman, Rmski-Korsakov, Saint-Saëns, Berlioz, Richard Strauss, Rachmaninoff e Glazunov, no Romantismo; e, no século XX, por Max Reger, Kaikhosru Sorabji, Bártok, Weinberger, Barber, Stravinsky, Hindemith, Charles Ives e Dmitri Shostakovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Quão belos e magistrais são os &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/em&gt; de Shostakovich! Elaborados, profundos, sinceros, é arte que desabrocha, ora sutil, ora retumbante, do mais íntimo e abissal silêncio. É música que, uma vez expandida, repreendida e calada, retorna a si, ao íntimo do compositor, e tácita e reflexiva, espera a sua hora, para irromper como um monumento, colosso perpétuo para as gerações futuras que ouvirão, ao seu tempo, os pensamentos calados e as palavras não ditas. Shostakovich, de mão dadas a Bach, como um furacão transcende o momento, atravessa o tempo, e chega como brisa aos nossos ouvidos. Quando ela foi executada pelo pianista soviético Svyatoslav Richter, um crítico que estava presente disse: “Pedras preciosas derramaram-se dos dedos de Richter, refletindo todas as cores do arco-íris”. Essa obra, Shostakovich iniciou após retornar do festival de Leipzig, trabalhando rapidamente, levando apenas três dias em média para escrever cada peça. O trabalho completo foi escrito entre 10 de outubro de 1950 e 25 de fevereiro de 1951. Após concluir a obra, Shostakovich dedicou-a a Tatiana Nikolayeva, a pianista que o inspirou, e que brilhou vencendo a competição do festival do bicentenário de Bach em Leipzig, executando os prelúdios e fugas do &lt;em&gt;Cravo Bem-Temperado&lt;/em&gt;. Assim que ele completou o ciclo, ele a chamou ao seu apartamento em Moscou para lhe mostrar o seu trabalho. Shostakovich tocou a obra na União dos Compositores Soviéticos, em maio de 1951, e Nikolayeva estreou-a em Leningrado, à 23 de dezembro de 1952.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas&lt;/em&gt; não foram bem recebidos pelos críticos soviéticos, a princípio, especialmente na União dos Compositores. Desagradaram-lhes a dissonância de algumas fugas, e eles também a reprovaram por a considerarem “ocidental” e “arcaica”. E essa obra, hoje acessível, permanece ainda, por muitos, desconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/nikolayeva.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/320/nikolayeva.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatiana Petrovna Nikolayeva, pianista russa, como Shostakovich, e também compositora, foi uma das maiores pianistas soviéticas do século XX. Nasceu em 1924 e começou a aprender piano aos três anos de idade. Depois entrou para o Conservatório de Moscou e estudou com Alexander Goldenweiser e Yevgeny Golubev. Após vencer a Competição Internacional Bach de Piano de Leipzig, acumulou um imenso repertório, abrangendo Beethoven, Bártok e diversos compositores. Foi uma das grandes intérpretes de Bach. Enquanto muitos pianistas escolhiam tocar em instrumentos de época, Nikolayeva preferia tocar Bach no moderno piano Steinway, sempre com grande sucesso. Suas composições incluem um concerto para piano em si maior, executado e gravado em 1951 e publicado em 1958, um trio para piano, flauta e viola, gravado pela BIS Records, prelúdios para piano e um quarteto de cordas. A partir de 1950, ela passaria a ser uma das grandes amizades de Dmitri Shostakovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após Nikolayeva gravar os &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/em&gt;, surgiram outras grandes gravações. Vladimir Ashkenazy, pela Decca, Keith Jarret, pela ECM, Konstantin Scherbakov, pela Naxos, e Boris Petrushansky, pela Dynamic, estão entre os poucos discos que disputam no mercado. Keith Jarret, mais conhecido como músico de jazz, afirmou o seu nome na música clássica pela ECM, com o seu toque de impecável técnica. Vladimir, Scherbakov e Petrushansky fizeram gravações notáveis, cada um com a sua interpretação única. E o próprio Shostakovich também gravou os seus &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas&lt;/em&gt;, pela EMI. Dessas gravações, a que possuo, até o momento, é somente a de Sherbakov, a qual considero uma pérola musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é Tatiana Nikolayeva a maior intérprete dessa obra cheia de nuanças, e quem desvenda com toque de perfeição o universo musical de Shostakovich. Ela gravou a obra por três vezes: duas pela BGM-Melodya, em 1962 e 1987, e a terceira pela Hyperion, em 1990. Todas as gravações supracitadas (exceto a primeira de Nikolayeva pela Melodya) encontram-se na internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa obra completa dura mais de duas horas. Os pianistas costumam executá-la em duas apresentações, tocando metade do ciclo em cada uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ordem dos prelúdios e fugas não é aleatória, nem escolhida por um critério extra-musical qualquer. Partindo de dó maior, percorre um ciclo de progressões harmônicas. Os prelúdios e fugas de Bach, no paralelo maior/menor, seguem a ordem da escala cromática ascendente (dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, etc.). Mas Shostakovich, a exemplo dos &lt;em&gt;24 Prelúdios&lt;/em&gt; de Chopin, com a relação do par maior/menor, segue o &lt;em&gt;ciclo das quintas&lt;/em&gt; (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, ré maior, si menor, etc.). E se a obra é construída em torno das 24 tonalidades, quer dizer que a música é &lt;em&gt;tonal&lt;/em&gt;. Sim, Shostakovich faz música tonal em plena era do atonalismo, mas com incursões atonais, abuso de dissonâncias e domínio da técnica com diferentes assimilações que sustentam o seu estilo singular e “poliestilista”. Nos Prelúdios e Fugas de Shostakovich há citações de Bach. Mas a substância dessa obra é a expressão musical única e interior do próprio compositor, Shostakovich, que com grande capacidade eclética e assimilativa, e sendo, ao mesmo tempo, profundamente original, percorre os mais diversos climas e variações de humor, com modulações ora bruscas e desconcertantes, ora tênues e elegantes. Serena, como na fuga n.º. 1 ou na fuga n.º. 13, brincalhona, como na fuga n.º. 3 ou no prelúdio n.º 21, a música de Shostakovich permeia os mais distintos aspectos da expressão musical.  Estranhas são as fugas n.º 8 e n.º 19, misteriosas; cômica é a fuga n.º 11, ousada é a fuga n.º 6, luminosa é a fuga n.º 7. Os prelúdios de Shostakovich às vezes combinam-se perfeitamente com as fugas, e eles se atraem; e às vezes se contrastam. As fugas magnificamente elaboradas são emolduradas pelos belos prelúdios que, no entanto, não devem ser considerados obras menores. Cada peça, além de ser parte essencial de um todo, é também uma pequena obra-prima à parte, de modo que o conjunto de &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/em&gt; formam, na verdade, uma coleção de 48 obras agrupadas em torno de um trabalho monumental e único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sujeito&lt;/em&gt; da Fuga n.º 1, em dó maior:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/subject.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/320/subject.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro &lt;em&gt;contra-sujeito&lt;/em&gt;, da mesma fuga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/counter.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/320/counter.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo &lt;em&gt;contra-sujeito&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/counter2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/320/counter2.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farei a seguir um comentário sobre cada uma dessas obras; um comentário, não é uma análise. São observações sem pretensão e que se permitem também à inescapável percepção  subjetiva, tão presente na apreciação de todas as artes, e – como não poderia ser diferente – também na música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trabalho de análise de cada uma das fugas é feito no site &lt;a href="http://www.earsense.org"&gt;http://www.earsense.org&lt;/a&gt; (em inglês), que possui vários artigos que explicam formas musicais, especialmente a fuga, com todos os seus elementos (&lt;em&gt;sujeito, contra-sujeito, episódios-divertimentos, pedal, cerrado-stretto&lt;/em&gt;, etc.). E faz uma análise detalhada de todas as 48 fugas do Cravo Bem-Temperado, de J. S. Bach, e também das 24 fugas de Shostakovich. Embaso-me em alguns de seus apontamentos (e também em algumas observações do encarte da Naxos). Para quem deseja se aprofundar no assunto, o trabalho vale a pena ser conferido. Nas minhas observações, irei postar os links. Para quem não possui muita familiaridade com o inglês, o uso de um tradutor on-line, como o do Google, pode ajudar bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.google.com.br/language_tools?hl=pt-BR"&gt;http://www.google.com.br/language_tools?hl=pt-BR&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também um trabalho feito em MIDI, disponível na página de José Alencar de Almeida Marques, que disponibiliza os midis de todos os 24 prelúdios e fugas de Shostakovich, trabalhados em rubato e dinâmica, muito bem seqüenciados. Para ir para sua página e baixá-los, &lt;a href="http://www.unicamp.br/~jmarques/mus/opus87/index-p.html"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.unicamp.br/~jmarques/mus/opus87/index-p.html"&gt;http://www.unicamp.br/~jmarques/mus/opus87/index-p.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, finalmente, é possível ouvir trechos de interpretações reais de cada um dos prelúdios e fugas através do &lt;a href="http://www.iclassics.com/productDetail?contentId=2051"&gt;site abaixo&lt;/a&gt;. Tratam-se de trechos da gravação de Vladimir Ashkenazy. Após ouvir, você ficará morrendo de vontade de, o mais rápido possível, adquirir uma gravação completa (qualquer das supra-citadas) desses maravilhosos e musicais 24 Prelúdios e Fugas, e fazer uma viagem pelo universo musical de Shostakovich..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.iclassics.com/productDetail?contentId=2051"&gt;http://www.iclassics.com/productDetail?contentId=2051&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 1 em dó maior – Moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prelúdio que abre o ciclo é um hino meditativo em ritmo de sarabanda. Há deliciosas modulações permeadas por dissonâncias tranqüilas que nos inserem, suavemente, na candura musical do espírito de Bach, presente na fuga que virá a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 1 em dó maior – Moderato&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira fuga dessa coleção inicia-se com um tema (&lt;em&gt;sujeito&lt;/em&gt;) de suave doçura, que prenuncia a simplicidade temática de algumas das fugas presentes na obra, cujas modulações pós-românticas não ofuscam a essência de cristalino lirismo arcaico presentes em si, que nos remetem ao passado de Roland de Lassus, Palestrina e J. S. Bach, vultos essenciais do contraponto universal.  É música bela e tranqüila, cuja singeleza esconde a complexidade e maestria de sua arte polifônica. As duas primeiras notas da fuga – dó e sol – assinam a fidelidade ao tom de dó maior que será presente no contraponto, mantendo surpreendentemente todas as notas diatônicas sem um único acidente até o fim da peça (ao contrário do prelúdio inicial), mas com modernas dissonâncias, permanecendo, nas teclas brancas, a lealdade ao compositor do passado que a inspirou (Bach), e à harmonia do seu tempo (Shostakovich), que conduz ao futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/01/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/01/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/01/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/01/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 2 em lá menor – Allegro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extremamente ágil, é predominado por arpejos descendentes em semicolcheias que causam um agradável efeito sonoro, borbulhante, no tom menor, mas brilhante. Avalanche de sons que correm em uma espécie de &lt;em&gt;moto perpetuo&lt;/em&gt;, sem fôlego. Esboços harmônicos. Notas escorregadias que nos escapam, sendo difícil distingui-las. Apenas o burburinho breve e constante que repousa e cessa somente no fim, tão rapidamente como se iniciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 2 em lá menor – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito dessa fuga é bastante semelhante ao da Fuga n.º 2 em dó menor do Cravo Bem Temperado, Livro I, como bem demonstra a análise do site Earsense. Mas a expressão é tipicamente shostakovichiana, no antagonismo do contra-sujeito, e num certo toque de humor e sarcasmo, característico do compositor de Leningrado. Depois de as três vozes exporem o sujeito, a re-exposição aproveita o &lt;em&gt;contra-sujeito&lt;/em&gt;, com variações, produzindo um efeito semelhante ao de uma &lt;em&gt;fuga-dupla&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/02/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/02/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/02/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/02/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 3 em sol maior – Moderato non troppo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com temas expostos predominantemente em uníssono e oitavas, o prelúdio impõe certa austeridade, com contraste entre o registro grave e o agudo. Presente a influência de &lt;em&gt;Quadros de uma Exposição&lt;/em&gt;, de Mussorgsky, o grande músico russo auto-didata que foi uma das maiores influências de Shostakovich. O prelúdio termina tenso e grave, contrastando com a fuga que virá a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para baixar gratuitamente o mp3 completo de Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky, versão para piano, &lt;a href="http://www.serg.vangennip.com/www/piano.html"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.serg.vangennip.com/www/piano.html"&gt;http://www.serg.vangennip.com/www/piano.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 3 em sol maior – Allegro molto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Súbita mudança de humor. A austeridade imponente cede lugar a um humor infantil. O contraste entre prelúdio e fuga é perfeito, e mesmo contrastando-se, elas se combinam perfeitamente, como uma peça única. A entrada do sujeito é brilhante, em escala ascendente de semicolcheias, veloz, saltitante. Predomina, na peça, o humor – não mordaz como na fuga anterior, mas um leve humor. A fuga é otimista e divertida, irrequieta, com estripulias de uma criança brincando no parque. O início (“cabeça”) do sujeito é usado e abusado, em entradas que se interpelam, sobrepostas, completas e incompletas, verdadeiras e falsas. No final há uma &lt;em&gt;aumentação&lt;/em&gt;* do início do sujeito, em uma complexa interação com o final do motivo, que conduz a saltitante fuga a um fim mais contido. Simplesmente um encanto essa fuga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;aumentação&lt;/em&gt;: técnica da fuga em que se dobra o valor das notas do sujeito no desenvolvimento do contraponto, de modo que cada colcheia passa a ser semínima, e as semínimas passam a ser mínimas, etc. Às vezes o sujeito &lt;em&gt;aumentado&lt;/em&gt; interage fazendo “eco” com o sujeito original, em uma complexa sobreposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/03/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/03/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/03/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/03/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 4 em mi menor – Andante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um belo prelúdio, que inicia-se meditativo, introspectivo, modesto, nobre, com uma ligeira melancolia. Sutil, mas eloqüente, expressivo, lembrando aspectos de Beethoven e Tchaikovsky. Belas dissonâncias em intervalos de segunda maior e segunda menor Repentinamente, há um pequeno fecho de luz, um re-ânimo: lá bemol maior. Mas uma cadência faz o prelúdio retornar ao seu espírito inicial, ruminante, introspectivo. Nobre espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 4 em mi menor – Adagio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes) fuga dupla&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fuga inicia-se nobre, com a mesma indulgência que esboçou o prelúdio. Mas agora, calma, serena, conduz sutilmente o contraponto a uma jornada que será épica. Magnífico contraponto, digno de Bach. É uma &lt;em&gt;fuga-dupla&lt;/em&gt;, que expõe e desenvolve dois sujeitos, e depois os justapõem em um trabalho de mestre. Não se engane: aqui, a polifonia é genial, e, na minha modesta opinião, ponto alto de um dos momentos mais sublimes de Shostakovich, e da própria história do contraponto. Um trabalho realmente épico, em que há momentos magistrais, com imitações canônicas, um primoroso stretto, entradas paralelas e justaposições majestosas que retumbam em um clímax colossal, tendo como desfecho uma &lt;em&gt;terça de picardia&lt;/em&gt;* transcendente.  Formidável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;terça de picardia&lt;/em&gt;: modulação do tom menor para a relativa maior, que produz uma sensação semelhante à passagem da escuridão para a luz, do sombrio para o claro. Nessa fuga em mi menor, que culmina em mi maior (último acorde), o efeito é magnífico, fazendo jus ao recurso tão empregado no período barroco, especialmente por J. S. Bach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/04/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/04/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/04/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/04/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 5 em ré maior – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu gosto desse prelúdio! Belos floreios em arpejos ascendentes, que se iniciam na mão direita, enquanto o baixo faz o desenho melódico. Luz, singeleza, graciosidade, ternura. É de grande estética a passagem em que os arpejos passam para a mão esquerda, e a mão direita inicia uma bela e doce melodia, tocante, cheia de vida. Depois os arpejos, que permeiam toda a peça, retornam à mão direita, adornando a linha melódica inferior novamente, até esmorecer de modo tocante e suave. Ao terminar a peça, estará perfeitamente preparada a atmosfera para a fuga que virá seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 5 em ré maior – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impressionante a atração que possui essa fuga com o prelúdio que a precede! Ambos formam uma única peça, são inseparáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mesmo clima é a fuga: fresca, relaxante, cheia de luz. Brusca e desconcertante é a modulação para si bemol maior, com a entrada do sujeito na nota fá (quinta justa). O sujeito é peculiarmente interessante, com toques de notas sucessivas em colcheias, que propiciarão um clímax simplesmente fantástico e engenhoso, com esperas, entradas incompletas, cortes de compasso e outros truques que levam o eco da “cabeça” do sujeito a um stretto realmente espetacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/05/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/05/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/05/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/05/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 6 em si menor – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Turbulento, escuro, penetrante, como pensamentos inquietos noturnos sob o luar. Expressivos graves profundos, pianísticos. Os saltos de notas pontuadas predominam do início ao fim.  Com o poético frescor da penumbra, esse prelúdio é um belo par com a fuga que o sucede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 6 em si menor – Moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga é muito interessante! O mesmo frescor noturno soprado pelo prelúdio  antecedente a conduz a uma agradável combinação de notas graves. Ambos possuem a mesma coloração e textura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui Shostakovich faz música ousada e provocante, desafiando os limites de sua própria criatividade. Com certeza essa fuga é atrativo para qualquer estudioso do contraponto, e dá margem a variadas constatações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro ponto: surge, de início, com uma entrada paralela, algo inusitado em uma fuga (quando ocorre, costuma ser no final). Ou seja, duas vozes, em oitavas, expõem o tema, conferindo maior força ao sujeito. Repentinamente, o sujeito muda de característica bruscamente, ganhando nova impulsão rítmica, em uma repetida seqüência de novos motivos. Entra então outra voz expondo o sujeito com o motivo inicial, desta vez sem paralelismo. Enquanto isso a voz inicial continua com os mesmos motivos surgidos abruptamente na segunda parte da exposição do sujeito. Curioso efeito! Estamos diante de uma ambigüidade: onde inicia-se o contra-sujeito? Para entender essa questão é necessário observar a partitura, o próprio midi, ou ouvir a interpretação do pianista com muita atenção, e sabendo discernir as vozes. O contra-sujeito é exposto antecipadamente? Ou o sujeito é prolongado? Como um objeto quântico, ele muda conforme o observador. E abre-se espaço para muitas interpretações. A multiplicidade no tratamento dos motivos possibilita essa ser uma fuga-dupla, ou talvez até uma tripla, conforme a sua perspectiva. Trata-se, talvez, de uma provocação de Shostakovich?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para acompanhar uma análise detalhada da fuga, veja a página do Earsense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente de suas questões técnicas, o efeito é realmente compensador. Intrigante. &lt;br /&gt;E há, por fim, interessantes seqüências canônicas, episódios, e um longo pedal* no fim, muitos atrativos que fazem dessa fuga uma obra singular e magnífica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* pedal: nota prolongada, que costuma ser empregada no final da fuga, geralmente no baixo, e geralmente na tônica, que sustenta e reforça a tonalidade enquanto as outras vozes percorrem modulações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/06/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/06/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/06/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/06/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 7 em lá maior – Allegro poco moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prelúdio é uma invenção a duas vozes, em que ambas se imitam reciprocamente, lembrando as formas barrocas. Curto, gracioso, com predominância das notas agudas do piano, prenuncia o brilho da fuga seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 7 em lá maior – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shostakovich não se cansa de nos surpreender. O sujeito dessa fuga, tão saltitante, variado, é composto, porém, de apenas três notas: lá, dó sustenido e mi, as três notas do acorde de lá maior. Algo raro em uma fuga. Isso significa que harmonicamente ele “não sai do lugar”. Permanece em lá maior. E os dois contra-sujeitos também se restringem às apenas três notas da tríade! Com as entradas das outras vozes, isso cria uma longa cadência apenas tônica-dominante-subdominante-tônica (I-V-IV-I), sem que seja, entretanto, monótona. Pelo contrário, essa fuga é cheia de vigor, movimentada, e de impressionante contraste entre o sujeito e os contra-sujeitos. Luminosa, brilhante, suas  notas, que sobem e descem pelo registro agudo, rutilam como breves faíscas cintilantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/07/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/07/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/07/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/07/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 8 em fá sustenido menor – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicia-se com um acompanhamento repetitivo no baixo, sobre o qual a melodia da mão direita se sobrepõe. As passagens de saltos e cromatismo da melodia, contrastadas com o acompanhamento insistente e quase monótono do baixo dão um certo aspecto de humor sarcástico ao prelúdio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 8 em fá sustenido menor – Andante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se essa fuga fosse apresentada nas igrejas aos monges medievais, com certeza seria expulsa do templo. Os monges acreditavam nos significados espirituais dos intervalos. A quinta justa (dó – sol), a consonância perfeita, era o intervalo sagrado. E o trítono (fá – si, ou dó – fá#), dissonante, era considerado um intervalo “diabólico” – &lt;em&gt;diabolus in musica&lt;/em&gt;. Na música sacra evitava-se o trítono, e o si era rebaixado meio tom (si bemol). O trítono (quarta aumentada, igual à quinta diminuta, no sistema temperado) é um intervalo formado por três tons inteiros – daí o nome, e é a metade de um intervalo de oitava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, nessa fuga Shostakovich usa e abusa do trítono. É um brusco contraste com a fuga antecedente. Estranha, fria, indiferente, indefinida, misteriosa, sombria, dark, como a fuga n.º 19, em mi bemol maior. O sujeito possui dois motivos. O primeiro tem três notas: lá, si e fá sustenido. Esse motivo é indefinido, ambíguo, e não chega a afirmar a tônica. Tende à relativa lá maior (tonalidade do par prelúdio-fuga anterior). É repetido duas vezes. Depois aparece o segundo motivo, que é repetido três vezes. Nas duas primeiras vezes, ocorre o trítono. Estranhíssimo, provocante, salto de lá para mi bemol. Na terceira vez, há um relaxamento da tensão. Logo após, o primeiro motivo é repetido novamente, completando esse sujeito longo, indefinido e estático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os dois contra-sujeitos também possuem... o trítono! Tornando a tonalidade ambígua, e a música, assombrada, fantasmagórica. Aparecem também acordes de sétima maior. No fim da fuga se desenvolve uma interessante seqüência de stretto, entradas paralelas e graves profundos que, a despeito da característica originalmente litúrgica do contraponto gótico, nos remetem mais aos castelos mal-assombrados do que às antigas catedrais medievais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/castelo.2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/400/castelo.1.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/08/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/08/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/08/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/08/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 9 em mi maior – Moderato non troppo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranqüilo, praticamente todo em uníssono, reveza-se em um diálogo entre o registro agudo e o grave, em oitavas paralelas. Com essa “orquestração”, as notas altas (agudas) lembram o suave tanger da marimba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 9 em mi maior – Allegro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a duas vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se engane. Não é Bach, é Shostakovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única fuga a duas vozes do ciclo é de uma característica clássica pela qual poderíamos jurar que foi composta por J. S. Bach. Shostakovich possui em sua mente muito bem assimilado o espírito e a técnica da fuga do seu mestre barroco, enquanto escreve a sua. Aqui, o espírito bachiano exorciza, quase que por completo, as assombrações da fuga anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrita para fuga a duas vozes não é menos complexa do que a da fuga a três ou quatro vozes. Pelo contrário, as vozes se obrigam a um diálogo e sobreposição constante, sem interrupção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vibrante, elaborado, com &lt;em&gt;inversões&lt;/em&gt;*, esse pastiche é muito mais do que uma mera paródia de um dos cânones da música ocidental. É uma verdadeira homenagem a Johann Sebastian Bach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu aprofundamento no estudo contrapontístico, teria Shostakovich se igualado ao mestre barroco? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após terminar o seu ciclo de 24 prelúdios e fugas, Shostakovich teria dito: “Eu retornei ao formalismo. Bach é imbatível em seu terreno. Só podemos superá-lo na revolta furiosa e na dor interior”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;inversão&lt;/em&gt;: técnica da fuga pela qual uma voz imita a outra em direção oposta. Assim, a inversão da seqüência ascendente “dó-ré-mi” é a escala descendente “dó-si-lá”, e a inversão do salto ascendente “dó-mi-fá” (uma terça maior e um semitom) é o direcionamento descendente “dó-láb-sol”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/09/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/09/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/09/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/09/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 10 em dó sustenido menor – Allegro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente, o espírito bachiano. E, novamente, o prelúdio é um diálogo entre a mão direita e a mão esquerda. Dessa vez, uma &lt;em&gt;invenção&lt;/em&gt; a duas vozes cheia de energia, e com belas seqüências canônicas aproveitando os extremos graves e agudos pianísticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 10 em dó sustenido menor – Moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga, contida, meditativa, prenuncia a melancolia presente na fuga n.º 24 em ré menor (um semitom acima da que aqui se faz presente), graças ao efeito do salto descendente de quinta justa, seguido do salto ascendente de quarta justa, que aparece duas vezes no sujeito de ambas as fugas, as quais possuem o mesmo andamento – Moderato. Essa similaridade é uma assinatura nostálgica de Shostakovich, que leva, de modo tonal, o contraponto assimilado dos mestres antigos a um patamar de profunda expressão saudosista, quase um leve suspiro de desabafo. Nobre, contido. E há também ingenuidade, que é talvez o que tenha de mais autêntico nesses 24 Prelúdios e Fugas, pois são padrões que se repetem, ora melancólicos (como nas fugas em tom menor relacionadas), ora aconchegantes, mas sempre singelos. E essa simplicidade se reflete geralmente em fugas a quatro vozes. Na fuga n.º 1, n.º 4, n.º 13 (essa a cinco vozes), n.º 18, n.º 20, n.º 22, n.º  23 (essa a três vozes) e n.º 24. Os sujeitos, são simples, e os motivos, despretensiosos. E essas características que relacionam introversão, melancolia, nobreza, candura e singeleza nos remetem à personalidade e mundo interior de Dmitri Shostakovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/shostakovich.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/320/shostakovich.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pude notar que por trás daqueles óculos redondos seus olhos denunciavam uma tristeza misteriosa”. (conto &lt;a href="http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/voz-verdadeira.html"&gt;&lt;em&gt;A Voz Verdadeira&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, de Berber, postado no &lt;strong&gt;Mnemosina&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademais, essa fuga em dó sustenido menor contém uma coda que é um verdadeiro diálogo canônico, cativante. Uma fuga é mais do que a sobreposição entre o sujeito e o contra-sujeito. Entre as re-exposições há &lt;em&gt;episódios&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;divertimentos&lt;/em&gt; que transitam as reaparições. E, geralmente, há também uma pequena coda entre a exposição do sujeito na segunda voz (dominante) e a exposição do sujeito na terceira voz (tônica), que é uma curta cadência, ponte de ligação e retorno à tônica. Nessa fuga, a coda que conduz ao retorno da tônica (exposição na terceira voz) é uma cadência prolongada, de quatro compassos, praticamente da mesma extensão do sujeito! Isso prolonga sempre o retorno do sujeito, nos brindando com uma espera de magnífico deleite, que é essa coda canônica, imitativa tal qual o prelúdio anterior, e que em uma seqüência de diálogo entre as vozes que caminham lado a lado, com respostas de perfeito acordo e harmonia, enleva-nos, rumo ao eterno senso de fraternidade universal. No fim há um longo pedal que conduz ao stretto essa fuga de encanto e doçura, verdadeiro manjar dos deuses, ambrósia de calda do néctar puro, que purifica e perpetua o cândido espírito de todo o mortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/10/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/10/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/10/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/10/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 11 em si maior – Allegro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui a criança que há em Shostakovich brinca novamente. Ágil, extremamente leve e bem-humorado, e de caráter cômico intrínseco, esse prelúdio é uma pura diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 11 em si maior – Allegro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fuga entra no mesmo espírito, sem transição. E há um episódio (motivo), antes da exposição na terceira voz  do sujeito, que é de morrer de rir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ingênuo, infantil, otimista, hilário, risonho, e após uma corrida alegre e incansável, o contraponto nos leva ao final com uma completa e engenhosa aumentação do sujeito, em um stretto realmente espetacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/11/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/11/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/11/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/11/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 12 em sol sustenido menor – Andante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse fantástico prelúdio é grave, em toda a acepção da palavra. Austero, imponente, inicia-se com notas densas, em oitavas paralelas na mão esquerda, que expõem um longo tema, o qual será onipresente em toda a peça, predominada pelo registro grave do piano. É uma passacaglia de grande poder dramático. A perpétua repetição do tema nos remete a algum conteúdo programático, extra-musical, que não se sabe bem qual é. Embora talvez possa passar imperceptível, esse prelúdio é de grande força, grandioso. Na própria versão midi indicada é possível verificar o poder e força desse prelúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a incessante repetição do tema da mão esquerda, desenvolve-se na mão direita uma melodia, em contraponto, que inicia-se também no registro grave, primeiro com notas isoladas, e depois com outras vozes independentes, a duas, e depois a três vozes, que vêm se juntar à engenhosa trama polifônica. A mão direita sobe em direção ao registro médio e agudo, e inicia um belo acompanhamento predominado por colcheias, contrastando-se com a estática, insistente e obsessiva repetição do tema da mão esquerda.  Depois desse belo e fortíssimo contraste polifônico, o tema obsessivo em oitavas paralelas do baixo passa para a mão direita, agora com acordes de duas e de três notas, e o baixo, ainda em oitavas paralelas, passa a desenhar um acompanhamento melódico. Logo o tema onipresente retorna para o baixo, e a mão direita prossegue no expressivo contraste melódico, agora a duas vozes. Aos poucos as colcheias que permeiam a linha melódica dão lugar ao revezamento sincopado, com a presença de acordes dissonantes, num aprofundamento do engenhoso contraponto, até começar a antecipar o tema incessante do baixo, que passará a ser eco e imitação da voz superior, com três e com dois tempos de atraso, até a mão direita retornar ao registro grave, encerrando indefinido, com um suspenso acorde de super-dominante (VI), esse prelúdio simplesmente épico e magnífico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 12 em sol sustenido menor – Allegro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga, tensa, inquieta, acumula a tensão da energia dos prelúdios e fugas anteriores, e do prelúdio antecedente, encerrando de maneira muito singular a metade desse ciclo de Prelúdios e Fugas. Em 5/4, cromática, possui grande propulsão rítmica, e os contra-sujeitos são justapostos ao sujeito engenhosamente, de forma que se ouve uma inesgotável cascata de sons que preenche todos os espaços de subdivisões de meio tempo. É como se em todo lugar houvesse uma colcheia, mas o que há é também semínimas e semínimas  pontudas que se revezam entre as vozes de modo a preencher todas as lacunas de metades de tempo. O contra-sujeito imita o sujeito em um eco súbito, criando uma densa e poderosa textura. Repentinamente surgem notas paralelas em algumas vozes, acordes (!) nas vozes isoladas, dando maior força “orquestral” à fuga. Depois, repentinamente, todo o rumor cessa, cedendo lugar a uma exposição solitária do sujeito (algo raro em Shostakovich), até retornar as vozes com variações de elementos e, surpreendentemente, afrouxamento de toda a tensão, relaxando após em um stretto, e finalizando em uma terça de picardia, com o acorde de sol sustenido maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/12/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/12/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/12/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/12/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 13 em fá sustenido maior – Moderato con moto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda metade do ciclo inicia-se com um fresco e amável prelúdio, que prepara o clima para a graciosa serenidade da fuga que virá a seguir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 13 em fá sustenido maior – Adagio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a cinco vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a única fuga a cinco vozes do ciclo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorável. Relaxante. Mais do que isso, é um porto seguro onde todas as tensões anteriores descansam. Inicia-se serena, na brilhante tonalidade de fá sustenido maior. Bálsamo para as feridas da épica anterior jornada, juntamente com o seu prelúdio, é pórtico tranqüilo de um novo começo, a ressurreição, uma nova esperança. Tocante é o diálogo entre o sujeito e os contra-sujeitos, e de singular beleza é a entrada do sujeito na terceira voz, que retorna a tônica com um lindo intervalo de segunda menor. Aqui, há aconchego, há paz, há calor. Gentil, de suave candura e singeleza, como uma doce canção que se faz a uma esposa, é juramento de lealdade, perpétuo equilíbrio, e repouso. Essa fuga é um verdadeiro poema de paz interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após emocionantes e harmoniosos diálogos entre as vozes, e quando parece já esmorecer, a fuga reaviva com um novo motivo, que a impulsiona, no mesmo clima de afabilidade esboçado já desde o prelúdio, a uma movimentação mais intensa. Parece (o motivo) um novo sujeito, de uma fuga dupla. Mas não é. É a diminuição* do sujeito, que interage com o sujeito original e com outros motivos com uma sobreposição complexa. E depois, infelizmente, essa fuga acaba – poderia continuar perpetuamente! Mas conclui com perfeição a ternura que fica-nos, no espírito, e permanece, e sobrevive, após a implacável barra final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* diminução: técnica da fuga em se que reduz à metade o valor das notas do sujeito no desenvolvimento do contraponto, de modo que cada mínima passa a ser semínima, e as semínimas passam a ser colcheias, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/13/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/13/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/13/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/13/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 14 em mi bemol menor – Adagio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o prelúdio n.º 5 em ré maior, esse prelúdio emoldura com perfeição a fuga a que precede; a prepara, a amadurece, a aperfeiçoa. Belo, fresco, escuro. A borbulhante alternação de oitavas que permeia toda a peça produz, no final, o efeito de nítida sensação da inusitada tonalidade de mi bemol menor, a qual permanece, claramente, em nossos ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 14 em mi bemol menor – Allegro non troppo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encaixe perfeito entre o prelúdio e a fuga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga, em 3/4, soa como uma marcha em ritmo binário, 6/4. Mais uma vez Shostakovich demonstra perfeição no encaixe entre o sujeito e os contra-sujeitos, preenchendo com som todas as subdivisões de tempo (que seriam as colcheias). Bem elaborada. Fresca, aquática, singela, noturna. Um encanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/14/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/14/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/14/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/14/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 15 em ré bemol maior – Moderato non troppo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta o espírito cômico. Animado, verdadeiramente hilário, com influência do ragtime (jazz), e com grande contraste de tonalidades, esse prelúdio mostra mais uma vez o grande talento de Shostakovich para expressar o humor. Continua na fuga seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 15 em ré bemol maior – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extremamente cromática, essa fuga é de extrema complexidade. Seu balanço, seu swing, seu virtuosismo, seu cromatismo a tornam essencialmente jazzística. E o humor é o mesmo do prelúdio, cômico, hilário ao extremo. A quatro vozes, é de densa textura, com entradas paralelas que formam cheios e coloridos acordes. Mais uma vez ocorrem as entradas paralelas dentro das vozes isoladas, e o stretto dessa fuga é simplesmente fenomenal. Combina o sujeito com duas variações de aumentação do sujeito, em uma ordem de complexidade matemática que sustenta toda a aparente desordem, tornando essa uma obra um exemplo de contraponto da mais elevada complexidade da fuga, não menos do que genial. Infelizmente (ou felizmente), sua tamanha complexidade e seu cromatismo que beira ao atonalismo dificultam a análise, que deve ser muito cuidada e estudada. Ao traçar essas observações, amparo-me na análise do referido site da Earsense, que demonstra os detalhes que inevitavelmente nos escapam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito de todos os pormenores técnicos, o humor escancarado presente nessa fuga e o seu contagiante embalo a torna acessível a todo ouvinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/15/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/15/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/15/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/15/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 16 em si bemol menor – Allegro molto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as peças do ciclo não sofreram muitas correções. Exceto esse prelúdio, cuja versão inicial desagradou o compositor, que o substituiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja lá qual tenha sido a versão inicial, &lt;em&gt;ainda bem&lt;/em&gt; que Shostakovich a trocou por esse prelúdio admirável. Trata-se de um pequeno ciclo de variações sobre um tema com interessantes progressões harmônicas. As variações progridem, em colcheias, depois em tercinas, até alcançar as semicolcheias, terminando em uma belo contraponto a duas vozes, que é seguido de uma cadência que leva à repetição do tema original, finalizando suavemente em um grave profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 16 em si bemol menor – Andante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longa, lenta, com excesso de ornamentos, floreios, sensível, suave, feminina, sinuosa, ondulante, com variações de compasso (4/4 e 5/4), essa fuga possui uma clara distinção entre as vozes. Aproveitando as definições do Earsense: “sensual, transparente, delicada; a atmosfera é escura, exótica, perfumada, como incenso”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De essencial índole barroca, os contra-sujeitos respondem ao sujeito em um complexo diálogo e retórica, como em um encontro de idéias muito elevado, inteligente, sofisticado, em que somente o trio de vozes compreende, mutuamente, o majestoso significado de seus ideais. E, ao espectador, resta somente apreciar o equilíbrio dessa linguagem tão bela e desconhecida, e o acordo final entre as partes, na graciosa tonalidade de si bemol maior (picardia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/16/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/16/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/16/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/16/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 17 em lá bemol maior – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prelúdio é uma ingênua e graciosa invenção em três seções, em que a mão esquerda imita a mão direita, em revezamento, cada um dos três longos temas. No final retorna o primeiro tema, agora com terças paralelas, finalizando com a mesma serenidade que abrirá a fuga seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 17 em lá bemol maior – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 5/4, de mesmo clima que o prelúdio, singela, branda, fresca, adorável, dourada, expõe, desenvolve e fragmenta o sujeito, como a &lt;em&gt;forma-sonata&lt;/em&gt;, tendo como clímax um stretto com a aumentação do mesmo sujeito, e depois o “re-expõe”, terminando com a mesma tranqüilidade inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/17/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/17/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/17/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/17/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 18 em fá menor – Moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prelúdio abre com uma serenidade bachiana. Seguem gentis e interessantes progressões harmônicas. O prelúdio termina com uma cadência estranha, provocante e misteriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 18 em fá menor – Moderato con moto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga, sutil, contida, suave, delicada, serena, meiga, possui um motivo, cuja colcheia é aproveitada no stretto, formando uma complexa sobreposição, que dá a ilusória aparência de entradas falsas e incompletas. Mas o esquema é engenhoso: são entradas completas, e essa fuga tranqüila termina com a mesma cadência estranha, provocante e misteriosa que encerra o prelúdio, antes do acorde de fá menor final. Estará a prenunciar a fuga a seguir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/18/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/18/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/18/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/18/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 19 em mi bemol maior – Allegretto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse prelúdio, instável, incerto, inconstante, com passagens nubladas, com contrastes, com conflitos, com toques sutis, prepara, como um estratagema, sorrateiramente, o clima sombrio da fuga seguinte. Os fantasmas de Shostakovich, outrora exorcizados, preparam-se para invadir a cena novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 19 em mi bemol maior – Moderato con moto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que os monges puritanos medievais gostariam de ouvir essa fuga? hehe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a fuga n.º 8, essa fuga apresenta intervalos e acordes extremamente dissonantes. É sombria, misteriosa, gélida, arrepiante, agourenta, macabra, tortuosa, aterrorizante. Indefinida e enigmática, possui saltos ascendentes de terça maior seguidos de saltos descendentes de terça menor, que criam uma forte tensão, a qual se sustenta, por toda a peça, e nunca se resolve. A três vozes, como a fuga n.º 8, e de compasso 5/4, é extremamente cromática, e apresenta desconcertantes episódios (motivos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro contra-sujeito é fragmentado, com pausas e sutis contratempos, em contorções de serpente. O segundo contra-sujeito contém um misto da personalidade do sujeito com a do primeiro contra-sujeito, tornando a música verdadeiramente mal-assombrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se lembrar que, apesar de ser extremamente cromática e quase atonal, essa fuga é tonal, e segue a convenção do sistema herdado e transmitido por Bach, como todos os prelúdios e fugas que compõem esse ciclo de peças em todas as 24 tonalidades. E mesmo em plena era do atonalismo, o fato de esses cromatismos e dissonâncias estarem inseridos no contexto da tonalidade, precisamente dentro do ciclo de progressões das quintas, torna-os singularmente contrastantes, tensos e angustiantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dirão: “A música não evoca imagens subjetivas. O que importa é somente o som”. Okay, a música não é cinema, nem literatura, e não possui uma linguagem que permite a transmissão de expressões extra-musicais nítidas, definidas e claras. Mas, como toda a arte, induz também ao subjetivo, e como disse Beethoven: “A música é capaz de reproduzir, em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que inebria”. E, especialmente no caso de Shostakovich, a arte demonstra também o seu poder de comunicação de emoções genéricas, com forte e implícito conteúdo biográfico. E é isso que a torna (a música) tão sublime: ela agrada a todos. Aos ouvintes símplices, ao público sensível, ao músico virtuoso e ao teórico catedrático. Sob todos os primas, a música transmite o seu poder de apreciação e interpretação infinita, e escapa de qualquer tipo de posse ou mérito. Ela não é do musicólogo, do intérprete, do maestro, do ouvinte, nem do compositor. Ela é universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/19/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/19/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/19/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/19/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 20 em dó menor – Adagio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prelúdio, mussorgskiano, contido, introspectivo, calmo, reflexivo, abre anunciando o tema (sujeito) da fuga a seguir. Após uma bela seqüência rica em acordes modais, relaxantes e dissonantes, encerra-se esplendidamente, de modo perfeitamente tonal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 20 em dó menor – Moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga possui uma grande coesão e padrão, graças a repetição constante de seus essenciais elementos. Entre a segunda e a terceira exposição do motivo há uma longa cadência, que dá perfeita unidade, naturalidade e uniformidade à peça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquí, mais uma vez, a nobreza, ingenuidade, serenidade, lealdade, “timidez” e elegância de Shostakovich se faz presente. E a fuga termina brilhante, na relativa maior (picardia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/20/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/20/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/20/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/20/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 21 em si bemol maior – Allegro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esse prelúdio é uma verdadeira comédia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como o  &lt;em&gt;vôo do besouro&lt;/em&gt;* na versão do moderno ragtime (jazz), de Fats Waller, Zez Confry, James P. Johnson e Oscar Peterson. Shostakovich é desbravador e eclético através dos mais diversos gêneros, e flerta mais uma vez com o jazz americano, como no Prelúdio n.º 15 em ré menor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse trecho do Earsense traduz com perfeição o espírito desse prelúdio, em moto perpetuo, verdadeiramente cômico e animado, como os desenhos animados infantis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;“O Vôo do Besouro”: &lt;/em&gt;trecho da ópera “O conto do Czar Saltan”, de Rmsky-Korsakov, um dos mestres russos que influenciou Shostakovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 21 em si bemol maior – Allegro non troppo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humor de “desenho animado infantil” permanece. Essa fuga é muito bem elaborada, com episódios, falsas entradas e inversão do sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem humorada, em 3/4, com fortes acentos e &lt;em&gt;staccatos&lt;/em&gt;, articula a dança frenética e sincopada que faz a música de Shostakovich ser, mais uma vez, pura diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/21/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/21/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/21/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/21/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 22 em sol menor – Moderato non troppo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sutil, escuro, ligeiramente tenso, ligeiramente dramático, cria uma atmosfera de leve suspense e mistério, uma leve suspeita, quase imperceptível, como uma preocupação com a iminência de algo, graças às intrigantes progressões que a sua harmonia sutilmente evoca. A penetrante melodia da mão direita é acompanhada por tríades do baixo, que sustentam a enigmática progressão harmônica. Depois, o papel se inverte, passando as tríades para a mão direita, e a melodia para a mão esquerda, por pouco tempo, voltando, após, ambas à função inicial. Depois ocorrem mais alguns revezamentos e variações, e o prelúdio se encerra sutilmente, sem resolver as suas inquietações interiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 22 em sol menor – Moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a fuga que relaxará a tensão do prelúdio antecedente. Leve, tranqüila, despreocupada, possui uma longa cadência antes da terceira exposição do sujeito. O início do motivo (“cabeça”) possui uma característica e personalidade própria, que será aproveitado no stretto, com variações e com entradas falsas e incompletas, causando um efeito semelhante ao de várias entradas completas sobrepostas. Verdadeiramente calma e repousante essa fuga, que possui também elementos folclóricos russos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/22/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/22/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/22/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/22/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 23 em fá maior – Adagio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prelúdio é uma bela canção de esperança, altruísmo e otimismo. Há calor, há aquiescência. Bem humorada, pacificante, e de mesma índole da fuga com a qual faz par, ilumina o espírito, com a beleza contagiante de um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 23 em fá maior – Moderato con moto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a três vozes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mesma leveza que o prelúdio, é como uma canção de ninar. Doce, lírica. Tudo se harmoniza. Tudo se confraterniza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga possui um prolongado episódio antes da entrada da terceira exposição do sujeito (terceira voz), impulsionado pelo cativante balanço do contra-sujeito. O stretto é fantástico, com múltiplas variações e encantadores divertimentos. E o final é repousante, equilibrado, naturalmente tonal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/23/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/23/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/23/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/23/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prelúdio n.º 24 em ré menor – Andante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É grandioso e de rara beleza esse prelúdio, que reflete novamente a influência de Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky. Nobremente, e com emoção e lirismo, prenuncia, de forma clara e serena, o tema (sujeito) da grande fuga que está prestes a surgir. Poderoso, denso, dramático, com o baixo em oitavas, prepara temática e emocionalmente o contraponto que encerrará o ciclo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emocionante esse prelúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fuga n.º 24 em ré menor - Moderato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a quatro vozes) fuga dupla&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema bosquejado suavemente pela peça anterior ganha cores, com fresca melancolia, nessa fuga, que inicia-se suavemente, em pianíssimo, lá de baixo, e subindo lentamente, gradativamente, com emoção contida e refletida, remanescente de uma longa jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a peça de maior melancolia dentre todas do ciclo, combina o triste sujeito com os contra-sujeitos que o acompanham na mesma nostalgia, com lirismo, com doçura, e resignação, refletindo, com profundidade, sobre a verdade ilusória da vida, através de um passado longo e distante, que se derrama com a beleza e a transparência de uma lágrima. Belas são as lágrimas! Puras, límpidas, verdadeiras, cristalinas. E, movido pela arrebatadora energia que brota do íntimo do ser, pela reflexão e reminiscência profunda, o passado se dissolve, e se transfigura em uma força inabalável, invencível, indestrutível, pelo qual o viajante se levanta, e, ao erguer a cabeça, segue em direção à vitória, purificado pelas lágrimas, e um raio de esperança, a brilhar, faz dissipar todas as nuvens do horizonte nublado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim surge o segundo sujeito, o segundo sujeito dessa que é uma fuga-dupla, como a n.º 4 em mi menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrastante, o segundo sujeito, com notas muito mais altas (agudas) do que as do primeiro sujeito, cromático, veloz, segue em uma corrida avassaladora, esbaforido, vibrante, obstinado, na mudança de humor que o impulsa para frente, apenas para a frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fuga vai se tornando cada vez mais robusta, forte, poderosa, até atingir o ápice, quando os DOIS SUJEITOS se juntam, primorosos, perfeitos, unos, e então a fuga se torna retumbante, triunfante, vitoriosa! Uma longa coda, capaz de resolver toda a tensão acumulada em toda a fuga, em todo o prelúdio anterior, e em todo ciclo, conduz ao final triunfal majestoso, e, em uníssono, retumba, em &lt;em&gt;grande finale&lt;/em&gt;, com o poderoso ré maior (picardia), também em uníssono, em quatro oitavas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise (notas) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/24/index.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/24/index.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Análise (escrita) – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/24/words.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/24/words.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Índice – &lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/subjects.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fuga encerra, de uma vez por todas, um monumento erigido não só a Bach, não só ao contraponto, mas a toda música universal. E não poderia haver um final mais lapidar do que essa fuga, madura, n.º 24 em ré menor, cuja expressão se inicia lá trás, nos primeiros e magníficos acordes do prelúdio anterior. E essa fuga não fica nada a dever a J. S. Bach. Antes, é digna do mestre (Bach) que inspirou, com a profunda musicalidade de sua arte, a produção de uma obra (esses &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/em&gt;) de mesma linguagem, de outro compositor (Shostakovich), e de igual valor; uma obra-prima. Grande apoteose! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, Shostakovich finaliza o trabalho com a certeza do desafio comprido, ao repetir o feito de Bach. O desafio de fazer, em pleno século XX, nos moldes antigos, arte de primeira qualidade, com assimilações, é verdade, mas com originalidade, com técnica, com maestria, com grande expressão, com sentimento e, principalmente, com VERDADE.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que percebemos que Shostakovich também é um mestre do contraponto. Também é digno de receber, das mãos de Machaut, Lasso, Palestrina, Handel, e do Kantor de Leipzig, o legado que ao futuro transmitirá, transfigurado, com o pórtico de uma nova era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dmitri Shostakovich faleceu em Moscou, em 9 de agosto de 1975.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira gravação dos &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/em&gt; de Tatiana Nikolayeva, pela Hyperion, ganhou o prêmio Gramophone, na categoria instrumental, em 1991. O prêmio Gramophone é equivalente ao Oscar, na indústria da música clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatiana Nikolayeva faleceu repentinamente em um concerto de San Francisco, EUA, em 13 de novembro de 1993, logo após tocar os &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/em&gt;, e se juntou a Dmitri Shostakovich e Johann Sebastian Bach, mestres universais da música cósmica, e a todos outros mestres musicais supremos, etéreos, eternizados pela perpetuação do som celeste que guarda, em cada nota, a alma e o espírito dos que repousam, vivos, sobre os esteios da arte suprema.&lt;br /&gt;________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Links:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP3’s completos gratuitos de todos os &lt;em&gt;Prelúdios e Fugas do Cravo Bem Temperado Vol. I&lt;/em&gt;, e alguns do &lt;em&gt;Vol. II&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pianosociety.com/new/phpBB2/viewtopic.php?t=8"&gt;http://pianosociety.com/new/phpBB2/viewtopic.php?t=8&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Midis e Partituras em PDF de peças do &lt;em&gt;Cravo Bem Temperado&lt;/em&gt; (Das Wohltemperierte Clavier), &lt;em&gt;Invenções&lt;/em&gt; (Invention), &lt;em&gt;Arte da Fuga&lt;/em&gt; (Die Kunst der Fuge), etc.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.mutopiaproject.org/cgibin/make-table.cgi?Composer=BachJS "&gt;http://www.mutopiaproject.org/cgibin/make-table.cgi?Composer=BachJS &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Midis de todos os &lt;em&gt;24 Prelúdios e Fugas Op. 87&lt;/em&gt; de Shostakovich, bem seqüenciados&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.unicamp.br/~jmarques/mus/opus87/index-p.html"&gt;http://www.unicamp.br/~jmarques/mus/opus87/index-p.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP3 completo gratuito de &lt;em&gt;Quadros de uma Exposição&lt;/em&gt;, de Mussorgsky, versão para piano&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.serg.vangennip.com/www/piano.html"&gt;http://www.serg.vangennip.com/www/piano.html&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trechos em mp3 de todos Prelúdios e Fugas de Shostakovich, gravação de Vladimir Ashkenazy&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.iclassics.com/productDetail?contentId=2051"&gt;http://www.iclassics.com/productDetail?contentId=2051&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise de todos os Prelúdios e Fugas de Shostakovich e de Bach (CBT I e II)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/circle.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/circle.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lista de composições de Shostakovich&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_compositions_by_Dmitri_Shostakovich "&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_compositions_by_Dmitri_Shostakovich &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dmitry Shostakovich Composer – foreign languages publishing house Moscow 1959 – D. Rabinovich – translated from the russian by George Hanna – pgs. 126, 127.&lt;br /&gt;Encarte do CD da Naxos (Richard Whitehouse)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.filomusica.com/filo14/paloma.html"&gt;http://www.filomusica.com/filo14/paloma.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.good-music-guide.com/reviews/008_shostakovich.htm"&gt;http://www.good-music-guide.com/reviews/008_shostakovich.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/24_Preludes_and_Fugues_(Shostakovich)"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/24_Preludes_and_Fugues_(Shostakovich)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dmitri_Shostakovich"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Dmitri_Shostakovich&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gramophone_Awards"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Gramophone_Awards&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tatiana_Nikolayeva"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Tatiana_Nikolayeva&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Fugue"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Fugue&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Prelude_%28music%29"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Prelude_%28music%29&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.hyperion-records.co.uk/artist_page.asp?name=nikolayeva"&gt;http://www.hyperion-records.co.uk/artist_page.asp?name=nikolayeva&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/circle.html"&gt;http://www.earsense.org/Earsense/WTC/Shostakovich/circle.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.musicweb-international.com/classrev/2003/Jun03/Shostakovich_Nicolayeva.htm"&gt;http://www.musicweb-international.com/classrev/2003/Jun03/Shostakovich_Nicolayeva.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://classicalmusic.suite101.com/article.cfm/shostakovich"&gt;http://classicalmusic.suite101.com/article.cfm/shostakovich&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9E0CE5D91F3EF936A15753C1A964958260"&gt;http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9E0CE5D91F3EF936A15753C1A964958260&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9E0CE5D91F3EF936A15753C1A964958260&amp;sec=&amp;pagewanted=2"&gt;http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9E0CE5D91F3EF936A15753C1A964958260&amp;sec=&amp;pagewanted=2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/"&gt;http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115919158830495993?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115919158830495993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115919158830495993' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115919158830495993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115919158830495993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/os-24-preldios-e-fugas-op-87_25.html' title='Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115909946542517347</id><published>2006-09-24T08:46:00.000-03:00</published><updated>2006-09-24T09:04:25.436-03:00</updated><title type='text'>Contribuições sobre Shostakovich</title><content type='html'>Para mim é um grande desafio escrever sobre Shostakovich, pois ainda estou começando a conhecer a sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thiago e Berber fizeram ótimas contribuições sobre o compositor. Hernandez e eu estamos concluindo os nossos textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu texto está bastante extenso. Espero que os leitores possam lê-lo até o fim, e estaremos dispostos a receber eventuais críticas, as quais nos ajudam no trabalho de constante aperfeiçoamento, o que é essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou músico amador e ouvinte. Por isso, pode haver algumas imprecisões, o que é normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Berber e Thiago prometem acessoria. (hehe...) No caso de erros evidentes, me ampararão, apontando correções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperamos, de alguma forma, estar contribuindo e fazendo a nossa parte para a divulgação e homenagem do grande compositor Dmitri Dmitrievich Shostakovich, cujo centenário se comemora amanhã, dia 25 de setembro, e cuja arte já se consolidou e permanece perene e universal, entre os grandes mestres de música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115909946542517347?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115909946542517347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115909946542517347' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115909946542517347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115909946542517347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/contribuies-sobre-shostakovich.html' title='Contribuições sobre Shostakovich'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115871025605769157</id><published>2006-09-19T20:44:00.000-03:00</published><updated>2006-09-19T20:57:36.120-03:00</updated><title type='text'>A Lição que o Brasil não aprendeu</title><content type='html'>Desde a minha primeira refeição nesse país pude perceber a diferença cultural entre os Estados Unidos e o Brasil.  Cheguei numa manhã fria de inverno, sem falar inglês e com o espírito de aventura que todo imigrante traz na bagagem.  A cidade pequena ficava no norte do estado de Indiana e um amigo me ofereceu carona do aeroporto para o que seria minha nova moradia.  No caminho, paramos num Mac Donald’s para um almoço rapido.  Ali começava meu choque cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi um copo d’água e um Big Mac. Recebi um copo vazio com meu sanduíche e percebi que seria o responsável a servir minha própria bebida. Sem me dar por rogado, e percebendo a completa falta de fiscalização, enchi meu copo com Coca-Cola e fui embora. Havia conseguido ludibriar o sistema! Enchi-me de orgulho por ter levado vantagem logo na minha primeira refeição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inocência e a falta de malícia do povo Americano me deixavam perplexo. Como é que ninguém se beneficiava desse jeito? Como era possível confiar tanto nas pessoas a ponto de se permitir alguém levar uma bebida de graça?  Comecei a ouvir casos de outros brasileiros que “compravam” aspiradores de pó e, depois de limpar a casa inteira, voltavam na loja e devolviam o aparelho, alegando que não haviam gostado da cor, ou coisa parecida. Casos como um amigo que guardava em sua mochila copos vazios do Mac Donald’s e do Burger King, para nunca ter que pagar pela bebida na hora do almoço. Até mesmo casos de vestidos devolvidos no dia seguinte a festas, “comprados” por uma noite. O termo “Terra das Oportunidades” tinha um sentido completamente novo. A política do “No questions asked” dava margem a esse tipo de atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, comecei a conviver não só com brasileiros, mas tambem com americanos e fui notando que a diferença cultural era maior do que eu havia pensado. Não só os americanos não se aproveitavam das situações, mas eles nem sabiam como fazê-lo. Depois de comentar algumas dessas “espertezas” com amigos americanos, ouvi muitas vezes um “Nossa, nunca havia pensado nisso antes!” como resposta. O fato não era de que eles não sabiam como levar vantagem, o fato era que eles não compreendiam o conceito de levar vantagem. Isso me fez refletir. Como explicar o nosso “jeitinho” para um não-brasileiro?  E mais importante, qual é a necessidade do brasileiro de levar vantagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a bagagem cultural brasileira aponta para o lugar comum – somos criados a levar vantagem e nos orgulhamos disso. Nós, brasileiros, vivemos num mundo egoísta, onde a origem humilde, as desigualdades e injustiças históricas são justificativas suficientes para se tentar levar vantagem em tudo. O ilícito vira virtude e buscamos maneiras de burlar o sistema, de beber coca cola de graca. Viemos de um país onde as injustiças são enormes e a nossa única arma é a esperteza. Constantemente argumentamos que precisamos do nosso jeitinho para sobreviver nesse mundo cão, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos a um país diferente, trazemos conosco um pouco do nosso próprio país. Trazemos nossas experiências, nossas expectativas e a nossa visão do mundo. Quando chegamos a um país diferente, temos basicamente duas opções. Uma delas, a mais comum e perigosa, é tentarmos permanecer fiéis a nossa cultura, rejeitando ao máximo as influências e as diferenças dessa cultura estranha. Lutamos pela essência da nossa terra. Cultivamos o que nos é familiar, pois assim podemos estar mais próximos de casa.  Viramos narcisistas xenófobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra opção, bem menos praticada, é aceitarmos essas diferenças culturais e absorvê-las em nosso modo de vida, combinando-as com a bagagem trazida do país de origem. Misturar as experiências e culturas, explorar e degustar essas diferenças. E aí que reside a dificuldade do imigrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei aqui nos Estados Unidos, não entendia como americanos eram tão inocentes e não percebiam as inúmeras “oportunidades” ao redor. A medida que fui absorvendo a cultura Americana, fui percebendo que essas oportunidades não faziam sentido. O conceito de se aproveitar de uma sitação em benefício próprio não era lugar comum, como no Brasil. Você não bebe coca cola de graça porque esse é um conceito que não existe. Desde minha primeira refeição, me vi numa cultura diferente, e tive que me adaptar para poder aceitar esse novo modo de vida e sobreviver nesse país diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi há 8 anos atrás. Hoje olho para aquele tempo e percebo o quanto fui infantil e imaturo. Eu não estava levando vantagem alguma, não estava enganando o sistema. Estava era enganando a mim mesmo. Quando você procura tirar vantagem de qualquer situação, com o argumento da herança cultural, você está na verdade justificando essa herança de injustiças e desigualdades.  Quanto mais evocarmos o passado, mais ele se fará presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa é uma lição que eu gostaria de ter aprendido ainda no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115871025605769157?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115871025605769157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115871025605769157' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115871025605769157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115871025605769157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/lio-que-o-brasil-no-aprendeu.html' title='A Lição que o Brasil não aprendeu'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115863543546105690</id><published>2006-09-19T00:05:00.000-03:00</published><updated>2006-09-20T15:59:30.540-03:00</updated><title type='text'>O traje da Benevolência</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Assim eu (...) descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.”&lt;/span&gt; (Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”)&lt;br /&gt;_______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me vagamente do primeiro romance policial que li do escritor Marcos Rey, da Série Vaga-Lume, no início da minha adolescência. O vilão era uma personagem que de início se apresentava como bonachão, acima de qualquer suspeita. Amigo dos pobres, e das causas sociais. Mas era um criminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos atrás, no período do Realismo da Literatura, autores de maior calibre já desnudavam as hipocrisias da sociedade e do seu tempo, não sem certa dose exagerada de sarcasmo, e os seus alvos eram, entre outros, a monarquia, a burguesia, o clero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao desmascarar as demagogias (proeza de complexidade intelectual maior do que o aparente) de uma sociedade complexa, os autores do realismo mostravam a verdade em diversas facetas, como por pedaços de um espelho estilhaçado. E aos poucos os fragmentos de cristais iam se juntando como um grande quebra-cabeça, formando um amplo painel de retalhos, refletindo os mais diversos aspectos da psique humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós possuímos um só corpo. Mas diversos trajes. O caráter, ao contrário, possui diversas faces, mas uma só vestimenta. Adapta-se, assim, as mais diversas índoles macabras à justeza da mais fina veste, sob a púrpura alvura, conforme a conveniência. Não se fie na exclusividade da benevolência: ela não é privilégio dos retos. O corrompido também a possui. E, como atestam os antigos mestres do Realismo, ela é o escudo do libertino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil transpassar tal escudo, mesmo com a espada da verdade. E, tal qual a personagem de Marcos Rey, estão impregnados de benevolência os traficantes do morro do Rio, guardiões da sociedade. Saturados de benevolência são os terroristas e os líderes das facções criminosas. Ricos em benevolência são os déspotas dos novos impérios. E não se tome isso por simples ironia. Eles realmente a possuem. A benevolência está em toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há educação e saúde em Cuba? E logo atrás dos norte-americanos, não saem sempre à frente, nas Olimpíadas, os cubanos? E, no Brasil, não havia ordem, na ditadura? Quem pode duvidar desses valores? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não há, realmente, estado de calamidade nas penitenciarias? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos esses valores são insofismáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É penoso contestar o bom propósito por trás de todo o benefício. O que importa é a ação, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saddam Houssein, antes de assumir a ditadura, alcançou prestígio distribuindo casas populares aos iraquianos. Adolf Hitler foi um ícone que levantou a Alemanha e restabeleceu a auto-estima do povo alemão desmoralizado após o fracasso da Primeira Guerra. São boas atitudes. Grandes ações. Quem poderia, por exemplo, questionar a procedência das atitudes de Saddam Houssein, quando ele distribuía o seu pacote de bondades, galgando degraus na escalada do poder, afagando o povo, o mesmo povo que ele iria calcar aos pés, depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos áureos de Paulo Maluf, havia o “Leve-Leite”. Todo mês a criança levava, da escola para casa, uma lata de leite em pó. E, diante dos holofotes, o prefeito de São Paulo, ao lado da criança, posava sorridente, para a posteridade. E hoje, diante de um passado conturbado de torturas, desaparecimentos, ditadura, lesão ao erário e, mais recentemente, denúncias de atitudes pouco morais na Suíça, o ex-prefeito pode olhar para trás e dizer com segurança: “Fiz boas ações, fiz boas atitudes. Fiz &lt;span style="font-style:italic;"&gt;obras&lt;/span&gt;! Com efeito. Aconselhamos ao caro leitor não digitar, no sistema de busca, as palavras-chaves “Maluf” e “Perus”, combinadas. O Google sabe demais. Perus é um bairro vizinho ao meu, onde há um cemitério com uma vala em que jazem milhares de ossadas desconhecidas. Mas a mim pouco importa fazer exumação do passado político de Maluf. Prefiro a imagem das crianças sorrindo, felizes com suas latinhas de leite, ao lado do ex-prefeito. Suas boas ações o redimem. É a benevolência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais importante do que investigar o passado é perceber o presente e espreitar o futuro. Não se trata de ser contra as benesses. Mas de ver o que há além. E por trás do escudo da benevolência existe, muitas vezes, um guerreiro hipócrita. Não se cobre um desabrigado com cobertor curto. Nem se tapa o sol com a peneira. Tampouco se limpa uma casa jogando-se a sujeira embaixo do tapete. Aos olhos simplórios, parecerá estar tudo limpo, pois a manobra foi engenhosa. Mas sob o rico tapete, há sujeira e podridão. Quando oriundos do bem público, benefícios ligeiros dão uma falsa impressão de amparo, e desestabilizam a economia (mas sensibilizam a opinião pública). E ai de quem contestar! A Marta Suplicy, na ocasião da disputa pela prefeitura de São Paulo, antes de ganhar as eleições, prometeu manter o “Leve-Leite”. E ai dela se não o fizesse! Com certeza as casas populares (no Iraque) e as latas de leite (no Brasil) beneficiaram muita gente (a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;grande minoria&lt;/span&gt; da população). Mas não resolveram os problemas, e nem foram planejadas para isso. Benefícios ligeiros estão distantes de serem uma solução real a longo prazo. Mas aos beneficiários de sinecura, facilmente se convence. É assim que as autoridades brincam com a miséria de um povo. E, entre os miserandos, é cada um por si. Pouco importa o todo. Não é assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não interessa como, porquê, de que forma, nem se por modos escusos ou não; os benefícios sempre serão bem recebidos. Pouco importa a verdade que se oculta por trás dos finos trajes da benevolência. E assim, enquanto não tiver quem, a exemplo dos antigos escritores realistas, puxe o tecido e desmascare o que há sob a púrpura, todos serão absolvidos. Inclusive o personagem de Marcos Rey.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115863543546105690?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115863543546105690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115863543546105690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115863543546105690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115863543546105690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/o-traje-da-benevolncia.html' title='O traje da Benevolência'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115829058119879743</id><published>2006-09-15T00:10:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T00:27:45.603-03:00</updated><title type='text'>Escândalo do Concurso Villa-Lobos: uma decepção e uma revelação</title><content type='html'>Pois é... a corrupção não é só nos Três Poderes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maestro John Neschling e o pianista israelense Ilan Rechtman, que já foram amigos, não param de trocar acusações. Rechtman, ex-diretor do Concurso Villa-Lobos, demitido por Neschling após ser acusado de manipular a lista de candidatos, confessa a alteração e se defende dizendo que a lista incluía CDs editados e intérpretes favorecidos politicamente. E agora, bota mais lenha na fogueira acusando John Neschling de não lhe dar os devidos créditos por uma música que ele teria feito sozinho: o tema do “Roda Viva”, da TV Cultura (pelos dotes artísticos da composição, creio que a briga deveria ser sobre “quem não compôs a música”... hehe). O pianista afirma que após ter cobrado Neschling, que nem lhe deu os créditos, nem lhe pagou, o maestro o escolheu para ser o diretor do concurso. Eles já tinham composto, em conjunto, as trilhas do filme "Desmundo" e da novela "Esperança". (ainda não ouvi essas composições...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, agora Rechtman se transforma em um novo “Roberto Jefferson”, divulgando os podres da maior orquestra do Brasil e da América Latina, a Osesp. Diz que a Osesp não é transparente e que orquestras com um orçamento anual similar (R$ 57 milhões) pagam o dobro a seus músicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rechtman, 43, que já tocou com a Orquestra de Londres, trabalhou com o violoncelista Yo-Yo Ma e já teve composições regidas por Zubin Mehta, conta que os CDs da Osesp, gravados pelo selo Bis, são pagos com dinheiro público, mas o lucro da venda fica para a empresa sueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neschling diz que é "absolutamente improcedente" a afirmação de Rechtman, segundo a qual recebeu a direção do Concurso Internacional de Piano Villa-Lobos como uma espécie de compensação por não ter sido pago pelo tema de "Roda Viva". "Nego veementemente a afirmação e confirmo que sou o único compositor do tema em questão" (isso é que é orgulho!!!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fundação Osesp também nega todas as acusações do ex-diretor, e comunica que irá processá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iris Regev, esposa de Rechtman, e violoncelista da Osesp, já foi barrada de assistir um concerto da orquestra, após ter distribuído CDs do pianista israelense em evento de outra noite. [quem será que compôs aquela música do Roda Viva?]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com orçamento do Itamaraty de R$ 2,3 milhões, a mais cara e ambiciosa competição de música ocorrida no Brasil é talvez a de maior custo entre os cerca de 300 concursos internacionais realizados neste ano. Segundo Rechtman, não se sabe “para onde foi esse dinheiro”. O escândalo é assunto até do “New York Times”, com direito a reportagem de Larry Rohter. A polêmica envolve ainda dois jurados: o musicólogo americano Jeffrey Moidel e o pianista brasileiro Gilberto Tinetti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tanta confusão e história mal explicada envolvendo esse concurso, resta ainda um consolo aos brasileiros: a competição revelou um exímio pianista: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Chun Wang&lt;/span&gt; ("tchun uan"), de apenas 16 anos, o mais jovem da competição. A sua arte e a da pianista segunda colocada, Jie Chen ("djie tchen"), ambos chineses, impressionou a todos que estavam presentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois virão tocar na temporada 2007 da Osesp. Chun Wang também toca no Rio de Janeiro e em Porto Alegre (o prêmio inclui turnês na América Latina, na Suíça e na China, mais a gravação de um disco e US$ 30 mil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um final feliz, suficiente até para ofuscar o escândalo que permeou esse concurso. Quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fontes aproveitadas da Folha de S. Paulo e da Folha Online&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115829058119879743?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115829058119879743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115829058119879743' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115829058119879743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115829058119879743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/escndalo-do-concurso-villa-lobos-uma.html' title='Escândalo do Concurso Villa-Lobos: uma decepção e uma revelação'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115810654788717929</id><published>2006-09-12T21:09:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T22:15:00.996-03:00</updated><title type='text'>Programe-se</title><content type='html'>Programação do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Quem Tem Medo da Música Clássica?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TV Senado&lt;br /&gt;Apresentação: Artur da Távola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira, dia 15 de setembro de 2006, às 24 horas,&lt;br /&gt;Sábado, dia 16, às 10 e 18 h&lt;br /&gt;Domingo, dia 17, às 10, 18 e 24 h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio VIVALDI&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;AS QUATRO ESTAÇÕES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concerto nº 01 em Mi menor – “Primavera”  / Allegro (Danza  Pastorale);&lt;br /&gt;Concerto nº 02 em Sol maior – “Verão”  / Allegro non molto;&lt;br /&gt;Concerto nº 03 em Fá maior – “Outono”  / Allegro (Ballo e Canto de Villanelli;&lt;br /&gt;Concerto nº 04 em Fá menor – “Inverno”  / Allegro non molto;&lt;br /&gt;Orquestra de Câmara de Hanover /&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criada em 1964, a Orquestra é formada por músicos que também atuam como solistas. Nos últimos anos o conjunto tem se apresentado com importantes solistas internacionais, dentre os quais Michaela Petri, Ivry Gitlis, Sabine Meyer e Zakhar Bron.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regente/Solista: Adam  Kostecki&lt;br /&gt;Duração: 01h 04'32"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115810654788717929?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115810654788717929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115810654788717929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115810654788717929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115810654788717929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/programe-se.html' title='Programe-se'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115807949312384388</id><published>2006-09-12T13:40:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T14:25:29.916-03:00</updated><title type='text'>Violoncelista tcheco ensina técnicas no Conservatório de Tatuí</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/image.0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/200/image.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amantes do violoncelo terão oportunidade de assistir à masterclass (curso) com o famoso instrumentista tcheco Marek Jerie, nos dias 18 e 19, no salão Villa-Lobos, no Conservatório de Tatuí. As atividades ocorrem em dois períodos: das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerie nasceu em Praga, em 1947. Estudou em conservatórios da capital tcheca e na Suíla, obtendo diploma de solista na Academia de Música de Praga em 1975. Aprofundou seu conhecimento musical em masterclasses com Casals, Rostropowitsch e Navarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a Marek Jerie, concertos valiosos para violoncelo da República Tcheca do século 18, como os de Joseph Reicha e Joseph Fiala, foram descobertos nos arquivos de Lobkowitz. O violoncelista preparou essas obras para apresentar em concertos, rádio, gravações em estúdio, e editou-as para publicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerie tem obras dedicas à sua arte de compositores contemporâneos como Lubos Fiser e Evzen Zámecnik. Como solista e integrante do Guarneri-Trio de Praga, tem feito diversos espetáculos em importantes salas de Londres, Oaris, Basiléia, Munique, Viena, Moscou, e também na Austrália, América do Norte, América do Sul e Ásia. Desde 1979 é professor da classe de violoncelo do Conservatório de Lucerna, na Suíça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessados em participar da masterclass gratuita devem se inscrever com antecedência no Centro de Produção do Conservatório de Tatuí, na Rua São Bento, 415. Mais informações pelo telefone (15) 3251-4311&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Diário Oficial do Estado de São Paulo, 12 de setembro de 2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115807949312384388?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115807949312384388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115807949312384388' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115807949312384388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115807949312384388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/violoncelista-tcheco-ensina-tcnicas-no.html' title='Violoncelista tcheco ensina técnicas no Conservatório de Tatuí'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115776970574273946</id><published>2006-09-08T23:39:00.000-03:00</published><updated>2006-09-09T16:44:55.170-03:00</updated><title type='text'>Beleza na Indecisão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 36pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Confesso aqui minha frustração ao ler qualquer tentativa de perfilar objetivamente o mestre russo. Vanguardistas fervorosos classificavam-no como inimigo da arte, de comunista resignado enquanto os comunistas se dividiam entre classificá-lo como formalista ou mesmo clamar para ele a respeitabilidade de um legítimo defensor do regime.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Difícil emitir um veredito sem ter informações biográficas de procedência consistente e sem algum background em perfilar personalidades. Mas o que escrevo aqui é a minha ótica, sujeita a viés e sem qualquer pretensão de irrefutabilidade, até mesmo na intenção de compartilhar com os amigos outros pontos de vista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Shostakovich, mesmo após o enquadramento como formalista superado e a constante perseguição dos órgãos de supervisão cultural soviética, permaneceu na URSS (eu mesmo não saberia dizer o porquê disso) ao invés de se exilar voluntariamente e se alinhar com alguma corrente estética moderna. O resultado disso foi&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;uma forma distinta de arte que deve ser apreciada sob um tipo complicado de abstração que posiciona o ouvinte entre a “realidade tonal” sugerida pelos comunistas, as novidades artísticas da primeira metade do século 20 e as próprias idiossincrasias do compositor. Posicionamento que condiciona à produção de obras com diversos estilos, coisa de camaleão, por imposição do momento. Teria o compositor se deixado moldar para talhar uma personalidade musical que produzisse algo diferenciado nesse contexto?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Eu enxergo Dmitri Shostakovich como um personalidade muitas vezes hesitante, mas perfeitamente capaz de se moldar a diferentes situações. Testemunhas do jovem Shostakovich tinham-no como uma pessoa que recebia facilmente as novidades musicais e empregava-as com facilidades nos seus trabalhos. Ele era flexível o suficiente para mergulhar em diversos estilos. Sua produção sinfônica e camerística por exemplo são marcada por essas características heterogêneas, não obstante a presença em peso de traços mahlerianos em várias obras. Produção que oscilava entre o concreto e abstrato, entre o sério e o sardônico, entre o singelo e o titânico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Pra mim conhecer a arte de Shostakovich foi um momento importante pois nunca fui tão demandado do ponto de vista subjetivo para tentar entender uma obra, talvez até mais do que os colossos de Gustav Mahler. Depois de Shostakovich eu definitivamente desisti de qualquer critério objetivo para qualificar escalarmente uma arte. É ineficaz em se tratando de um compositor honesto, verdadeiro representante de seu tempo e realidade, arte como documento histórico. O compositor com sua faceta irônica estava longe de ser histriônico, ao contrário, mostra uma sintonia simbiótica com seu ambiente e seus alvos de notas maliciosas, um trabalho de descrição consciente, um finesse que o fazia sair elegantemente de situações que mesmo podiam lhe causar grandes problemas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Shostakovich foi um exemplo de riqueza de mecanismos poéticos do século 20, felizmente mais um incentivo para eu deixar um pouco a beleza dos séculos anteriores e me debruçar sobre os retratos musicais modernos e contemporâneos. Difícil é falar com exatidão onde o nobre Shostakovich se encaixa. Me abstenho desse tipo de juízo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115776970574273946?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115776970574273946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115776970574273946' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115776970574273946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115776970574273946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/beleza-na-indeciso.html' title='Beleza na Indecisão'/><author><name>thiagobsn</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115713277272545186</id><published>2006-09-01T14:40:00.000-03:00</published><updated>2006-09-03T22:36:47.523-03:00</updated><title type='text'>A Voz Verdadeira</title><content type='html'>- "O senhor pode esperá-lo aqui. Um momento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse seria nosso quinto encontro, mas pela primeira vez ele consentiu que nos encontrássemos em sua própria casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que entrei naquela sala, tive a certeza de que minha missão ali seria mais difícil do que imaginara. Nunca havia perdido tempo tentando imaginar seu local de trabalho, mas assim que me vi em pé no centro daquela sala, esperando por ele, percebi o quanto meus conceitos estavam errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tive a impressão de que compositores trabalhavam em lugares desorganizados, com partituras espalhadas por todos os lados, numa sala suja e empoeirada. Imaginava esses pobres incompreendidos passando noites acordados, rabiscando notas ininteligíveis em folhas amassadas. A cena que presenciava me deixou ao mesmo tempo surpreso e desconfortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma sala simples, mas muito limpa e organizada. Na parede em frente, um piano de cauda permanecia fechado, perfeitamente alinhado com a janela, que deixava a luz do sol penetrar entre as cortinas brancas. A mesa pequena encostada à parede era acompanhada de uma única cadeira. Em cima da mesa, pude notar 5 lápis, uma pequena moldura com uma foto de uma mulher, um vaso com uma rosa e, organizadas com incrível precisão, três pilhas de partituras. Não pude identificar se eram rascunhos ou músicas completas, mas pela posição de cada objeto na mesa, pude verificar que os rumores tinham fundamento. Diziam que ele havia se tornado obsessivo por limpeza e organização. O pobre Dimitri já deveria estar mesmo com problemas mentais. Um sofá junto a outra porta e uma mesa central completavam a cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que pudesse me acostumar com a surpresa de toda aquela organização e ordem, ouvi a porta abrir novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Bom dia, Dimitri.” – disse num tom amigável.&lt;br /&gt;- “Bom dia, camarada.” – Pude perceber que a ironia não o tinha abandonado.&lt;br /&gt;- “Caro Dimitri, estou aqui como um amigo, não como um oficial. Achei que isso estava claro quando falamos pela última vez.”&lt;br /&gt;- “Sim, sim. Um amigo. E o meu grande amigo gostaria beber alguma coisa?” - Dizendo isso, virou-se e como que por mágica, dois copos e uma garrafa de vodka apareceram em suas mãos. Pude perceber que a garrafa já estava pela metade. Sentamos ao sofá e ele exclamou:&lt;br /&gt;- “Um brinde ao Estado!” – Disse, erguendo seu copo sobre a cabeça, e antes que eu pudesse retribuir o brinde, ele já estava levando seu copo aos lábios. A vodka desapareceu em instantes e ele já se preparava para encher seu copo mais uma vez. Pude notar que por trás daqueles óculos redondos seus olhos denunciavam uma tristeza misteriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Meu caro Dimitri, acho que já sabe por que eu estou aqui.”&lt;br /&gt;- “Deixe-me adivinhar. Finalmente conseguimos dominar o Ocidente e o nosso querido Estado quer que eu componha uma marcha à Vitória Comunista!”&lt;br /&gt;- “Dimitri, por favor, tenha cuidado com suas palavras. Sou seu amigo e já lhe disse que a ironia não combina com política. Venho aqui com outra missão. Trago um pedido. Um pedido de amigo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre Dimitri. O fogo de sua alma ainda ardia, mas seria somente uma questão de tempo até que ele se entregasse. Sem responder, ele levou o segundo copo aos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Não acha que você deveria moderar um pouco com a vodka? Ouvi rumores sobre sua saúde.”&lt;br /&gt;- “Ah! Agora o governo quer controlar o que eu bebo também? Já não basta controlar minha música? O que virá depois? O controle sobre minha comida? Quando tomar banho? Quando ir ao banheiro?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Dimitri, por favor. Eu entendo sua revolta. A Segunda Denúncia foi um golpe duro para você e para sua familia. Não torne as coisas mais difíceis para nós. Você é um compositor excepcional, e sabemos disso. Você só tem que direcionar seu talento para o caminho certo. O Formalismo de suas obras não poderia passar despercebido aos ouvidos atentos do Estado.” – E com uma pausa, que foi tão dolorosa para mim quanto para ele, acrescentei: - “E além do mais, sabemos sobre suas obras de câmera.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pude notar uma sensação de alarme em sua fisionomia. Chegou a abrir a boca, mas permaneceu em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Mas não se preocupe. Como lhe disse, sou seu amigo, e sabemos que ninguém dá importãncia a obras menores. Só queremos seu apoio com as obras públicas, as obras importantes. Seu formalismo inútil estará seguro, desde que você o mantenha escondido somente em suas obras menores.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Toda obra minha é importante! Já não basta as sinfonias que escrevi para exaltar o Estado? Toda a propaganda a que me forçaram a participar? O que mais querem de mim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado, seu desepero se misturava à vodka e pude ver que minha missão estaria completa em breve. Com um breve suspiro, disse com uma voz grave, encarando-o sem piscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Queremos que você se aliste no partido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Já não basta seqüestrarem minha música? Minha imagem?” – Sua réplica soava como uma súplica, quase um lamento. Baixou seus olhos em direção ao vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me e pousei meu copo ainda cheio na mesa com as partituras. Meu trabalho estava acabado. Sem me virar, abri a porta e me despedi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Tenha um bom dia, camarada Schostakovich.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dimitri Schostakovich se alistou no partido comunista em 1960. De acordo com seu filho, esse evento o levou às lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schostakovich foi exaltado pelo governo soviético por sua fidelidade. Sua imagem foi explorada ao extremo pelas propagandas soviéticas, tendo sido inclusive a capa da revista Times como símbolo do regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após sua morte, em 1975, o compositor pôde enfim trazer a público sua verdadeira voz com a cantata Rayok. Com essa obra, Shostakovich satiriza o regime comunista e o decreto de Zhdanov.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115713277272545186?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115713277272545186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115713277272545186' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115713277272545186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115713277272545186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/voz-verdadeira.html' title='A Voz Verdadeira'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115712031408199372</id><published>2006-09-01T11:07:00.000-03:00</published><updated>2006-09-01T13:20:48.383-03:00</updated><title type='text'>MÊS SHOSTAKOVICH</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Дмитрий Дмитриевич Шостакович&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dmitrij Dmitrijevič Šostakovič&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dmitri Dmitrievich Shostakovich&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/shost1975.0.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/400/shost1975.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Damos início, hoje, ao &lt;strong&gt;Mês Shostakovich&lt;/strong&gt;. No decorrer do mês serão postados textos sobre o compositor russo, em homenagem ao centenário de seu nascimento, cujo se comemora em 25 de setembro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115712031408199372?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115712031408199372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115712031408199372' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115712031408199372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115712031408199372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/ms-shostakovich.html' title='MÊS SHOSTAKOVICH'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115711921179691815</id><published>2006-09-01T10:53:00.000-03:00</published><updated>2006-09-01T11:04:15.806-03:00</updated><title type='text'>Manuscrito inédito de Bach é descoberto</title><content type='html'>Os manuscritos encontrados do mestre alemão, na verdade, são cópias de composição de Buxtehude, compositor dinamarques a quem Bach tanto admirava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Pesquisadores alemães anunciaram ontem a descoberta dos mais antigos manuscritos do compositor Johann Sebastian Bach. Os dois manuscritos são cópias de composição para órgão, de Dietrich Buxtehude, e datam de cerca de 1700. Os pesquisadores encontraram o documento nos arquivos da biblioteca da duquesa Anna Amalia, em Weimar, onde já havia sido descoberto um desconhecido trabalho de Bach, no ano passado. A biblioteca fica em um palácio do século 16, que foi danificado por um incêndio há dois anos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Folha de São Paulo&lt;/em&gt; – 01 de setembro de 2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115711921179691815?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115711921179691815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115711921179691815' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115711921179691815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115711921179691815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/09/manuscrito-indito-de-bach-descoberto.html' title='Manuscrito inédito de Bach é descoberto'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115707199796093597</id><published>2006-08-31T21:41:00.000-03:00</published><updated>2006-08-31T21:58:40.586-03:00</updated><title type='text'>Programe-se</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;TV Senado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quem tem medo de música clássica?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PAIXÃO SEGUNDO SÃO MATEUS&lt;br /&gt;Johann Sebastian Bach&lt;br /&gt;Amsterdam Baroque Orchestra &amp; Choir&lt;br /&gt;Regência: Ton Koopman&lt;br /&gt;Gravação de 2005&lt;br /&gt;Sábado, 02/09, às 10h e 18h&lt;br /&gt;Domingo, 03/09, às 10h, 18h e 24h &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Espaço cultural&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Daniela Spielman, saxofonista&lt;br /&gt;Obras de Sivuca, Radamés Gnatalli, Jacob do Bandolim e Tom Jobim, além de composições próprias&lt;br /&gt;Gravação de julho passado no Clube do Choro de Brasília&lt;br /&gt;Sábado, 02/09, às 24h&lt;br /&gt;Domingo, 03/09, às 14h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Foi encontrado hoje um novo manuscrito de uma ária de Johann Sebastian Bach. Vi a notícia no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jornal Nacional&lt;/span&gt;. Ainda não temos mais informações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115707199796093597?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115707199796093597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115707199796093597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115707199796093597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115707199796093597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/programe-se.html' title='Programe-se'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115671344779707976</id><published>2006-08-27T18:15:00.000-03:00</published><updated>2006-08-27T18:17:27.820-03:00</updated><title type='text'>E onde fica a Música?</title><content type='html'>Quando a gente abre os jornais ou liga a TV, somos bombardeados com notícias de assaltos, violência, guerras e nos últimos tempos corrupção. Lemos que juízes resolveram aumentar os próprios salários. Assistimos de boca aberta a políticos cassados fazendo propaganda eleitoral, querendo a reeleição. Com todas essa podridão do mundo ao redor, um dos poucos refúgios restantes era na música. Depois de um dia cansativo, de notícias tristes e de constatações da imundíce da realidade, muitos de nós “desligavam” o mundo e ligavam o aparelho de som para fugir da realidade. A música era capaz de nos livrar dessa realidade suja. A música ainda era um refugo puro. Era, não é mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nosso colega Anderson me pediu para escrever um texto sobre a confusão do recente Concurso Internacional de Piano Villa Lobos, me vi de volta a minha época de concursos de piano. Eu já participei em alguns concursos de piano e fui júri de outros. Conhecendo um pouco dos bastidores, dos participantes e dos jurados, achei por bem relatar minha opinião a respeito.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Competições são parte da natureza humana. Queremos sempre saber quem é o mais rápido, quem é o melhor. Nessa nossa ânsia de classificações e rankings, muitas vezes tentamos julgar o que é subjetivo. Tentamos julgar a beleza. Como podemos escolher qual é o melhor quadro de Picasso? Como podemos escolher a melhor sonata para piano de Beethoven? A mais difícil? A melhor suíte de Bach? Ao mesmo tempo, queremos julgar e escolher a melhor interpretação de uma música, a mais bela – sendo que a “beleza” é algo completamente pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a busca pela perfeição sempre existiu e sempre existirá, assim como a busca pelo melhor. Nessa linha entram os concursos de piano. A engrenagem de um concurso funciona basicamente assim: Alguém tem a idea de fazer um concurso. Escolhe-se o tema (música barroca, brasileira, contemporânea, etc). Depois do tema escolhido, começa a caça aos patrocinadores. Depois os convites aos jurados. Define-se um programa e começa a divulgação. Os candidatos se apresentam e os jurados escolhem os que mais lhe agradam. Assim vai até a final, onde os prêmios são anunciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vitoriosos saem felizes da vida e os não-vitoriosos reclamam de roubalheira. As reclamações vem de todas as maneiras: É aluno de professor que está na banca, é aluno de professor que o cara da banca não gosta, é filho de patrocinador, é candidato tocando musica de compositor que é inimigo da banca, é organizador de concurso que não quer dar prêmio e embolsar o dinheiro, e por aí vai. Algumas vezes é choro de perdedor, porém, infelizmente, na maioria dos casos a reclamação tem fundamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse concurso Villa Lobos, o que me assombrou foi que a reclamação de roubalheira veio antes mesmo do resultado final. E não partiu dos candidatos, mas da direção e do júri (!!?!) Ou seja, foi uma história muito mal explicada mesmo. Até mesmo o diretor do concurso Ilan Rechtman criou uma página na internet tentando explicar a confusão. Quem quiser saber mais pode ir visitá-la em &lt;a href="http://www.cipvl.squarespace.com/journal/"&gt;http://www.cipvl.squarespace.com/journal/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que os critérios de seleção não foram cumpridos. Candidatos que haviam sido desclassificados, voltaram e vice-versa. Pior que campeonato de futebol com virada de mesa. Uma confusão dos diabos e o pior, uma desmoralização completa do concurso. Normalmente essas “maracutaias” não vem a público, ficam escondidas entre os jurados e organizadores. A diferença nesse caso aconteceu devido às proporções desse concurso. Foi o maior concurso realizado na América Latina esse ano. Prêmio de 30.000 dólares para o primeiro lugar, passagens parcialmente pagas para os candidatos, concertos, Cds., etc.  Ou seja a visibilidade do concurso foi muito grande, assim como o jogo de interesses. Imaginem ter um aluno seu ganhando, ou passando para as finais de um concurso assim. Seria a coroação de qualquer professor. O resultado final não foi surpresa nenhuma, mas o vencedor saiu manchado pela sujeira da corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódios tristes como esse trazem duas certezas e uma pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - O dinheiro público continua sendo usado como papel higiênico. Ah, vocês não sabiam? O concurso teve a verba de 2.3 milhões de reais do Itamaraty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Muitas vezes em concursos, os interesses são variados, mas o que fica em último plano é justamente a razão de ser da competição – a Música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, a pergunta? A pergunta é a seguinte: Vale a pena estudar durante horas a fio, dedicar uma vida inteira ao piano, sacrificar meses e anos para ter seu trabalho julgado desse jeito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115671344779707976?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115671344779707976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115671344779707976' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115671344779707976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115671344779707976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/e-onde-fica-msica.html' title='E onde fica a Música?'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115644756768310494</id><published>2006-08-24T16:21:00.000-03:00</published><updated>2006-08-24T16:26:07.693-03:00</updated><title type='text'>Plutão da vida</title><content type='html'>Pois é, meu queridos colegas. De agora em diante, podemos rasgar todos os livros de colégio que afirmavam que o sistema solar era composto por 9 planetas. Ontem, depois de acalorados debates, nosso querido Plutão acabou rebaixado para a segunda divisão planetária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Um planeta deve ter hegemonia na órbita em que se encontra.” – Astrônomos favoráveis ao rebaixamento argumentavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas historicamente Plutão foi sempre considerado um planeta!” – Choravam as viúvas do corpo celeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como é que a gente fica agora? E agora como faremos um mapa–astral?” – Gritavam os astrólogos, atirando cartas celestes por todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Plutão nunca foi planeta suficiente!” – diziam os mais exaltados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas, o porta voz do Comitê da União Astronômica Internacional Para a Definição de um Planeta, a CUAIPDP, também conhecida como GDQNTNMIAF (Grupo Dos Que Não Tem Nada Mais Importante A Fazer), Junachi Watanabe, já muito Plutão da vida, afirmou o que todos temiam – Plutão não era mais um planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, aos gritos de “Plutonianos unidos jamais serão vencidos!”, manifestantes vestidos de extra-terrestres protestavam contra decisão polêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometendo recorrer, o presidente da Associação dos Amigos de Plutão, o astrólogo e vidente, Leonard Nimoy (também conhecido como Dr. Spock) disse que levará a decisão para cortes do supremo tribunal do Rio de Janeiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Faremos de tudo para que esse rebaixamento seja anulado. Já conversei com um expert no assunto de viradas-de mesa, Sr. Eurico Miranda, e devemos ter um plano de ação pronto na semana que vem. Isso não ficará assim! Plutão merece o seu lugar na elite do Sistema Solar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos constatar, esse debate de extrema importância para o futuro da humanidade ainda promete!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115644756768310494?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115644756768310494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115644756768310494' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115644756768310494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115644756768310494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/pluto-da-vida.html' title='Plutão da vida'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115639317875251896</id><published>2006-08-24T01:14:00.000-03:00</published><updated>2006-08-24T01:23:51.690-03:00</updated><title type='text'>A lição de Parreira</title><content type='html'>Creio que as pessoas ainda se lembram da figura estática de Carlos Alberto Parreira parado na beira do campo enquanto a seleção brasileira levava um baile da França. Sim, aquele jogo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;era para ser muito importante&lt;/span&gt; – era assim que os torcedores o consideravam. Mas havia algo mais importante em campo: o orgulho dos titulares da seleção brasileira e a vaidade de Carlos Alberto Parreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que mudar? O jogo pode virar a qualquer momento. E dá-lhe França. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Again&lt;/span&gt;. O jogo parecia errado desde o começo. Mas Parreira sabe o que faz. Faz a primeira substituição somente aos 18 minutos do segundo tempo. E coloca... Adriano. Insiste em sua idéia fixa, desde o começo da campanha, a despeito de que todos diziam que deveria fazer o contrário. E permanece estático, com o silêncio dos sábios. Espera que o destino ou o acaso concedam a justa vitória, mostrando a todos que o seu pensamento é o correto. Permanecerá assim até mudar de idéia somente no fim, com substituições aos 31 e aos 34 minutos, crepúsculo da partida. Não deu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ser entrevistado, declarou: “(...) Não me arrependo em nenhum minuto. Quem comanda tem que ter coragem em tomar decisões. (...) Esperávamos que o time crescesse ao longo da competição. (...) As substituições foram acertadas e feitas na hora certa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem. É motivo de alegria, para o torcedor, ter um técnico tão frio e calculista, tão sábio e com medidas certas e na hora certa. É reconfortante saber que o valor de uma idéia (a do técnico) e o orgulho de um conjunto (dos jogadores) são mais relevantes do que o próprio resultado em jogo – esses são apenas o efeito, e dependem de outros fatores, como a força do adversário ou a sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em França, vou empregar um termo francês: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;déjà vu&lt;/span&gt;. É essa a sensação que tenho ao acompanhar o jogo do momento. Dessa vez, não com a seleção brasileira, nem com Carlos Alberto Parreira, mas com PSDB, Alckmin e o seu marqueteiro, Luiz González.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o começo paira uma sensação de instabilidade, e após Croácia, Austrália, Japão e Gana, parece que o time pode perder, a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas confiemos na vaidade de Luiz González e no orgulho de Alckmin. Não conseguimos sair do meio-campo, estamos perdendo de 1 X 0, mas não vamos para o ataque. Vamos ser “propositivos”. “Esperamos que o time cresça ao longo da competição”. E se, por acaso, vier a perder, mesmo com a mudança de tática aos 31 minutos do segundo tempo, resta-nos o consolo de que a idéia foi defendida até o fim, e que em 2010 haverá outra Copa do Mundo. Se bem que, do jeito que a coisa vai, penso que para parar Zidane, somente ele próprio, quando der uma de suas cabeçadas... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiemos na sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada é mais importante do que o orgulho. É a lição de Parreira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115639317875251896?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115639317875251896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115639317875251896' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115639317875251896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115639317875251896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/lio-de-parreira.html' title='A lição de Parreira'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115600026097577728</id><published>2006-08-19T12:09:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T22:58:09.590-03:00</updated><title type='text'>Os Anos de Peregrinação</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A rotina de um estudante universitário em vias de concluir o curso e trabalhando na área de TI é extraordinariamente inercial, derrotadora e esterelizante do ponto de vista artístico. Mas não dá para permanecer imóvel frente a um marco da literatura pianística saido debaixo da pena de Franz Liszt.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Costumo ser lacônico na minha escrita, aí vai o recado: muitos xiítas musicais precisam dar conta que quando a gente fala do mestre húngaro, produtor de música com M maíusculo, falamos de um dos grandes autores de obras-primas do século 19, seculo diga-se de passagem, tremendamente fértil no que diz respeito à criatividade.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;À parte as transcrições, paráfrases e estudos de virtuosismo pianístico que infelizmente costumam ser enquadradas como música vulgar no sentido estrito da palavra, vou falar um pouco do finesse dos Années. Tirei da prateleira minha gravação com o Lazar Berman e abri a partitura. Não sei se visionária é uma palavra eficaz para descrever a poética empregada para anotar preciosidades como por exemplo os “Sonetti del Petrarca”, “Pastorale” e as trenodias. Parecia natural o alargamento dos conceitos de forma e sonoridade.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Faço menção aqui dos primeiros românticos, aqui agrupo Berlioz, Schumann, Chopin e Liszt pela disposição deles para receber duras críticas de seus contemporâneos, mesmo sem um justo escrutínio capaz de absorver os potenciais caminhos sonoros sugeridos por eles. Os Années de Pèlegrinage evocam um futuro Debussy (vejam a interessante sugestão da&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;Catedral Submersa na Capela de Guilherme Tell, os “Reflections d’ans Eau” na sequência de arpejos com melodia em baixo na “Orage”), seja pela exploração sem paralelos do potencial pianístico, seja pela transformação de temas magistral como no Vallée d’Obermann e “Après une Lecture de Dante”. &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Recursos diversos de escrita pianística dos Années serão relembrados nos futuros “Préludes” do mestre francês ou mesmo em trabalhos avulsos como &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname productid="La Isle Joyeuse." st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="La Isle" st="on"&gt;La Isle&lt;/st1:personname&gt; Joyeuse.&lt;/st1:personname&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Mas qual é idéia a subjacente? “Romântico” com sentido rotulante é apenas outra proposição infeliz, bem como “Impressionista”. Não existe revolução ou mesmo ruptura. A transição musical do século 19 para o início do século 20 foi gradual, assim como foi a composição dos Années e Liszt foi peça importante nesse momento. As peças foram compostas em diferentes instantes e Liszt que absorvia música como uma esponja, anotava aquilo que via e ouvia.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Costuma-se falar muito de Wagner, não minimizando sua grande importância para mestres dos século 20, mas vale salientar aqui um justo comentário de Bartók que na sua maturidade passou a enxergar Liszt como componente importante na sua poética, muito além daquele pianista que extraia melodias de cunho burguês para as rapsódias húngaras e afins. Bartók, Ravel, Rachmaninoff, Scriabin, Gershwin e Debussy escreveram música conscientes disso.&lt;span lang="FR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115600026097577728?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115600026097577728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115600026097577728' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115600026097577728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115600026097577728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/os-anos-de-peregrinao.html' title='Os Anos de Peregrinação'/><author><name>thiagobsn</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115566513553462959</id><published>2006-08-15T13:13:00.000-03:00</published><updated>2006-08-15T15:11:42.456-03:00</updated><title type='text'>O dia em que Israel "pisou no terreno"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1870, quando Bismarck parecia próximo de fracassar em seu projeto de unificar a Alemanha "a ferro e sangue", sua única esperança consistia em fazer a França de Napoleão III "pisar no terreno". E "pisar no terreno" - na gíria bismarckiana - significava agir contra seus próprios interesses, fornecendo a Prússia o pretexto que faltava para desencadear uma última guerra de "união nacional", unindo os refratários Estados do Sul a nova confederação liderada por Berlim. Como é sabido, o famoso "telegrama de Ems", uma ninharia diplomática, faria com que a França "declarasse alegremente guerra" a Prússia, resolvendo a questão para o Chanceler de Ferro. Alguns meses mais tarde, Guilherme I era proclamado imperador da Alemanha em Versalhes e a "maquinaria infernal" que levaria o mundo a Primeira Grande Guerra ganhava assim o seu capítulo inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bismarck foi um dos primeiros estadistas modernos, não sendo gratuito, portanto, que todo lider tenha o seu "dia de Bismarck" ou, pelo menos, a pretensão de tê-lo. Deve ser dito, que Hassan Nasrallah, o líder do Partido de Deus (Hezbollah) revelou-se um Bismarck de primeira nestas últimas semanas. E como todo Bismarck bem-sucedido precisa de um tolo, ou seja, de alguém disposto a fazer o triste papel de Napoleão III em 1870, lá estava George W. Bush ao seu inteiro dispor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema de Nasrallah era muito simples. Seu Partido de Deus ficara numa situação muito difícil nestes últimos meses, quando tranformações tão inesperadas quanto importantes haviam transtornado o cenário político libanês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, a latente insatisfação com a tutela síria havia ganhado elemento catalisador na pessoa de Rafik Hariri, assassinado em circunstâncias misteriosas - ao que tudo indica, a mando dos sírios - em 14 de fevereiro do ano passado. O "martírio" do "Sr. Líbano" desencadeou um verdadeiro levante nacional, um levante pacífico, mas cujo resultado equiparou-se a uma autêntica vitória militar para Israel e os Estados Unidos. Com efeito, não somente caiu o governo pró-sírio de Beirute, como Damasco viu-se também  compelida a retirar os cerca de 40 mil de seus soldados que ocupavam o solo libanês desde o término da Guerra Civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse isso, a coalização anti-síria, vitoriosa nas eleições parlamentares de 2005, exibiu verdadeira habilidade política. Ao invés de marginalizar o Hezbollah, aliado dos sírios, o partido não só foi reconhecido como principal porta-voz dos xiitas - 35% da população libanesa - como também, convidado a participar do ministério de Fouad Siniora. Em compensação, a coalizão governante deu início a uma forte pressão para que o Partido de Deus fosse desarmado e que o Exército se convertesse na única corporação armada do Líbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ariel Sharon, um realista político, não havia tolerado os ataques do Hezbollah por complacência. Ele sabia que protestos diplomáticos e bombardeios limitados, mas danosos a infra-estrutura econômica do Líbano, eram a maneira certa de fortalecer as facções políticas dispostas a conter o Hezbollah e a afastar Beirute da esfera de influência síria. Aliás, os prejuízos que a situação de semi-beligerância no Sul do país impunham a economia haviam sido uma das principais causas do dissenso entre Hariri e Damasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, os recentes desenvolvimentos da política libanesa constituíam o que havia de mais promissor na situação do Oriente Médio para Israel e os Estados Unidos. Redobrar a pressão diplomática sobre Beirute e - nas situações de maior gravidade - efetuar alguns ataques isolados à infra-estrutura econômica do Sul do país, teria sido no atual momento a forma mais eficaz de induzir a opinião pública libanesa a apoiar a pressão do Governo Siniora sobre a facção de Nasrallah. E como neste campo seria relativamente fácil conseguir apoio internacional, não parecia nada confortável a situação do Hezbollah.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, Nasrallah precisava desesperadamente que Israel "pisasse no terreno". Ocorre, porém, que, mantida a política de Sharon, dificilmente Israel se arriscaria a uma nova guerra aberta no Líbano. Era por demais evidente que uma nova invasão do território libanês só serviria para acarretar ainda mais problemas para os israelenses, pois, como eles haviam aprendido dolorosamente desde os anos setenta, sua segurança só teria a perder com o enfraquecimento do Estado libanês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que, recém-eleito o atual governo israelense, duas forças se tenham reunido para impelir o primeiro-ministro Ehud Olmert a guerra. Segundo relatos publicados na imprensa americana durante estes últimos dias, mesmo antes que soldados israelenses fossem sequestrados ou mortos pelo Hezbollah no mês passado, o sinal verde para a invasão do Líbano já teria sido emitido por Washington. Faltava apenas um pretexto; que Nasrallah, é claro, apressou-se a oferecer, graciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem possível, segundo indicam aqueles mesmos relatos, que os "neoconservadores" do Governo Bush, preocupados com o crescente desprestígio que os reveses sofridos no Iraque e no Afeganistão impunham ao poder dissuasório dos Estados Unidos e seus aliados, assim como à sua exangue "guerra contra o terror", tenham encorajado Olmert "fazer política por outros meios". Uma vitória sobre o Partido de Deus, tão arrasadora quanto a que Israel conseguira sobre a OLP em 1982 no mesmo  Líbano, mostraria, "mais uma vez", o quão eficaz poderia ser o emprego das Forças Armadas contra forças terroristas, legitimando também a presença americana no Iraque. E, não bastassem todas estas "vantagens", a vitória israelense daria uma bela lição ao Irã, mentor político e militar do Partido de Deus. A forma com que George W. Bush apressou-se a proclamar a vitória de Israel, proclamação que nem mesmo Ehud Olmert ousou fazer em termos tão ufanistas, só confirma a veracidade desta hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, como pacifistas israelenses denunciam, as próprias Forças Armadas israelenses, temerosas de cortes orçamentários, já prenunciados por uma campanha na qual a pobreza substituiu a segurança como o tema mais importante, também favoreceram a guerra, na esperança de manter a sua ascendência sobre o Gabinete e - é claro - o seu quinhão no orçamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para convencer Olmert e seu ministro da Defesa, ambos inexperientes em matéria militar, bastou por certo invocar os ganhos políticos que adviriam desta nova demonstração de força. Afinal, qual político do nosso tempo não quer fazer o papel do "durão" bem-sucedido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Hassan Nasrallah conseguiu o seu Napoleão III e teve também o seu dia de Bismarck. Israel pisou alegremente o terreno e deu ao Hezbollah exatamente aquilo de que ele precisava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, no cenário mais luminoso possível para Jerusalém, Israel terá conseguido com esta guerra uma vitória concreta e uma derrota simbólica. A vitória concreta seria proporcionada por uma ocupação bem-sucedida do Sul do Líbano por parte do Exército libanês e das Forças de Paz das Nações Unidas. No caso de pleno êxito, Israel teria resguardada a sua fronteira setentrional contra ataques terroristas. A derrota simbólica advém do desgaste sofrido pela imagem israelense devido a sensação generalizada de que teria sido desproporcional a resposta militar aos ataques do Hezbollah. Pior ainda, é produzida também pela sensação de que, desta vez, Israel não pôde cantar vitória no campo de guerra, pois os milicanos xiitas não apenas opuseram forte resistência ao avanço do inimigo em solo libanês, como também, continuaram seus ataques ao território israelense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o problema é que a vitória concreta é muito mais condicional que a derrota simbólica. Nasrallah pode hoje resistir ao desarmamento de sua milícia muito melhor do que ontem, como, alías, já está fazendo. Mesmo que afastado do Sul pelo Exército e as forças da ONU, é bem possível que o Hezbollah consiga manter suas armas. A segunda "vitória" contra Israel legitima suas pretensões neste sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, não se pode desprezar um cenário no qual, mesmo compelido a retirar boa parte de suas forças do Sul, o Hezbollah preserve capacidade militar para realizar ataques periódicos a Israel sob as barbas dos militares libaneses e dos "capacetes azuis". E o que poderá fazer Israel quanto a isso, bombardear o territorío libanês novamente, sob pena de expor ao fogo de sua artilharia soldados franceses, italianos e turcos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo no melhor cenário possível para Israel, qual seja, o que resulte do completo desarmamento do Partido de Deus, Nasrallah será um lider político muito mais importante do que ele teria sido sem a guerra. Desse modo, sempre haverá forte apoio político e ideológico ao Irã e a outros inimigos de Israel e dos Estados Unidos no Líbano dos próximos anos. Sim, Nasrallah e Bin Laden têm excelentes aliados no Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como diria o velho Chanceler de Ferro, houve um dia em que Israel também "pisou no terreno".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115566513553462959?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115566513553462959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115566513553462959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115566513553462959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115566513553462959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/o-dia-em-que-israel-pisou-no-terreno.html' title='O dia em que Israel &quot;pisou no terreno&quot;'/><author><name>Piras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115560381721995525</id><published>2006-08-14T22:00:00.000-03:00</published><updated>2006-08-15T13:09:27.723-03:00</updated><title type='text'>Sobre heróis</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Triste do país que precisa de heróis" (Bertolt Brecht)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;_____________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o mundo acordou com uma estranha e implícita certeza: nossos heróis fracassaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo dia em que Israel cessou o ataque infrutífero ao solo libanês, sem conseguir alcançar o seu objetivo de destruir o Hezbollah, a segunda maior cidade do mundo acompanhou a libertação do repórter Guilherme Portanova, após assistir paralisada ao “ultimato” do Primeiro Comando da Capital às autoridades e governantes do Estado, em plena TV Globo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, e dessa vez não foi uma "brincadeira" como a daquela vez, encenada no programa do Gugu. Aliás, longe de ser uma "encenação", essa é uma realidade que está cada vez mais distante daqueles filmes em que o "mocinho" sai ganhando, e em que “as forças do Bem” sempre vencem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2001, após o ataque de 11 de setembro, que matou milhares de inocentes no atentado ao World Trade Center, os Estados Unidos saíram em caçada do líder terrorista. Mas, após matar outros vários inocentes, a maior máquina de guerra do mundo não conseguiu exterminar o Al-Qaeda. E de lá para cá duas ideologias têm se expandido, paralelamente: a do ataque dos terroristas à sociedade, em nome de "nobres valores"; e o revide das forças do Estado, que, sem conseguir articular um plano de inteligência tão eficiente como o de seus adversários, parte às cegas para um ataque a esmo, em que, junto dos marginais terroristas, vidas de civis são ceifadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem das torres em chamas, com pessoas saltando para a morte, e, após, o prédio desabando, caindo por terra junto de suas vítimas, foi um marco na História da civilização, e é um arquétipo de destruição e fracasso. A queda das torres imponentes em plena Nova Iorque foi – e representa – a queda de um império, a desmoralização de um povo. Um prenúncio de destruição. Naquele momento, a supremacia da maior potência do mundo capitalista acabava de ser abalada. Foi como a morte do Homem de Aço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pairava a impressão: "Os Estados Unidos já não são como antigamente". O Tio Sam, desmoralizado, precisava provar que ainda era forte, que ainda era o herói do mundo. Iniciaram-se, assim, os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Atitude que foi agora reprisada pelos seus aliados israelenses. Porém, mais uma vez, a "Liga da Justiça" perde para os seus adversários, ao contrário dos filmes e das histórias em quadrinhos. Todo o poderio bélico dos Estados Unidos foi insuficiente para vencer os seus inimigos terroristas, e as forças armadas de Israel, uma das mais eficientes do mundo, não conseguiram deter o exército de Hassan Nasrallah. Exército que é, aliás, um dos mais fortes do Oriente Médio, ao lado do próprio Israel e do Irã. E, sendo mais poderosos do que o próprio exército libanês, são eles, os heróis do seu povo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, o herói do Líbano não é Israel. Os heróis do Iraque não são os americanos. Também, em Havana, os cubanos não querem a ajuda dos EUA. Muitos idolatram o seu opressor. O herói de Cuba é Fidel Castro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, enquanto ditadores são idolatrados, e xiitas e sunitas espalham o pânico, em nosso país convivemos com uma versão miniaturizada – e diferente, é verdade –, do terror internacional. Mas há semelhanças. Também aqui os rebelões desmoralizam as autoridades, e alcançam, entre muitos, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;status&lt;/span&gt; de heróis.  &lt;span style="font-style:italic;"&gt;São aclamados&lt;/span&gt; como homens eruditos e leitores de Voltaire e Dante, e pregam a Justiça, a Paz e a Liberdade. Atacaram as delegacias, os fóruns e o Ministério Público, e depois de três séries de ataques, e de o ministro da Justiça dizer que está “amedrontado”, ousaram desafiar a “toda poderosa” Rede Globo. Foi  o ápice da ousadia do crime organizado no Brasil. De início, as autoridades diziam que “está tudo sob controle”. Também, em 2001, os EUA diziam que capturariam Bin Laden. Hoje, as torres caídas continuam a ser o nosso espectro. As forças do Estado se abalam. Dão lugar ao medo e ao terror e, depois, a algo pior: ao estado de letargia. Após o impacto inicial, o povo fica anestesiado, e o terror passa a ser rotina, algo normal. O Marcola já é uma espécie de lenda em nosso país. O povo admira  os vencedores, admira os fortes. Os poderosos, os heróis mudaram. Nada de EUA e Rede Globo. Os nossos heróis agora são o PCC, o Al-Qaeda e o Hezbollah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, em 2002, Luís Inácio da Silva foi eleito, passou a representar “a última esperança”, e a ser o herói de um povo. Logo depois, muitos se decepcionaram – mas muitos ainda o aclamam, ingenuamente. E nesse ano, até os “heróis da seleção brasileira” decepcionaram, na Copa do Mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de heróis. Que venham os terroristas, os ditadores, os corruptores. Sim, são eles, os marcolas, os bin ladens, os nasrallahs, hoje são esses os verdadeiros ídolos de um povo. Por que os nossos outros heróis fracassaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas muitos podem ainda acreditar que no dia em que o povo reconhecer que não precisa de heróis, e se der conta de que pode e deve  agir por si mesmo, os problemas cessarão, ou ao menos serão diminuídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não sou tão otimista. Há mais de dois mil anos atrás, houve um profeta que escreveu: “O grande dia do Senhor está perto, está perto, e se apressa muito a voz do dia do Senhor: amargamente clamará ali o homem poderoso. Aquele dia é um dia de indignação, dia de angústia e de ânsia, dia de alvoroço e de desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas. Dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortes e contra as torres altas. E angustiarei os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó e a sua carne como esterco. Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do Senhor, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada”. [Sofonias, 1:14, 15, 16, 17 e 18]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o princípio de dores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115560381721995525?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115560381721995525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115560381721995525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115560381721995525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115560381721995525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/sobre-heris.html' title='Sobre heróis'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115533003018251452</id><published>2006-08-11T17:48:00.000-03:00</published><updated>2006-08-12T12:07:04.166-03:00</updated><title type='text'>As Sinfonias de Vaughan Williams</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falar sobre música britânica do século XX sem destacar Ralph Vaughan Williams é como falar de música clássica brasileira e omitir Heitor Villa-Lobos. Ambos são de importância fundamental na utilização e desenvolvimento do folclore no nacionalismo de suas respectivas nações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao buscar no folclore e na Renascença de Tallis e Byrd o ponto de apoio de onde ergueu a sua sólida Obra, o compositor da Inglaterra, nascido na aldeia de Down Ampney, e doutorado em música por Cambridge, foi um dos primeiros que realmente libertou a música inglesa da influência alemã. Semelhante ao que fizera Janácek em terras tchecas, e Bartók e Kodály, na Hungria, Vaughan Williams e seu amigo de todas horas, Gustav Holst, percorreram os vilarejos mais remotos do Norfolk e outras regiões com o objetivo de compilar tradicionais hinos religiosos, danças e canções, que depois também serviram de inspiração para a obra de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos conhecem Vaughan Williams através de duas peças que ficaram famosas no mundo todo: ‘The Lark Ascending’, um belo romance para violino e orquestra, que utiliza melodias folclóricas e, ao mesmo tempo, faz paráfrase ao canto da cotovia, ave comum nos campos ingleses; e ‘Fantasia Tallis’, uma recriação muito pessoal de um coral de Thomas Tallis, porém substituindo o coro por orquestra de cordas, tendo o tradicional quarteto (violinos, viola e violoncelo) como solista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas duas obras mencionadas são pontos de referência para se ingressar na música de Vaughan Williams, pois o ouvinte tem chance de familiarizar com algumas das principais fontes de inspiração do compositor: folclore e hino da Renascença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não é a parte de sua obra mais substancial e importante. As sinfonias: eis a espinha dorsal deste grande compositor, talvez o maior que nasceu em terras britânicas. Ao menos é, incontestavelmente, o maior sinfonista inglês e um dos maiores de todo o século XX, ao lado de Mahler, Sibelius, Nielsen e Shostakovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semelhante a Beethoven, Schubert e Bruckner o compositor deixou nove sinfonias, cada uma com feição própria, estruturadas de tal maneira diferentes entre si que ficamos espantados quando as conhecemos pela primeira vez. Essa versátil individualidade chega a ser mais marcante do que as sinfonias de Sibelius. E, semelhante a Mahler, Vaughan Williams pertence àquela rara categoria dos ‘compositores filósofos’ que, a cada obra, querem recriar o íntimo e fragmentado universo com o intuito de descobri-lo novamente. A essa linhagem pertencem Bach, Beethoven e Cesar Franck, e Mahler, evidentemente, o filósofo do entre-séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, para quem sente interesse em se aprofundar nesse campo da obra de Vaughan Williams, há um aviso: não espere encontrar aqui as deliciosas melodias folclóricas utilizadas em suas canções e música orquestral ligeira, que têm valor à parte. Em quase todas sinfonias há bem pouca menção ao folclore de seu país. Antes, são obras densas de conteúdo filosófico realista e pessimista, com questionamentos sobre os problemas existenciais da humanidade. O músico em questão era, antes de tudo, homem fiel ao seu tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das admiráveis qualidades na obra de Vaughan Williams é o equilíbrio: em um estilo sóbrio e de emoção deveras complexa, soube dosar o antigo e o novo, sem cair na monotonia ou na cacofonia meramente experimental. Antes mesmo de qualquer movimento neoclássico, cujos pioneiros foram Busoni, Satie e Roussel, consolidado por Stravinsky, Vaughan Williams já escrevia, como já foi dito, peças inspiradas na Renascença, sendo o exemplo mais feliz aquela magnífica Fantasia Tallis. Depois, também aderiu ao ‘modismo’ neoclássico (ou neobarroco) propriamente dito, compondo o Concerto Accademico, inspirado em Bach, o compositor que amava acima de todos. Utilizou em suas sinfonias técnicas de escrita ‘’antigas” como a Fuga e a Passacaglia, transmutadas em sonoridades novas, atonais. O cromatismo do final da Sinfonia No. 6 é de uma magia desoladora, cujo efeito leva-nos a crer na fugacidade do tempo e no impalpável que há em todas as coisas. Mas não experimentou a politonalidade e o dodecafonismo. Vaughan Williams, por trás de sua intrincada teia de ‘filosofia musical’, não esconde que era um melodista nato. Em todas as obras nota-se uma elaboração cerebral à serviço da melodia, às vezes árdua, mas bela, sem dúvida, e nem sempre de assimilação fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse compositor nascido nos montes Cotswold, que é o coração da Inglaterra, e criado nas proximidades de Londres, aluno dedicado em Cambridge, erudito em história da música, peregrino dos campos e vilarejos, talvez seja o mais britânico de todos compositores britânicos. Apesar de ser considerado por muitos como um eclético, é o músico que mais assimilou e demonstrou em suas peças eruditas, populares ou acentuadamente folclóricas a essência do ‘espírito’ inglês, característica esta que perpassa, intima e fisicamente, a sonoridade de sua música, incluindo nas grandes obras corais a estilização dos hinos anglicanos e utilizando nos metais da orquestra a pompa cerimonial de um país que nunca deixou de acreditar na monarquia. Alguns dizem: inglês até demais, tanto que o global de sua obra ainda encontra incompreensão em muitos países, fazendo com que seja pouco conhecido internacionalmente. A poderosa melancolia do romantismo de Elgar e a produção lírica-teatral de Britten sempre serão mais digeríveis e aceitas onde quer que se apresentem, porque de certa forma são mais universais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, Vaughan Williams, esse homem profundamente britânico, era cético diante da fama, não tinha ilusões quanto às honrarias mundanas, rejeitando a distinção máxima que um cidadão de seu país poderia receber: a condecoração de ‘Sir’. Recusou a Ordem dos Cavaleiros e a indicação para assumir a alta posição de ‘Master of the King’s Musick’, dizendo que não queria ser ‘grande’ em nada, o que foi um espanto geral, pois estas honras foram bem aceitas por Elgar e depois por outros músicos como Bax e Walton. Mas Vaughan Williams preferiu abrir mão desse título de ‘Cavaleiro real’. Foi uma atitude de desprendimento semelhante a Maurice Ravel que havia recusado na França a homenagem da Legião de Honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro curioso fato da vida desse grande músico era a sua religiosidade. Escreveu uma das mais belas Missas a capella do século XX. Trabalhou em ato contínuo, durante quase toda sua vida, na ópera ‘Pilgrim’s Progress’, cujo conteúdo literário-musical é essencialmente místico. Também mística, daquele tipo de comoção extática que dispensa templos, é a Sinfonia No.5. Mesmo assim, era um ateu assumido, o que não convencia muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Sinfonias – Um Rápido Comentário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gravações de Sir Adrian Boult são, talvez, as que mais se aproximem da maneira como o próprio compositor gostava de regê-las, tendo, portanto, a concordância efetiva deste. Todas os registros sob a batuta deste maestro são recomendáveis, mas há aqueles que consideram a leitura de Boult superada pelas de André Previn e Andrew Davis. Fica a cargo dos ouvintes essa constatação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O compositor começou a enumerá-las somente a partir da 4a., gerando um equívoco a muitos esteticistas, que se referiram às primeiras como poemas sinfônicos, o que não é verdade. São sinfonias no sentido estrito e vasto da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira ‘A Sea Symphony’ (1910), sobre poemas de Walt Whitman, é uma sinfonia coral do início ao fim, mas seguindo a estrutura e os quatro movimentos clássicos, o que é uma raridade. É obra interessante de um artista que está em busca de seu estilo próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda ‘A London Symphony’ (1914), com programa cíclico, ilustrando um dia na vida da metrópole londrina: do nascer do sol até a madrugada do dia seguinte, já é obra puramente orquestral que desperta o interesse, principalmente o belo movimento lento. A sinfonia termina da mesma forma que começou, com a suavidade das horas que antecedem a alvorada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A terceira ‘A Pastoral Symphony’ (terminada em 1921), escrita em terras francesas, durante o conflito mundial, já é obra definitiva. É quase toda em andamento lento, uma longa reflexão mística sobre a guerra e a paz; nela não há pássaros nem florestas ou riachos, e sim as reminiscências da desolada planície, que fora palco, e da própria alma, que fora testemunha das recentes batalhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sinfonia No. 4 (1934), o oposto da anterior, é vertiginosamente dissonante e tumultuada nos três movimentos, com pausa apenas no melancólico Andante; a expressão é asperamene moderna mas construída sob os moldes arquitetônicos de Beethoven, do qual ela se aproxima; intimamente da Quinta, pelo evocação da fatalidade do destino, e da Sétima, pelo alucinante ritmo de dança. É obra genial. Não há outra palavra para distingui-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a seguir, a belíssima No. 5 (1943), em todos os sentidos diferente da anterior, e, em muitos aspectos, semelhante àquela Pastoral: a mesma perquirição místico-panteísta, a mesma suavidade ocultando profundezas. A obra utiliza o contraponto e termina com uma passacaglia. A fonte inspiradora foi o livro de John Bunyan ‘The Pilgrim’s Progress’, do qual o compositor também retirou o tema para sua melhor ópera com título homônimo, escrita e trabalhada durante 25 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa profunda meditação vem outra Sinfonia sobre a guerra: a No. 6 (1947), a obra máxima de Vaughan Williams, onde ele reúne todos os recursos aprendidos e utilizados nas sinfonias anteriores. Diferente das outras, termina com um movimento lento em forma de fuga. De conteúdo pessimista, alguns sentem nela a visão profética do futuro da Humanidade, a desolação cromática simboliza as ruínas que poderão surgir após uma última e abrangente guerra mundial. Já outros comentaristas vêem nesse final uma apoteose aos versos shakespeareanos de ‘The Tempest’ sobre a fugacidade da vida e da inconsistência dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, outra grande obra, a ‘Sinfonia Antartica’ (1952), também sem numeração. Aproveitando o material da trilha do filme ‘Scott of the Antartic’, o compositor cria outra contemplação místico-filosofica, desta vez em um território natural e selvagem: as terras geladas do pólo. Entremeio às tempestades de neve a Natureza e a imensa solidão que ela evoca. Ao lado de ‘Tapiola’ de Sibelius e ‘Edgon Heath’ de Holst, é uma das mais instigantes obras retratando uma região bravia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas últimas sinfonias, a No. 8 (1955) e a No. 9 (1957), que é ‘canto do cisne’, são obras de um Vaughan Williams já octagenário que não transige e continua criando música complexa e fechada em si mesma, de difícil acesso. Considero-as peças árduas e não podem ser desbravadas com muita facilidade, mas não sou insensato a ponto de não render-lhes o justo reconhecimento que merecem. São grandes obras que apenas nos aguardam para serem conhecidas em toda sua grandeza e mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os versos de ‘The Tempest’ de Shakespeare, atribuído como fonte inspiradora do final da Sexta, são a meu ver o leitmotiv de todas as outras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As torres que se elevam para as nuvens,&lt;br /&gt;os palácios altivos, as igrejas&lt;br /&gt;majestosas, o próprio globo imenso&lt;br /&gt;com tudo o que contém, hão de sumir-se&lt;br /&gt;sem deixarem vestígios. Somos feitos&lt;br /&gt;da matéria dos sonhos; nossa vida&lt;br /&gt;pequenina é cercada pelo sono.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sólida estrutura, a amplitude do desenvolvimento temático e a profundidade criativa fazem de Vaughan Williams e Shostakovich os últimos grandes sinfonistas da música européia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ailton Rocha&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115533003018251452?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115533003018251452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115533003018251452' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115533003018251452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115533003018251452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/as-sinfonias-de-vaughan-williams.html' title='As Sinfonias de Vaughan Williams'/><author><name>Ailton Rocha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115523771081540550</id><published>2006-08-10T16:20:00.000-03:00</published><updated>2006-08-10T16:36:28.286-03:00</updated><title type='text'>Ainda há uma esperança...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/regime.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/400/regime.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...que o sono não nos traga o pesadelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115523771081540550?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115523771081540550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115523771081540550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115523771081540550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115523771081540550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/ainda-h-uma-esperana.html' title='Ainda há uma esperança...'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115505101803423269</id><published>2006-08-08T12:23:00.000-03:00</published><updated>2006-08-08T17:10:09.730-03:00</updated><title type='text'>Sobre Amizade e Solidariedade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                                                                         “Um amigo fiel é um poderoso refúgio,&lt;br /&gt;                                                                                           quem o descobriu descobriu um tesouro.”&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                                                                                                                      Eclesiástico 6, 14&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas estão desatentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas somente entendem amor e riso nos momentos circunstanciais da alegria. Esbanjam afagos na festa da amizade na época em que sobram água, manjares e sombras. Fartam-se sob a égide da cornucópia, mas no tempo das duras penas elas deixam os amigos para trás, perdidos na tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas estão muito desatentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só compreendem a essência da vida depois que passam os vendavais, quando se assentam os aluviões de poeira. Elas olham para trás, com tristeza, e lamentam as paisagens em destroços; só assim se lembram daqueles que ficaram esquecidos com as mãos estendidas no torrencial de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas só compreendem o pouco caso que deram aos oásis humanos quando chega o tempo dos domingos murchos, em que a vaidade é um jardim vazio, em que as aparências mostram-se inúteis, época em que as paixões chegam ao fim. Então, algumas pessoas revivem rostos amados e insinuam um sorriso tardio de compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentavelmente, a maioria das pessoas só compreende a essência da vida na chegada do outono, quando aparecem as rugas. Para essas pessoas, já, há muito tempo, desabrocharam as flores. E essas também emurcheceram. Só lhes restam agora iniciar a colheita dos últimos frutos, se, por ventura, eles existirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitas as pessoas que passam pela vida. Passam, passam. E no final erguem a cabeça e notam de muitas maneiras que desatentas passaram. As oportunidades, extintas quase todas; as chances de exercer a solidariedade, mal aproveitadas, esvaídas na inércia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquemos sempre atentos ao provérbio: “Como é fácil ser amigo de um amigo em suas horas de plenitude!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Externo aqui a minha admiração aos que despertam, ainda que tardiamente, e tentam recuperar uma mínima parcela do tempo perdido, buscando compreender a dor alheia nas mesmas proporções que, um dia, partilharam da alegria e das festas no coração iluminado do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos que um amigo sincero e bom é como um anjo em nossa vida. Como são aconchegantes as asas que abraçam e a voz melíflua que aconselha! Ora, conviver com sorrisos e afagos nada custa. Beber no cálice da alegria em tempos sem tormento é o que de mais fácil há no transcurso da existência. Mas eis que toma de assalto o amigo a chaga do infortúnio. Esta é a hora da prova da verdadeira afeição, pois o que seria de nós se virássemos as costas a quem abraçávamos, certa vez, na regalia da festança, e com quem fomos, incondicionalmente, felizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora bom receber, mas, agora, como é angustiante amparar o anjo caído! Pois quando um amigo cai, sentimos que o nosso ponto de apoio também se modifica, a segurança se abala. No entanto, é justamente nessas horas que o apoio deve se cumprir fundamental, momento em que o abraço de receptividade pode amparar o corpo que cai, direcionando nesse abraço todas as forças, centrípetamente, para um único ponto central que pode ser o coração do amigo sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não meçam esforços para ajudar o amigo que sofre, desde que este lhe peça o conforto, ainda que insinuado, porque auxiliar os que abaixam a cabeça e insistem em se despedir da vida é ato infrutífero, é como escrever sobre águas ou pretender atar as beiradas do vento. Quando essa atitude se faz concreta, então orem por ele em suas horas de meditação. Respeitem o silêncio do amigo e o aguardem de braços abertos para quando ele estiver pronto e solicitar o seu amparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, velai por todos ! Nos episódios tortuosos da vida, estendam as mãos para aqueles que, em algum momento, foram os seus companheiros de alegria, pois é bem mais verdadeiro o sabor do riso compartilhado após os tormentos do que a volubilidade das taças que tinem no vazio dos motivos. As duradouras amizades são aquelas iniciadas no riso, temperadas na mútua compreensão da dor e depois consubstanciadas no sorriso do agradecimento. Eis a amizade sólida, a alegria que dura e que ultrapassa os obstáculos do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre bom darmos graças àqueles que despertaram e conseguiram capturar a mínima parcela das horas perdidas. E por aqueles que terminam a vida da mesma forma como começaram: em profunda sonolência, oremos por eles. Não puderam aprender com a doação da amizade em solidariedade. Oremos para que despertem da letargia !&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                                                                            (do livro inédito "A Substância do Fogo")&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115505101803423269?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115505101803423269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115505101803423269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115505101803423269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115505101803423269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/sobre-amizade-e-solidariedade.html' title='Sobre Amizade e Solidariedade'/><author><name>Ailton Rocha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115493299925058026</id><published>2006-08-07T01:36:00.000-03:00</published><updated>2006-08-07T03:43:19.433-03:00</updated><title type='text'>Sobre a Constituinte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estou entre aqueles que morrem de amores pela Constituição de 1988. Para mim, a tal Constituição Cidadã nunca passou de uma impostura: prometendo a todos um verdadeiro céu na terra, como se a letra da lei bastasse para criar o paraíso, o constituinte de 1988 derramou-se em disposições para toda sorte de problema; até mesmo simples decretos regulariam de forma adequada algumas das matérias que mereceram a sua atenção. O que faltou mesmo foi o que haveria de mais importante a fazer naquele momento: dotar a nova democracia de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;instituições sólidas e funcionais&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, fosse pelo que trouxe de inovação institucional e o Congresso Constituinte de 1987-1988 nem mesmo teria valido a pena. No entanto, foi exatamente por preservar boa parte do modelo institucional que havia malogrado em ensaios democráticos anteriores, com muitas das perversões acrescidas pela ditadura militar, que a Constituição vigente tornou letra morta boa parte do generoso elenco de direitos individuais e sociais nela incluído e que nossos juristas não cansam de exaltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão "eficaz" o nosso sistema de freios e contrafreios ("checks and balances") que um Presidente da República recém-eleito pode praticamente tudo, até mesmo confiscar boa parte da poupança privada nacional, como fez o "liberal" Collor de Mello no dia mesmo de sua posse! E tão "separados" são os Poderes do Estado que cada um deles é dotado de sua própria esfera opressão; opressão que, geralmente, toma a forma de um caudaloso desperdício de recursos arrancados ao contribuinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos mesmo ao ponto de substituirmos o controle recíproco pelo acobertamento mútuo, tal como acaba de ser constatado agora em Rondônia; constatado, receio eu, por ter se manifestado sob uma forma demasiado explícita. Duvido que, sob formas menos extrovertidas - ou, pelo menos, menos constantes -, o mesmo fenômeno não se reproduza em toda parte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito, portanto, que o arcabouço político-institucional do País precisa de reformas profundas. Esta teria sido a tarefa de uma Assembléia Constituinte de verdade, exclusiva e independente, exatamente aquilo que o governo Sarney, ou melhor, da coalizão PMDB-PFL, jamais poderia ter proporcionado ao Brasil. No entanto, não creio que a atual administração seja muito superior neste aspecto. E tampouco espero melhor disposição para a tarefa de um eventual governo Alckmin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual seria a vantagem hoje de reunir-se uma Assembléia Constituinte? Fosse uma assembléia exclusiva, independente e estritamente proporcional, teria vantagens mais do que evidentes em relação ao Congresso Nacional. Fosse apenas uma arremedo de Constituinte - um Congresso dotado de poderes constituintes -, tal como tivemos em 1987-1988, a vantagem seria uma só: um "quórum" menos qualificado e, portanto, menos difícil de ser alcançado para que se aprove as reformas necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma: qualquer reforma constitucional, quando votada pelo Congresso, exige maioria de 3/5 dos votos em dois turnos de votação. Isto em cada uma de suas câmaras! Uma Assembléia Constituinte poderia, por exemplo, exigir somente maioria simples, em turno único, para votar as suas deliberações. E com a vantagem adicional de ser um Parlamento unicameral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, como o principal problema de sistema político brasileiro tem sido exatamente a venalidade de boa parte de nossos representantes, restaria sempre a pergunta: como evitar que também os constituintes fossem "cooptados" pelo governante de plantão? Ou alguém já esqueceu do modo como o Sr. Sarney e os governadores estaduais (Quércia, Moreira Franco, Newton Cardoso e outros da mesma "famiglia"...) "convenceram" os constituintes de 1988 a votarem a manutenção do presidencialismo ou o mandato presidencial de cinco anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francamente, é difícil imaginar que uma Assembléia Constituinte tutelada pelos Sres. Lula da Silva ou Geraldo Alckmin instaure verdadeiro equilíbrio entre os poderes, aprimorando os meios de controle do Parlamento e da Justiça e proporcionando maior independência a estes últimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse isso, a convocação de uma Assembléia Constituinte parece completamente alheia às possibilidades de reforma constitucional admitidas pelo Texto Magno. Com efeito, afora a "revisão constitucional" convocada pelo Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, já efetuada - melhor seria dizer "desperdiçada" - no ano de 1993, a única forma de reformar a Constituição vigente é aquela fixada pelo seu art. 60, ou seja, por meio das chamadas "emendas constitucionais".  E o rito fixado no art. 60 faz parte daquilo que parte da doutrina jurídica denomina de "núcleo imutável implícito" da Constituição. Vale dizer: são verdadeiras "cláusulas pétreas" não-expressas, que se podem deduzir da interpretação sistemática do texto normativo. E, como clásulas pétreas, não são suscetíveis de modificação, nem mesmo por uma emenda constitucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, nem mesmo uma emenda constitucional poderia modificar a forma como é modificada a Constituição Federal. Logo, nem mesmo uma emenda constitucional poderia convocar uma Assembléia Constituinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a interpretação predominante no pensamento jurídico brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém lembraria, contudo, que foi exatamente uma emenda à Constituição de 1967 que permitiu a atribuição de poderes constituintes ao Congresso Nacional eleito em 1986. E que havendo continuidade jurídica entre o regime jurídico-constitucional anterior e o vigente, o procedimento tido como legítimo para a promulgação da atual Constituição não poderia ser validamente repelido para a promulgação de outra. É um argumento. E forte! Tão forte que poderia tornar-se majoritário num futuro próximo, dependendo do estado a que chegar nossa renitente crise política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sei é que, no presente momento político, dado o enorme poder de corrupção de que dispõem o Poder Executivo e fortes corporações públicas e privadas (ou público-privadas, como sói acontecer no Brasil...), a melhor coisa a fazer seria mesmo reformar as instituições politicas por meio de consenso. Reformas consensuais, quando promovidas pela pressão da opinião pública, podem produzir excelentes resultados. Na Itália, foi uma reforma consensual, aprovada depois do cataclisma político gerado pela "Operação Mãos Limpas", que substituiu o péssimo sistema eleitoral (muito semelhante ao nosso...) por um outro, inspirado no alemão. Infelizmente, tal sistema foi reformado para pior - e por motivos meramente casuísticos - durante o governo Berlusconi. Não duvido que o maior avanço institucional dos últimos anos, a cláusula de barreira contra os "partidos nanicos" e "legendas de aluguel" (expressões quase sinônimas!), teria sido abortada pelo governo Lula se este tivesse maioria necessária para tanto. Afinal, seria uma forma de agradar aos seus aliados do PCdoB, PSB, PL e outras legendas "históricas"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou certo de que um Congresso privado das legendas nanicas poderá produzir muito mais facilmente o consenso necessário a votação de reformas políticas por meio de  emendas constitucionais do que o atual. E o declínio de prestígio sofrido por um Presidente em segundo mandato pode ser muito mais saudável a um projeto de reforma menos condicionado aos interesses de uma ou outra facção política do que a potência de um "imperador" recém-eleito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Inglaterra, foram reis fracos que produziram um sistema parlamentar forte. No Brasil, embora ansiemos ainda pelo "déspota esclarecido", talvez se dê o mesmo...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115493299925058026?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115493299925058026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115493299925058026' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115493299925058026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115493299925058026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/sobre-constituinte.html' title='Sobre a Constituinte'/><author><name>Piras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115461769184596332</id><published>2006-08-03T12:06:00.000-03:00</published><updated>2006-08-03T12:08:11.856-03:00</updated><title type='text'>Conceitos da arte e música contemporânea</title><content type='html'>Lendo "&lt;strong&gt;O ermo e o jardim&lt;/strong&gt;", post do nosso amigo Piras, lembrei-me de um texto que escrevi, em março, no Contrapunctum. Trata também da questão do Belo em arte; a Arte, essa coisa tão difícil de definir, que sabemos exatamente o que é, mas não conseguimos expressar em palavras. O texto está meio confuso. Irritante, até. Longe do refinamento de Hernandez Piras. Mas transcrevo-o mesmo assim:&lt;br /&gt;____________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma vez uma professora de Educação Artística nos perguntou: "O que é o belo?". E acrescentou: "É o mesmo que bonito?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas foram evasivas, e ela nos falou: "Belo é algo que está além do conceito de 'beleza', de 'bonito'. Imaginem uma pintura que represente o sertão nordestino, com as feições de um homem sofrido. Esse quadro representaria a fome, a miséria, a pobreza dessa região pobre do Brasil na figura de uma pessoa que traz em suas feições as marcas do sofrimento. Esse quadro não é bonito. Mas é belo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ela não nos disse com essas palavras. Mas de uma maneira mais breve e singela, ela nos transmitiu exatamente o sentido da paráfrase acima. E essa verdade nunca mais foi por mim esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hipotética pintura, a figura não seria bonita - o contrário, até. Mas representaria uma VERDADE ESSENCIAL, uma VERDADE HUMANA. São esses valores que transcendem o famigerado e vulgarizado significado de beleza, de estética, e alcançam o sentido de BELO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte deve ser bela, mais do que bonita. E antes que bonita, deve ser VERDADEIRA. Debussy disse: "a arte é mais bela das mentiras", e uma frase de Picasso diz que "a arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade". Entretanto, a arte é uma manifestação verdadeira, elevada e sofisticada do ser humano. Uma expressão genuína de aspectos que estão além da linguagem. E para ser verdadeira, a arte deve ser fiel a si mesma e a um ideal, e não pode ser uma cópia, um pastiche. O sentido da arte evolui com a história e - atenção - essa progressão não é o tornar-se "melhor ou pior", como muitos deduzem. É uma progressão natural na linha do tempo. Em parte linear, em parte cíclica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harold Bloom, o mais importante crítico literário da atualidade, diz que todo artista deve superar a influência de seus antepassados. Isto é "re-leitura", é superação, é vencer a "angústia da influência", de que ele trata em seus livros, como o Cânone Ocidental - ainda não li o livro. A arte deve ser verdadeira, e por vezes, até "impura (...) deve-se primeiro aprender, para depois esquecer", como sempre lembra o compositor Marlos Nobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORÉM...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público, o grande público, de nossos dias - o que diz apreciar arte de qualidade -, aprecia somente as formas "clássicas". Na música, é o barroco, classicismo, romantismo e, quando muito, um pouco do modernismo. E... SÓ. Na pintura, na poesia, na literatura, idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos criticam um Webern, um Schoenberg, Boulez, Ligeti, John Cage, Stockhausen, etc. Mas... antes de criticá-los, não é preciso tentar compreendê-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o sentido da arte? Arte não é algo muito mais profundo do que o "bonito?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como voltar para trás. Não há como voltar a compor em estilo barroco e clássico novamente. A arte não pára, nunca. O pastiche, a imitação e a falsificação são medíocres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se se estudar o passado e, orientado nele, assimilando e FILTRANDO influências, caminhar PARA FRENTE, sempre com novas idéias e experimentações. No meio dos novos passos, muita coisa equivocada pode ficar no caminho, mas o que vale é o aprendizado, e neste campo, mesmo os ERROS são válidos, e levam a algo superior. Não há como CRIAR sem tentar, experimentar, e até, de vez em quando, falhar. Vejamos o caso de Pierre Boulez: o grande público simplesmente não compreende sua música! Mas ele é aclamado pelos profissionais, críticos e musicólogos - os que realmente estudam música a fundo e a conhecem - como um dos grandes compositores do nosso tempo. Fica a pergunta: a arte é só repetição do que se aprendeu a gostar? E como criticar sem, antes, compreender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos outros exemplos: A Sagração da Primavera, de Stravinsky foi vaiada em sua estréia. Ninguém entendeu nada, à sua época. Mas hoje ela já está a vencer barreiras, e até mesmo alguns conservadores a apreciam. Mahler, quando foi incompreendido, disse que sua música só seria compreendida depois de cinqüenta anos, e assim aconteceu. Van Gogh pintou 879 quadros e só conseguiu vender UM em sua vida. Mas a posteridade o compreendeu e Retrato do Doutor Gacht, um dos seus quadros mais famosos, foi vendido em 15 de maio de 1990 em apenas três minutos de leilão por 82,5 milhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensem: o papel da arte não é algo além do que produzir algo de que já nos acostumados a gostar, e achamos "bonito"? J. S. Bach, além de não ter sido apreciado em vida como compositor, não foi também esquecido após sua morte, vindo sua música a ser reconhecida apenas um século depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoal, vamos reconhecer e tentar compreender a música contemporânea! Por que reconhecer só os que já foram? De que adianta, para o compositor, ter sua arte reconhecida postumamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que julgar a música que está sendo produzido agora - ou a música de cinqüenta anos atrás - como "lixo", algo que "não presta", ou "ruim", não é algo pretensioso demais? Com que métier julga-se com tanta facilidade algo que não se conhece, algo que quase não se chegou a ouvir? Como, com tanta facilidade, julgam toda uma época, toda uma geração de artistas profissionais, e conhecedores de seu ofício?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente ignoram, "riscam" as manifestações mais recentes do seu conceito de "arte", e consideram quaisquer que a apreciam como um bando de "pseudo-intelectuais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que o belo, a verdade essencial não está além do conceito vulgarizado de "bonito", e não é algo mais complexo e elaborado, que está além da capacidade de assimilação do público, transcendendo o conceito usual de "estética"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tentando-se, e dando-se uma chance - primeiramente a si mesmo, e depois, à arte de HOJE, que é a nossa, que é a dos compositores vivos -, tentando-se, com paciência, ouvindo, lendo e estudando, alcança-se o sentido verdadeiro do que é arte, cuja concepção hoje é mais complexa do que há séculos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto há para aprender!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte hoje possui um mui profundo sentido filosófico, e ela esconde significados além do evidente, do superficial. A arte não é um belo mar, bonito, sendo apreciado na superfície juntamente com os pacíficos pássaros e um belo crespúsculo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrem-se de que se o mar é bonito na superfície, mas é nos recônditos e nas profundezas do oceano que se abrigam os verdadeiros mistérios, desconhecidos, e o que há de mais belo. E o público de hoje aprecia o passado, e compreende a sua superfície. Mas a arte de hoje é um oceano incompreendido.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115461769184596332?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115461769184596332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115461769184596332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115461769184596332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115461769184596332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/conceitos-da-arte-e-msica-contempornea.html' title='Conceitos da arte e música contemporânea'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115445385212081524</id><published>2006-08-01T13:54:00.000-03:00</published><updated>2006-08-01T14:37:32.176-03:00</updated><title type='text'>Exercicio de Imaginacao</title><content type='html'>Facamos um exercicio de imaginacao.&lt;br /&gt;Imaginem a seguinte situacao (que infelizmente nao e' tao fora da realidade):&lt;br /&gt;Imaginem que os grupos de traficantes da nossa vizinha Bolivia resolvam se organizar.  Imaginem que esses grupos se unam em torno de uma lideranca unica. Agora imaginem esse grupo com dinheiro e armas, muitas armas. Imaginem que o governo boliviano, sem condicoes para combater o trafico organizado, tenha mantido certos acordos com os traficantes para uma co-existencia toleravel e ate' certo ponto "pacifica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imaginem que os chefes de trafico bolivianos comecem um processo de expansao. Querendo mais poder, mais dinheiro e mais influencia, esses chefes cobicam o "mercado brasileiro" de drogas. Agora imaginem esses traficantes bolivianos tentando controlar o trafico de drogas brasileiro. Imaginem que os traficantes brasileiros resistindo a esse dominio e que as organizacoes de trafico bolivianas e brasileiras "declarem guerra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imaginem que, os traficantes bolivianos resolvam atacar as favelas do Rio e de Sao Paulo para "acabar com a competicao". Imaginem que, com os recursos do trafico de drogas, os traficantes bolivianos tenham acesso a armamentos de extremo poder de destruicao, como avioes e misseis. Imaginem que esses traficantes bolivianos lancem um ataque aereo, com misseis, a cidades brasileiras. Muitos traficantes brasileiros morreriam, juntamente com varias pessoas sem ligacao nenhum com o trafico. Imaginem o caos que esses ataques bolivianos trariam para as nossas cidades e para o nosso governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo brasileiro exigiria atitudes imediatas do goveno boliviano. O goveno boliviano lamentaria a situacao, mas argumentaria que nao tinha controle sobre os traficantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso milhares de brasileiros viveriam com medo do proximo ataque. A situacao se tornaria insustentavel, e sem poder resistir mais a pressoes internas, o governo brasileiro teria que declarar guerra ao trafico boliviano. O exercito brasileiro teria que cumprir sua obrigacao e defender a patria. Batalhoes seriam mandados para a fronteira com o pais inimigo e cidades de Mato Grosso seriam transformadas em bases militares, prontas para o ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Internamente, na Bolivia, os chefes de trafico, buscando apoio local, dariam comida, agua e abrigo a populacao boliviana, e com isso se misturariam com a populacao local.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enquanto isso a pressao internacional seria grande. Paises tradicionalmente amigos do Brasil, como Portugal  (e com interesses na America do Sul) declarariam seu apoio ao governo brasileiro, repudiando a atitude do governo boliviano, que nao consegue controlar a sua situacao interna.  &lt;br /&gt;Agora imaginem que nossos outros vizinhos da America do Sul, compartilhando uma cultura semelhante, e com outros interesses no mapa politico e economico sulamericano resolvam apoiar, veladamente, os bolivianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, num beco sem saida, resolve partir para a ofensiva e lanca um ataque aereo a cidades bolivianas. Muitos sao mortos, traficantes, mulheres, criancas. A imprensa internacional criticaria a atitude brasileira, que ao atacar cidades bolivianas, atacou o governo boliviano, que teoricamente estaria do lado brasileiro "tentando controlar a situacao internamente." O unico apoio internacional viria de Portugal, por meio de declaracoes e ajuda financeira. Outros paises apoiariam a Bolivia, e criticariam veementemente a posicao portuguesa no conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, quietinha, como um abutre a esperar o desfecho de uma luta entre leoes, a Argentina ficaria a espreita, para no final da Guerra, entrar em cena e tomar controle do que restar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imaginem essa mesma situacao, mas com os nomes dos paises trocados. Troquem a Bolivia pelo Libano, o Brasil por Israel, e Portugal pelos Estados Unidos. Soa familiar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e antes que eu me esqueca, os Argentinos nessa historia tem olhos puxados, pele amarela e  comem com dois pauzinhos. E esperam pacientemente pensando que quanto maior a guerra agora, maior sera' sua supremacia depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115445385212081524?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115445385212081524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115445385212081524' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115445385212081524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115445385212081524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/08/exercicio-de-imaginacao.html' title='Exercicio de Imaginacao'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115423566509333635</id><published>2006-07-30T01:59:00.000-03:00</published><updated>2006-07-31T13:07:40.690-03:00</updated><title type='text'>Há algo errado?</title><content type='html'>Em 1985, após o Regime Militar, um presidente foi eleito. Porém, foi internado com fortes dores, um dia antes da posse - coincidentemente -, &lt;strong&gt;e depois veio a falecer&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1990 outro presidente foi eleito. Em 1992, foi denunciado como corrupto, o que revoltou o país inteiro. Caras pintadas. Impeachmant. &lt;strong&gt;É odiado por toda a nação&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1992 um político morre em acidente de helicóptero. Seu corpo não é encontrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2000 um prefeito de São Paulo é acusado de corrupção. Também causa revolta em toda a população. &lt;strong&gt;Todos o odeiam&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002 mais um presidente é eleito, com recorde mundial de votos. Em seu mandato, ouve-se falar de escândalos de seu partido, em toda a parte. No final de seu mandato, ele ainda possui alta popularidade. &lt;strong&gt;Ninguém o odeia&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo errado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há por trás de todas as ações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não é um problema só do Brasil. É de todo GLOBO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/1600/globo.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3954/3367/400/globo.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115423566509333635?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115423566509333635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115423566509333635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115423566509333635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115423566509333635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/h-algo-errado.html' title='Há algo errado?'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115397324143638136</id><published>2006-07-27T00:57:00.000-03:00</published><updated>2006-07-27T01:09:30.550-03:00</updated><title type='text'>O ermo e o jardim</title><content type='html'>&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 2.0  (Linux)"&gt;&lt;meta name="AUTHOR" content="Hernandez Piras"&gt;&lt;meta name="CREATED" content="20060726;23091500"&gt;&lt;meta name="CHANGEDBY" content="Hernandez Piras"&gt;&lt;meta name="CHANGED" content="20060727;513400"&gt;              &lt;style type="text/css"&gt;  &lt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;  &lt;/style&gt;  &lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Qual foi o maior mérito de Schöenberg? A inovação, a ruptura? Não apenas. Schöenberg obtém boa parte do seu reconhecimento como compositor por ter decidido que o Belo não seria mais o critério crucial na valoração de uma obra artística. Em outro termos, o valor de uma peça musical não deveria ser mais julgada pela sua beleza, ou, ao menos, ser belo já não seria tão importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa ruptura com os valores tradicionais era muito menos formalista do que poderia parecer a princípio. Schöenberg não queria apenas “emancipar a Arte dos valores tradicionais – como muitos diriam atualmente – nem tampouco produzir ruptura limitada ao aspecto formal. Havia também nele a ambição de dotar a Arte, por meio de uma forma libertada das restrições impostas pelo Belo, de uma visão mais acurada da realidade e, conseqüentemente, de maior força transformadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;Esse “programa” - como nos explica Carl E. Schorske em seu clássico &lt;i&gt;Viena fin de siècle&lt;/i&gt; - será exposto com notável clareza na ópera &lt;span style=""&gt;&lt;i&gt;Moisés e Arão&lt;/i&gt;.  Nesta peça, inspirada numa narrativa bíblica, o profeta Moisés personifica a Verdade enquanto que Arão, seu irmão é a imagem viva do Belo. Moisés não canta, ficando a meio-caminho entre o cantar e o falar, com efeitos quase sempre desagradáveis para o ouvido. Arão, por sua vez, canta lindamente. Não causando surpresa que seja quase sempre por seu intermédio que Moisés se faça entender pelo povo. Esta dependência mútua, entre quem tem o conteúdo a exprimir e o que sabe fazê-lo de modo agradável ou, pelo menos, inteligível, esconde um conflito, como parece evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E o conflito explodirá de um modo mais que eloqüente quando do famoso episódio biblíco do Bezerro de Ouro. Enquanto, a Verdade – isto é, Moisés – vai ao encontro de Deus, seu irmão Arão – ou melhor, o Belo – termina cedendo a superstição do povo, aceitando forjar ele mesmo uma falsa divindade, o tal bezerro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Obra inacabada, &lt;i&gt;Moisés e Arão&lt;/i&gt; não exige, contudo, sequer uma nota a mais para que se faça entender. O sentido não poderia ser mais claro: a Arte, quando orientada pelo Belo, é sempre Arte fadada a mentira. A Arte, quando expressão da Verdade, jamais temerá a desarmonia, a feiúra; pelo contrário, desarmonia e feiúra serão apenas uns entre os tantos meios de que se valerá a Arte para exprimir o verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eis porque  Schorske adotará a bela metáfora do ermo e do jardim para exprimir a música de  Schöenberg. Tendo retratado o compositor austríaco como um burguês corajoso e otimista, a quem não afligiam as propaladas “desordens” com que o capitalismo forjava o progresso do mundo,  não estranha ele que  Schöenberg faça de sua música serialista exatamente um reflexo deste novo “ermo selvagem”. Para Schöenberg, portanto, a Arte não deveria dissimular o ermo sob o véu de uma falsa beleza, mas precisamente demonstrar a Verdade que jazia escondida sob a desordem aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era precisamente o que acontecia a própria música serial, que sob a “babel” da atonalidade, dissimulava uma impecável ordem matemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Evidente que  muitas outras escolas vieram depois que  Schöenberg exprimiu o seu “programa”. Mas o substrato teórico do serialismo seria, de certo modo, seguido pelos principais movimentos artísticos do seculo XX. Não sendo de estramhar, portanto, que até hoje qualquer obra que gere inquietação ou desconforto mereça muito mais simpatia por parte dos críticos do que outra tida por “edificante”. E ser edificante, no caso, pode significar simplesmente uma tentativa de resposta ao invés do simples “colocar a pulga atrás da orelha”. Com efeito, qualquer artista que exiba convicções muito sólidas pode parecer “político” demais para o gosto dominante. Mostrar o ermo selvagem ou exibir até mesmo uma certa satisfação para com ele ainda é visto como infinitamente mais digno do artista do que pôr-se a semear jardins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Nimbus Roman No9 L,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A questão é saber em que medida esse “programa” formal ainda faz sentido nos dias de hoje. Mas para discutir este ponto seria preciso viajar até a Viena do passado e, depois disso, percorrer todo o século XX. E –  definitivamente – já flanamos muito por hoje! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="western" style="margin-left: 0.75cm; margin-right: 0.48cm; margin-bottom: 0.3cm; line-height: 0.3cm;" align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115397324143638136?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115397324143638136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115397324143638136' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115397324143638136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115397324143638136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/o-ermo-e-o-jardim_27.html' title='O ermo e o jardim'/><author><name>Piras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115386101885156769</id><published>2006-07-25T17:43:00.000-03:00</published><updated>2006-07-25T18:07:06.440-03:00</updated><title type='text'>As inofensivas borboletas...</title><content type='html'>Caros leitores e escritores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra é o assunto do momento. Todos têm suas opiniões. Também vou dar o meu pitaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como comentei no post do meu nobre amigo Piras, nada justifica uma guerra. E, também, nada justifica atitudes que possam provocar uma guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, numa situação hipotética, o nosso querido Brasil fosse invadido por conquistadores querendo dominar o nosso terreno, certamente o nosso país, mesmo o nosso pacífico Brasil, responderia com guerra. Nesse caso, de quem seria a "culpa"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão não é só de culpa. É também saber localizar os fatores que desencadeiam algo complexo, e isso não é tarefa fácil. Antes que isso, é mais fácil “escolher culpados”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo que o farfalhar de uma &lt;em&gt;Parnassius mnemosyne&lt;/em&gt; pode causar um tufão do outro lado do globo (segundo a &lt;strong&gt;Teoria do Caos&lt;/strong&gt;), os elementos que desencadeiam o caos de uma catástrofe como uma guerra muitas vezes podem passar despercebidos por aqueles que apontam o furacão, mas não enxergam, do outro lado, o bater de asas de uma criatura aparentemente inofensiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confundem-se causa e efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo ocorre com a religião. Se uma religião prega a paz, mas uma &lt;strong&gt;minoria&lt;/strong&gt; utiliza-se da fé para cumprir os seus objetivos mais funestos, a culpa não é da fé. É dos homens que a deturpam, dos radicais que distorcem seus ensinamentos. Já dizia Willian Shakeaspere: “O demônio pode citar as escrituras para justificar seus fins”. Um verdadeiro islâmico, por exemplo, abomina as manifestações radicais terroristas. Mas sempre o todo será visto pela parte, em uma generalização sempre comum, seja na polícia, na política ou na religião... E nesse caso, mais uma vez, aponta-se o efeito, mas não se distingue a causa. E isso tem nome: &lt;strong&gt;estereótipos&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja na guerra, na política ou na religião, sempre todos culparão o furacão, mas poucos verão as borboletas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115386101885156769?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115386101885156769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115386101885156769' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115386101885156769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115386101885156769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/as-inofensivas-borboletas.html' title='As inofensivas borboletas...'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115385702868167754</id><published>2006-07-25T16:14:00.000-03:00</published><updated>2006-07-25T16:50:45.353-03:00</updated><title type='text'>Fanatismo</title><content type='html'>Qual e' a solucao para o confronto do Oriente Medio? Alias, a pergunta seria "Existe alguma solucao para o confronto do Oriente Medio?" Hoje em dia, depois de decadas de conflito nao adianta dizer "foi ele que comecou!" Tentar achar o culpado, definir quem atirou a primeira pedra - ou seria missil? Depois de geracoes de odio, nao acho que um dia existira' uma paz verdadeira entre o pessoal por la'. A fruta ja' estragou. O leite ja' foi derramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As criancas Palestinas sao criadas desde o berco odiando Israel. Criancas Israelitas recebem o mesmo tratamento. Imaginem crecer ouvindo "Um dia, quando vc for gente grande, matara' muitos inimigos e defendera' sua nacao do mal." Como tentar achar um meio-termo entre culturas que se odeiam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que o assunto e' serio. Vidas serao ceifadas por causa dessa intolerancia. Guerras, como disse o nobre colega no post anterior, sao e serao sempre parte da natureza humana. Assim como a religiao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem-me os religiosos, mas Guerras e Religioes sempre andaram de maos dadas ao longo da Historia. Essa afirmacao crua, que no primeiro momento soa impiedosa e leviana, possui fundamento na caracteristica mais essencial do ser humano. O desejo de viver. O desejo de viver no ser humano e' tao forte que matamos e morremos por ele, por mais paradoxal que isso seja. Seja na vida terrena ou na "vida eterna", o homem quer permanecer vivo. Nem que tenha que morrer por isso. "Se eu morrer, mas levar mais dois inimigos comigo, ja' estou em vantagem" - Voces acham que esse pensamento nao passa pela cabeca de soldados e guerrilheiros? E' como o time de futebol que leva um gol, mas faz dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessa historia toda o fanatismo se encarrega do papel mais cruel na guerra e na religiao. Nao existem mocinhos quando se trata de fanatismo religioso. Os catolicos das cruzadas davam sempre uma opcao aos povos "infieis" - Ou converta-se ao Deus verdadeiro ou sera' morto. Alguma semelhanca com os "fanaticos muculmanos terroristas" que querem destruir o mundo ocidental?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E' como o torcedor de uma torcida organizada que, revoltado com uma derrota, encontra no rival de outro time o alvo perfeito para canalizar seu fanatismo. O resultado nao pode ser diferente - violencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repito aqui, existe alguma solucao para o confronto do Oriente Medio? Existe solucao para Guerra? Para o Odio? Para a natureza humana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a sua religiao? Cada um tem suas crencas individuais. cada um e' um pouco fanatico - Essa e' a natureza humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, por exemplo, sou Flamengo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115385702868167754?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115385702868167754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115385702868167754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115385702868167754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115385702868167754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/fanatismo.html' title='Fanatismo'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115381053471032916</id><published>2006-07-25T03:11:00.000-03:00</published><updated>2006-07-25T03:55:34.720-03:00</updated><title type='text'>A guerra e as palavras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante dias, matutei sobre a melhor maneira de abordar este tema espinhoso mas incontornável: a guerra. Sim, nem é preciso nominá-la, pois a guerra, como dizia Tocqueville da revolução, "é sempre a mesma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que a dificuldade de encontrar o tom adequado, a palavra certa, a sentença exata seja devida ao próprio desgaste do mundo das palavras. Hoje em dia, toda vez que minha indignação tenta se exprimir em palavras, ela recua encabulada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma impotência de que padece atualmente a Política quando se trata de exprimir nossas aspirações comuns parece tomar conta do discurso quando queremos exprimir nossa compaixão, nosso pesar, nossa revolta, enfim, tudo aquilo que um dia exaltamos como a expressão do "nosso humanismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois da Segunda Grande Guerra, um dos maiores pensadores do século passado, Herbert Marcuse, ousava prever o advento de um novo fascismo no Ocidente. Uma profecia esquecida - Cassandra é sempre ignorada" - mas que se revelou tão aguda quanto foi profunda a sua análise do nazismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, como o próprio Marcuse não teria dificuldade de constatar,  voltamos a viver nos dias de hoje sob império de Goebbels. "Repita várias vezes uma mentira - diria ele há meses atrás - e ela se tornará verdadeira o bastante para conduzir uma democracia a guerra". "Omita cuidadosamente o que de mais desagradável poderia mostrar o 'outro lado" - diria ele ainda na semana passada - e você não só favorecerá o lado dos seus amigos como conservará ainda uma aparência de equidade". Mas, na verdade, quem precisa hoje de Ministro da Propaganda. Neste mundo globalizado e tão orgulhosamente descentralizado, todos sabem realmente como fazer a sua parte... E, se porventura não souberem, há inúmeros lobbistas dispostos a desenferrujar nossa memória para "as coisas importantes". Sim, Goebbels nada teria a ensinar àquela que se denomina orgulhosamente de " a imprensa mais livre do mundo"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mundo em que toda nuance foi banida das discussões públicas, em que todo conhecimento genuíno é preterido e soterrado pelos clichês e palavras de ordem, em que já não há nenhuma fé no esclarecimento do homem comum, semear a guerra, sempre em nome da lógica da guerra, é quase uma brincadeira de crianças. Qualquer coisa legitima a guerra, tudo justifica a matança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 21 de julho de 1209, quando os crizados "cristãos" se preparavam para tomar de assalto o burgo de Béziers, "metrópole" da heresia albigense, alguns cavaleiros mais escrupulosos foram inquirir o legado do papa, o abade Amaury de Poblet, sobre a maneira de distinguir os "bons católicos" dos hereges condenados. "Tuez-les tous, Dieu reconnaîtra les siens", teria respondido o "bom abade". Sim - "Matai a todos, deus reconhecerá os seus" - foi o que respondeu o representante da Igreja. Será que esta fórmula terrível, perfeitamente racional em sua lógica implacável, é muito diferente das tantas fórmulas que hoje justificam a guerra? Provavelmente não, exceto, talvez, pelo fato de serem estas muito mais presunçosas e pedantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta razão, de todas as "verdades eternas" que há muito tempo são vendidas no "mercado da fé", afirmo sem hesitação, que a única que se prova a cada dia, por todas as "evidências empíricas", por todos os "indícios materiais", é aquela enunciada pelo Abade de Poblet. "Matai a todos, Deus reconhecerá os seus" é o único mandamento comum a todos os povos. E, se algum deus existe de fato, mal pode ele se ocupar dos nossos padecimentos quotidianos, tão ocupado está em "reconhecer os seus" entre os mortos que fazemos brotar em toda parte; no Líbano, na Chechênia, no Iraque, no Timor, no Congo, no Sudão, em São Paulo, enfim, em toda parte onde se exalta o seu glorioso nome...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115381053471032916?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115381053471032916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115381053471032916' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115381053471032916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115381053471032916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/guerra-e-as-palavras_115381053471032916.html' title='A guerra e as palavras'/><author><name>Piras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115342632522974297</id><published>2006-07-20T17:04:00.000-03:00</published><updated>2006-07-25T11:37:11.216-03:00</updated><title type='text'>Hernandez Piras</title><content type='html'>Homem de vasta cultura, com interesse em assuntos diversos, seu lema é o mesmo de Montesquieu: "Meu espírito se prende a tudo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso mais novo contribuidor. Piras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115342632522974297?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115342632522974297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115342632522974297' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115342632522974297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115342632522974297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/hernandez-piras.html' title='Hernandez Piras'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115341467215548281</id><published>2006-07-20T13:56:00.000-03:00</published><updated>2006-07-20T13:57:52.166-03:00</updated><title type='text'>O Expectador</title><content type='html'>Hoje presenciei um fato preocupante. Talvez corriqueiro, mas mesmo assim assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte minutos atras, eu estava dirigindo em direcao ao trabalho. A viagem de sempre, ‘a mesma hora de sempre, a mesma estrada de sempre, quando vi algo diferente acontecer a uns 10 carros a minha frente – um acidente. Uma “explosao” de partes e vidros voou pelos ares. Os carros em frente reduziram a velocidade imediatamente, chegando a parar completamente. Nao consegui ver o que tinha acontecido, pois muitos carros se aglomeravam, embora alguns ja’ haviam se movimentado e passavam sobre o acostamento em fila unica. Em poucos momentos, consegui ter uma visao do acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro instante, achei que algum caminhao tivesse perdido a carga, e esta estaria no meio da estrada, bloqueando a passagem; porem, pelo numero de estilhacos, pude perceber que se tratava de um acidente serio. Pedacos de para-choque e destrocos estavam cercados de estilhacos de vidro por todos os lados. No meio da estrada, pude ver um carro virado, com as rodas para cima, um pneu ainda girando. Pensei “Tem gente ainda dentro do carro!” Aos poucos chegou minha vez de passar pelo acostamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi uma pessoa dentro do carro, ainda presa pelo cinto de seguranca. No banco do passageiro notei um homem de terno, provavelmente a caminho do trabalho, como eu. A gravata pendia verticalmente, apontando para o chao. Nao consegui ver o motorista. “Devo parar e ajuda’-lo” – Pensei. Ao mesmo tempo, vi outros carros parados, do outro lado da estrada. Sentia que devia parar, mas ao mesmo tempo sabia que outros ja haviam parado. Talvez eu nao fose necessario, outros o ajudariam. Tinha que decidir rapido pois outros carros estavam atras esperando para passar. Diminui ainda mais e sem desviar o olhar daquela cena horrivel, constatei que ele nao conseguiria sair de dentro do carro sem ajuda. Tinha que tomar uma decisao naquele instante. Sabia que se eu seguisse em frente um pouco mais, nao teria mais como parar e ajuda-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigindo com cuidado, olhei no retrovisor e vi o carro capotado diminuir de tamanho a medida que eu acelerava. Me senti um cafajeste, um covarde. Deveria ter parado, e socorrido o passageiro e o motorista do carro. Imaginei-me parando meu carro, sinalizando para os outros veiculos que diminuissem a velocidade. Imaginei-me de joelhos em frente do carro acidentado perguntando se todos dentro podiam me ouvir e se todos estavam bem. Imaginei-me gritando “Desligue o carro!” e socorrendo o passageiro. “Outros estavam la’ para ajuda’-lo” – tentei me convencer de que tinha tomado a melhor decisao possivel. Sabia que estava mentindo para mim mesmo, mas queria acreditar em minhas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei dirigindo ate’ a loja - meu destino final - passando por sinais e cruzamentos. Vi pessoas sentadas conversando animadamente com seus copos de café. Nao tinham a menor ideia que a menos de um quilometro, duas pessoas estavam presas dentro de um carro, possivelmente feridas. Nao tinham ideia do terror que se desenrolava ali pertinho, na estrada. Sorviam seu café matinal, preparando-se para mais um dia normal. Estacionei atras da loja, como sempre. Desliguei o carro e abri a porta. Entrei na loja, desliguei o alarme e acendi as luzes. Tudo dentro da normalidade. O acidente era uma lembranca distante, como uma cena de um filme visto na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais impressionante foi constatar que durante todos os acontecimentos, nao perdi a calma, meu coracao nao bateu mais forte, nao fiquei nervoso. Mesmo quando vi o passageiro de cabeca para baixo, preso dentro do carro, nao me envolvi emocionalmente. Era como se nada do que aconteceu fosse real. Eu me senti meramente um expectador, como uma zebra que pasta normalmente, observando o leao devorar outra zebra a pequena distancia. A frieza com que presenciei essa manha me fez refletir; e agora, escrevendo essas linhas, posso ouvir as batidas do meu coracao em meus ouvidos. Sinto o sangue subir as veias e suor na testa. Mas nao por causa do acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje presenciei um fato preocupante. Talvez corriqueiro, mas mesmo assim assustador. Percebi que sou um mero expectador da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115341467215548281?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115341467215548281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115341467215548281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115341467215548281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115341467215548281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/o-expectador.html' title='O Expectador'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115327043779778545</id><published>2006-07-18T21:36:00.000-03:00</published><updated>2006-07-21T17:36:10.733-03:00</updated><title type='text'>Pão e circo</title><content type='html'>Pense numa tragédia recente brasileira. Pense num fracasso, que nos envergonhou perante o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense em algo que, nesse ano, nos fez chorar. Que fez nos envergonhar de ser chamados de brasileiros. E que revoltou a todos, diante de tanta passividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi a sua maior decepção desse ano, como brasileiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense, agora, em algo que, depois de 2006, só poderá ser repetido em 2010, e que sempre ocorre de quatro em quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copa do Mundo? Seleção brasileira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou a eleição? A passividade e submissão das autoridades perante um PCC, perante um crime organizado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que você pensou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil perdeu da França... o Ronaldinho Gaúcho, os laterais, Roberto Carlos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho, para nós, acabou mais cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, peraí! Alguém ainda se lembra do mensalão? Do caso Petrobrás? E das sanguessugas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(aquela cabeçada do Zidane...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CPI dos Correios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, acorda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi, mesmo, a sua maior decepção, nesse ano, como brasileiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pense em algo que, &lt;em&gt;nesse ano&lt;/em&gt;, DEVERIA ter nos feito chorar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrem-se do caso Celso Daniel, prefeito de Santo André. Lembrem-se de que em outubro haverá uma eleição, e DEPOIS só será em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi bom o sonho! (enquanto durou...)Mas é hora de acordar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano, reflitam. Vamos, em &lt;strong&gt;outubro&lt;/strong&gt;, dar uma CABEÇADA na Corrupção e no Crime Organizado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://img15.imgspot.com/u/06/198/20/m1153269401.jpeg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://img15.imgspot.com/u/06/198/20/m1153269401.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115327043779778545?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115327043779778545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115327043779778545' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115327043779778545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115327043779778545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/po-e-circo.html' title='Pão e circo'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115318511064133883</id><published>2006-07-17T22:10:00.000-03:00</published><updated>2006-07-17T22:38:47.880-03:00</updated><title type='text'>Berber e Rocha</title><content type='html'>Contar com a presença de Berber e Rocha nesse blog é para mim motivo de muita honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois grandes artistas. Um, pianista profissional, mas também escritor. Outro, escritor profissional, mas também violonista. No meu blog &lt;strong&gt;Contrapunctum&lt;/strong&gt;, postei informações sobre ambos; uma entrevista com berber (Bernardo Scarambone), e um breve comentário sobre a arte de Ailton Rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.contrapunctum.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo de que seremos brindados com textos de qualidade à altura de seus talentos, deixo como minha primeira mensagem a apresentação desses ilustres confrades, com os quais muito tenho o que aprender, e aprendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente,&lt;br /&gt;Anderson Paiva&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115318511064133883?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115318511064133883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115318511064133883' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115318511064133883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115318511064133883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/berber-e-rocha.html' title='Berber e Rocha'/><author><name>Francisco da Cruz (Anderson Francisco Paiva de Souza)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07629609717492174569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-NFqcklumNlg/TixZHf7o6wI/AAAAAAAAALc/uIiepVnKMFY/s220/Jesus%2BCristo%2B%2528II%2529%2B-%2BHeinrich%2BHoffman.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115317328018498100</id><published>2006-07-17T18:06:00.000-03:00</published><updated>2006-07-17T21:13:31.036-03:00</updated><title type='text'>Mnemosina</title><content type='html'>(Perdoeem minhas contribuicoes - sao feitas a partir de um computador que aboliu o acento e a cedilha, sinal dos tempos...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E falando em linguas e palavras acabamos por encontrar uma muito interessante. Mnemosina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo assim de supetao, parece que alguem esbarrou no teclado e a letra "M" saiu junto com a "N". O que significa Mnemosina? Seria um tipo de limosine, com partes "mneumaticas"? Ou um nome de uma tia distante, com cabelos azuis, oculos e ainda solteira? Ou ainda o nome de uma condicao psicologica incuravel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisando extensamente na maior biblioteca disponivel (nossa conhecida internet) encontrei a solucao para o misterio. Mnemosina nao e' um tipo de gasolina experimental desenvolvida secretamente pelo governo americano. Mnemosina nada mais e' do que a mae das nove deusas da mitologia grega. Mnemosia, que personifica a memoria, teve nove filhas com Zeus. A Deusa Mnemosina representa o nosso passado, as nossas memorias e experiencias. Reis e poetas recebem de Mnemosina sua inspiracao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se nao me falha a Mnemosina, um asteroide tambem possui o mesmo nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115317328018498100?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115317328018498100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115317328018498100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115317328018498100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115317328018498100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/mnemosina.html' title='Mnemosina'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115316360030864828</id><published>2006-07-17T16:09:00.000-03:00</published><updated>2006-07-22T15:48:51.583-03:00</updated><title type='text'>Sobre o Benefício</title><content type='html'>"Uma frase de Aristóteles"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não há nada no mundo que envelheça tão depressa como o benefício”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, na quinta centúria antes da Era Cristã, Aristóteles, o filósofo de Atenas, proferiu essa sentença, certamente estava a abarcar a Humanidade como um todo. Apoiava-se em seu vasto saber, a partir de longos anos observando as ulcerações sociais, comuns em todas as épocas, constatando que o homem, em sua totalidade, retribuía com a ingratidão o bem recebido. Talvez tivesse razão, se nos fosse dado analisar a sociedade humana somente através da ótica das imperfeições e fraquezas, o que não pode ser verdade, porque sempre há um lado que contém as virtudes, ainda que em diminutas proporções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo período da história, quando na Civilização Helênica reinou a mente analítica de Aristóteles, também viveu, na Ásia, um príncipe hindu, que abandonou família e riquezas para buscar o sentido da existência. Siddharta Gautama, o Buddha, Avatar do posterior Budismo, repetiu, no decorrer de sua vida muitas vezes a seguinte frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Do charco nasce a flor-de-lótus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, no lamaçal das intempéries humanas, na caótica desigualdade social, desde imemoráveis eras, viveram homens frágeis, indivíduos de personalidade esfacelada pelas injustiças, que nunca puderam recorrer ao amparo da riqueza, que não tiveram as oportunidades de se elevarem espiritualmente. A eles sempre restou a ingratidão por força de conviver com a desconfiança adquirida na velada escravatura da exploração do irmão pelo irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, em todos os períodos da história humana, em que a humanidade vive às vésperas do caos, surgem indivíduos que, emergindo mesmo da confusa época em que vivem, transcendem-na, demonstrando uma presença marcante em iluminação, imbatíveis na defesa da virtude e da consciência moral, atuando e contribuindo para a evolução espiritual dos irmãos em trevas. Não são muitos, é bem verdade, aqueles que compreendem a iluminação e tentam seguir um novo caminho. Mesmo assim, poucos que são, já conseguem alterar o ânimo do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Aristóteles só podemos dar uma metade da razão. Não creio que o benefício seja totalmente esquecido, porque nem tudo pode ser perdido no coração dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do charco sempre há de nascer uma flor-de-lótus, essa planta sagrada da renovação humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Rocha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115316360030864828?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115316360030864828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115316360030864828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115316360030864828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115316360030864828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/sobre-o-benefcio.html' title='Sobre o Benefício'/><author><name>Ailton Rocha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115316944976108865</id><published>2006-07-17T15:53:00.000-03:00</published><updated>2006-07-17T18:57:47.186-03:00</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>(Perdoeem minhas contribuicoes - sao feitas a partir de um computador que aboliu o acento e a cedilha, sinal dos tempos...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa lingua mae e' muito rica e variada. O portugues, que ja' foi o ingles do passado na epoca das grandes exploracoes e cruzadas, e' uma das linguas mais dificeis de dominar. O Brasil, grande como so', possui varios "portugueses", onde cada "mini-cultura" tem sua linguagem propria. A linguagem falada e' a mais variada, onde sotaques podem ser facilmente confundidos com idiomas diferentes. A linguagem escrita tenta apaziguar os animos dos nossos "dialetos", mas mesmo assim apresenta uma peculiaridade. Muitas vezes palavras soltas, sem nenhum contexto a prende-las expressam significados diferentes. Vejam por exemplo a palavra "manga". Assim, solta ao vento, essa palavra pode significar uma fruta ou uma parte da sua camisa. Varias palavras possuem duplo sentido ou ate' mesmo triplo sentido. "Gato" pode ser um animal de estimacao, uma giria para conexoes ilegais de eletricidade ou ate' mesmo um jogador de futebol que esconde a sua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez nao tenhamos palavras suficientes para tantas expressoes e objetos que encontramos durante a nossas vidas. Os esquimos, por exemplo, possuem mais de 200 palavras para neve. Nos, brasileiros, temos mais de 200 para expressar a paixao nacional - a bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A extensao do vocabulario varia de acordo com a cultura. E as vezes cruza as fronteiras, adotando palavras de outras linguas. Hoje em dia, com o mundo encolhendo, expressoes que eram completamente desconhecidas ha uns 10 anos atras, sao encontradas em bocas de criancas: Download, email, internet, blog, etc. Expressoes vao e vem, mas no mundo de hoje, quem nao se globaliza, se trumbica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaremos caminhando para uma linguagem universal atraves dos computadores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet criara' o esperanto do seculo XXI?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115316944976108865?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115316944976108865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115316944976108865' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115316944976108865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115316944976108865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31220462.post-115316212573685659</id><published>2006-07-17T15:48:00.000-03:00</published><updated>2006-07-17T15:48:45.743-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ola', gente. Pelo visto esse e' o primeiro post nesse blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31220462-115316212573685659?l=mnemosina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mnemosina.blogspot.com/feeds/115316212573685659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31220462&amp;postID=115316212573685659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115316212573685659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31220462/posts/default/115316212573685659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mnemosina.blogspot.com/2006/07/ola-gente.html' title=''/><author><name>berber</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
